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25 de abr de 2017

L'Acqua di Fiori Ladro e Vet 312 - Avaliações


Utilizar perfumes como Ladro e Vet 312 um após o outro é como entrar numa espécie de máquina do tempo que retrata não somente o cenário da perfumaria nacional mas a história da L'Acqua di Fiori na perfumaria do Brasil. Meu relacionamento pessoal com os perfumes da L'Acqua me fazem ver como uma empresa é capaz de capturar tão bem ideias clássicas da perfumaria internacional sem que elas pareçam inferiores ou de forma que a inspiração se torne irrelevante diante do que se recebe.

Ladro é como uma representação da perfumaria masculina da década de 90, pautada principalmente na transformação do gênero fougére dentro das novas moléculas sintéticas que lhe garantiriam a leveza e duração que inaugurariam o que hoje chamamos na perfumaria como novo frescor. Ele é também uma representação de um momento de apogeu da marca, uma época onde a L'Acqua era vista como uma marca de prestígio e seletiva dentro da perfumaria comercial nacional.

 Ladro é a interpretação da L'Acqua para a ideia presente no Cool Water e suas pequenas mudanças funcionam muito bem. O enfoque é dado mais na parte fougére aromática do que no aspecto azedinho, metálico e clean das moléculas aquáticas e do dihidromircenol. Ao mesmo tempo, leves toques frutados e verdes reforçam o frescor e a leveza enquanto um fundo de musk, madeiras leves e um toque levemente ambarado segura bem a composição na pele. Talvez pelo revival recente dos fougeres e pelo uso mais moderado do novo frescor Ladro ainda soe tão contemporâneo quanto em sua década de lançamento.

Avançando para o presente momento, Vet 312 é uma aposta da L'Acqua justamente para recuperar seu espaço de prestígio e refinamento dentro da perfumaria nacional. Não que a qualidade atual dos perfumes da marca sejam ruins, mas uma má administração em anos anteriores quase a fez sumir de vez e por vários anos ela focou mais em sua sobrevivência e reconstrução do que no lançamento de novos perfumes. E aos poucos ela tem retomado o ritmo normal e um dos primeiros indícios é o lançamento de Vet 312.

Apesar do nome intrigante para um perfume nacional, quase como um codinome de uma das versões do projeto, Vet 312 é um bom representante de como o frescor da perfumaria masculina evoluiu para um contexto mais amadeirado e onde o vetiver tem sido protagonista. A marca mesmo enfatiza em toda a sua comunicação e nos detalhes do produto que o objetivo era criar um perfume com enfoque na raiz e em seu aroma complexo que vai do úmido ao amadeirado. A forma como eles fazem isso é interessante, algo entre a aura clássica e aromática de um Vetiver Carven e um aroma cítrico mais clean de um Tom Ford Grey Vetiver. Tais perfumes servem apenas como referência, pois Vet 312 trilha seu próprio caminho, pondo bastante ênfase na lavanda e em musks para fazer uma ponte entre um público mais heterogêneo e um aroma mais específico. No final das contas, funciona muito bem e serve como um Vetiver introdutório para quem não possui muita intimidade com tal nota. Um bom recomeço de lançamento para a marca.