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19 de jun de 2017

Dawn Spencer Hurwitz Foxy - Fragrance Review

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Português (click for english version):

É possível perceber que Dawn Spencer tem aproveitado bastante a onda de perfumes animálicos que ressurgiu recentemente. A perfumista não esconde nas postagens de seu blog seu fascínio por tal tipo de acorde e é possível perceber um catálogo vasto de criações com tal temática. Dentre seus perfumes mais recentes Chinchilla é um dos que mais me impressionou ao explorar uma textura animálica e aveludada, usando como base para isso o aroma resinoso da cêra de abelha e o cheiro animálico e intrigante da Hyrax. Em Foxy, novamente a perfumista se inspira em animais e em texturas orientais para compor um ode aos tempos clássicos da perfumaria.

Inspirado nas raposas, a primeira associação que faço entre elas e Foxy está na dominância do aroma de Labdanum na composição. Foxy mostra o lado mais primitivo e escuro do labdanum, como se emulasse assim uma tonalidade marrom escura do pêlo das raposas, sugerindo sua personalidade sagaz pelo aroma denso, fechado e mais cerebral. E para construir a textura animálica são mergulhados no labdanum outras essências mais carnais e que sugerem com o ambar uma dicotomia entre limpeza  e sujidade. Consigo perceber nuances de ambergris, castoreum e costus criando um aroma mais urinoso ao redor da aura mais fechada de Foxy.

Há, entretanto, um ar sedutor entre essas resinas e notas animálicas e nossa raposa se mostra como uma galanteadora refinada. Me surpreende o como o jasmim se destaca entre o acorde denso e ambarado, mostrando seu lado floral branco de uma forma mais verde e mais seca, porém com uma nitidez floral que é perceptível se você conhecer o aroma da flor. Essa dinâmica floral, animálica e ambarada aos poucos se transforma em um aroma mais solene, como se nossa raposa evoluísse de um animal real para um espírito animal.

English:

It is possible to notice that Dawn Spencer has made good use of the wave of animalic perfumes that has recently resurfaced. The perfumer does not hide in the posts of her blog her fascination for such a accod type and it is possible to perceive a vast catalog of creations with such theme. Among its most recent perfumes Chinchilla is one that most impressed to me by exploring an animalic and velvety texture, using as a basis the resinous scent of the beeswax and the animalic and intriguing smell of Hyrax. In Foxy, again the perfumer is inspired by animals and in oriental textures to compose an ode to the classic times of the perfumery.

Inspired by the foxes, the first association I make between them and Foxy lies in the dominance of Labdanum's aroma in the composition. Foxy shows the more primitive, dark side of the labdanum, as if emulating a dark brown tint of the fox fur, suggesting his sagacious personality by the dense, closed, and more cerebral scent. And to construct the animalic texture here are immersed in the labdanum more carnal essences that suggest with ambar a dichotomy between cleaning and dirt. I can see nuances of ambergris, castoreum, and costus creating a more urine-like aroma around Foxy's more closed aura.

There is, however, a seductive air between these resins and animalic notes and our fox shows itself to be a refined gallant. I'm amazed how jasmine stands out from the dense and amber chord, showing its white floral side in a greener, drier way, yet with a floral sharpness that is noticeable if you know the scent of the flower. This floral, animalic and amberlike dynamic gradually turns into a more solemn aroma, as if our fox evolved from a real animal to an animal spirit.