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6 de jul de 2017

Chanel Gabrielle - Fragrance Review

 

Português (click for english version): 

Como toda grife contemporânea a Chanel se vê pressionada de tempos em tempos para lançar um novo pilar no seu portfolio de fragrâncias e não perder espaço para a competição. A Casa sempre foi pautada por uma exploração coerente de sua identidade e história mas nunca esteve distante das tendências atuais e sempre que possível tenta unir os dois e Gabrielle se esforça para ir nesse caminho.

 Gabrielle é um floral delicado e ao mesmo tempo persistente, algo abstrato e condizente com a ideia que o marketing da marca vende, um ode as mulheres. Ele não é exatamente um floral juvenil nem também um floral mais maduro, e sim uma abstração de flores, algo sensual como se pode esperar da beleza feminina. Ele é fiel a ideia de Coco Chanel de transpor os esteriótipos florais de sua época ao ser um perfume que não foca em nenhuma flor em específico. Ao mesmo tempo, também apresenta uma saturação, só que em vez de aldeídos nesse caso é utilizado alguma das moléculas de hedione para trazer o lado solar e de aura floral a composição.

 A criação abre com um tom levemente frutado que se encontra em alguns florais. Logo de cara, contorno verdes de rosa e de muguet podem ser sentidos ao mesmo tempo que um jasmim luminoso, transparente e levemente verde se mostra presente. Ele é o fio condutor, o "aldeído" da vez que eleva as flores ao patamar de aura e abstração. Eu consigo notar contorno do jasmim grandiflorum aqui, uma qualidade mais sofisticada de jasmim que em vez de ser adocicada tem um cheiro mais de pétala e um leve contorno ceroso que me faz pensar em lápis. Outros elementos da assinatura olfativa da marca estão presentes, entretanto apresentados de uma forma menos evidente: há um leve toque carnal de ylang, tons atalcados de iris misturados com uma base delicada de sândalo e musks.

Se eu fosse resumir Gabrielle, eu diria que é uma Chanel que mescla o tipo de execução encontrado em Chance com a identidade olfativa clássica da marca, uma aposta em mulheres que buscam um aura perfumada elegante mas sem ser gritante. De certa forma me parece uma antítese ao La Vie Est Belle e todos os outros perfumes que tem seguido nessa direção mais açúcarada. Não é exatamente uma ideia inovadora, mas é atemporal e sofisticado e não parece um perfume que você se cansa de usar com o tempo.

English:

Like every contemporary brand Chanel finds itself pressed from time to time to launch a new pillar in its portfolio of fragrances and not lose space for competition. The House has always been guided by a coherent exploration of its identity and history but has never been distant from current trends and whenever possible tries to unite the two and Gabrielle is an effort to go that way.

Gabrielle is a delicate and yet persistent floral, something abstract and consistent with the idea that brand marketing sells, an ode to women. It is not exactly a juvenile floral or a more mature floral, but an abstraction of flowers, something sensual as you can expect from a feminine beauty ideal. It is loyal to Coco Chanel's idea of ​​transposing the floral stereotypes of her time by being a perfume that focuses on no specific flower. At the same time, it also exhibits a saturation, only that instead of aldehydes in this case is used some of the molecules of hedione to bring the solar and floral aura side to the composition.

Gabrielle opens with a slightly fruity tone that is found in some flowers. First of all, green rose and muguet nuances can be felt at the same time as a bright, transparent and slightly green jasmine is present. It is the guiding thread, the "aldehyde" of this time that lifts the flowers to the level of aura and abstraction. I can note the outline of the jasmine grandiflorum here, a more sophisticated quality of jasmine that instead of being sweetened has a petal-like scent and a slight waxy contour that makes me think of pencils. Other elements of the brand's signature olfactory are present, though presented in a less obvious way: there is a slight carnal touch of ylang, iridescent shades of irises mixed with a delicate base of sandalwood and musks.


If I were to summarize Gabrielle, I would say that it is a Chanel that mixes the type of execution found in Chance with the classical olfactory identity of the brand, a bet on women seeking a fragrant but elegant aura without being glaring. In a way it seems to me an antithesis to La Vie Est Belle and all the other perfumes that have followed in that more sugared direction. It's not exactly an innovative idea, but it's timeless and sophisticated and it does not look like a scent you get tired of using over time.