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2 de ago de 2017

Zoologist Perfumes Dragonfly - Fragrance Review


Português (click for english version):

Com uma vasta fauna de animais a serem explorados e conceitualizados em perfumes é intrigante para mim que a Zoologist parfums escolha um inseto. É certo que há admiradores dos insetos mas entre as criaturas do mundo animal eu acredito que insetos estão entre os menos queridos. Porém, há de se ressaltar que não estamos falando de qualquer inseto, mas de um que com curiosidades e todo um simbolismo atrelado a ele: a Libélula, cujo o nome em inglês poderia ser traduzido como Dragão Voador (certamente pela aparência dela).

A libélula é conhecida entre os insetos por ser um dos predadores mais eficientes e cruéis da natureza. É um inseto que começa sua vida na água e passa por um processo de 17 metamorfoses ao longo de sua vida. Simbolicamente, as libélulas estão associadas com o crescimento, mudança e auto-realização, poder, estabilidade, elegância e graça. É possível perceber que é um animal desafiador de ser transformado em perfume e ao mesmo tempo uma escolha única e arriscada para tal tarefa.

O resultado em Dragonfly é de certa forma desafiador e intrigante, um perfume que me exigiu alguns usos para poder entender corretamente sua natureza. É uma aroma com dualidades que a princípio parecem não se encontrarem mas que com o tempo se mostram capazes de conviver junto. É um perfume que tem uma aura antiga em seu corpo floral ao mesmo tempo que se mostra bem moderno em sua evolução. Ele também me revela uma certa brutalidade em alguns breves momentos ao mesmo tempo que mostra a estabilidade e elegância associada a libélula. E é um perfume que exemplifica bem a metamorfose envolvida ao animal retratado.

Dragonfly abre na pele com o seu lado mais clássico e vintage para mim, como se o perfumista Juan M. Perez buscasse inspiração nos florais do passado para capturar a fase aquática de vida da libélula. É um cheiro cremoso, com toques verdes e florais, um aroma úmido e certamente abstrato, condizente com a inspiração impressionista que o perfumista menciona em sua entrevista. É nessa fase que há um cheiro que me intriga, o aspecto brutal que eu menciono no parágrafo acima, como que uma lembrança da metamorfose e do asepcto predador desse animal. É um aroma metálico, quente e abafado, que me parece floral ao mesmo tempo que me lembra do cheiro de metal sendo soldado. Esse aroma é quase que um marcador da transição, já que após ele o perfume evolui para uma espécie de fase aérea, em uma base almiscarada sutil que mais projeta do que é sentida e que forma uma espécie de aroma cremoso, levemente doce e com nuances de um sabonete floral luxuoso, a parte mais moderna da composição. É uma espécie de crescimento diferente da que esperaríamos: em vez do volume da fragrância aumentar é sua aura que se forma e se espalha com precisão e leveza. É um projeto interessante e arriscado tanto em seu conceito como em sua realização.

English:

With a vast fauna of animals to be explored and conceptualized in perfumes it is intriguing to me that the Zoologist parfums choose an insect. There are certainly admirers of insects but among the creatures of the animal world I believe insects are among the least loved. However, it should be noted that we are not talking about any insect, but one that with curiosities and a symbolism attached to it: the Dragonfly (certainly named by its appearance).

The dragonfly is known among insects as being one of nature's most efficient and cruel predators. It is an insect that begins its life in the water and undergoes a process of 17 metamorphoses throughout its life. Symbolically, dragonflies are associated with growth, change and self-realization, power, stability, elegance and grace. It is possible to see that it is a challenging animal to be transformed into perfume and at the same time a unique and risky choice for such a task.

The result in Dragonfly is somewhat challenging and intriguing, a scent that has required me some uses in order to properly understand its nature. It is an aroma with dualities that at first seem not to coexist well but that with time you see they are able to live together. It is a perfume that has an old aura in its floral body while being very modern in its evolution. It also reveals me a certain brutality in a few brief moments while showing the stability and elegance associated with dragonfly. And it is a perfume that exemplifies well the metamorphosis involved in the animal portrayed.


Dragonfly opens on the skin with its more classic and vintage side to me, as if the perfumer Juan M. Perez sought inspiration in the florals from the past to capture the aquatic life phase of the dragonfly. It is a creamy scent, with green and floral touches, a moist and certainly abstract scent, consistent with the Impressionist inspiration that the perfumer mentions in his interview. It is at this stage that there is a scent that intrigues me, the brutal aspect that I mention in the paragraph above, as a reminder of the metamorphosis and predatory aseptic of that animal. It is a metallic aroma, hot and stuffy, which looks floral to me at the same time as it reminds me of the smell of metal being soldered. This aroma is almost a marker of the transition, since after it the perfume evolves into a kind of aerial stage, in a subtle musk base that projects more of what is felt and forms a kind of creamy, slightly sweet and with nuances of a luxurious floral soap, the most modern part of the composition. It is a kind of growth different from what we would expect: instead of being one in the volume the fragrance increase its aura that forms and spreads with precision and lightness. It is an interesting and risky project both in its concept and in its accomplishment.