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6 de abr de 2017

January Scent Project Smolderose - Fragrance Review


Português (click for english version):

Smolderose foi o primeiro perfume a ser criado por John Biebel para o January Scent Project e serve para mim como uma espécie de guia no processo criativo conceitual do artista. Aqui fica explícito a forma como elementos mais abstratos e reais são combinados para iniciar a jornada de construção da obra: por mais que a ideia possa ser sumarizada em uma rosa que queima lentamente sem deixar chamas, o perfume atinge tal propósito com uma riqueza bem interessante de nuances. E Smolderose também é uma criação que evidencia muito bem como um tema pode ser interpretado de formas tão distintas pelo mesmo artista em concentrações diferentes.

O perfume foi inicialmente criado em uma concentração parfum feita em óleo e por ter essa característica sua evolução para mim é como observar uma animação em slow motion e ver a projeção mais lenta de cada uma das partes. A imagem criada aqui me trás uma sensação litúrgica, como uma espécie de incenso de rosas com uma aura sagrada. Ao mesmo tempo, há uma projeção poderosa e complexa que parece interpretar de forma bem fina os chypres fluorescentes de rosa dos anos 80.

A composição abre com os aspectos mais cítricos e de limão da rosa e com toques verdes para então se transformar em uma rosa aveludada escura, de uma tonalidade vinho e negra. Quando se percebe a rosa está lentamente se decompondo na pele em um processo que a transforma em fumaça aromática resinosa e carnosa, algo que parece emular tanto as resinas fumegantes e doces como o aroma de um couro sendo curtido em uma água aromática de rosas. Por fim, Smolderose termina em uma base mais chypre, terrosa e com aspectos verde e ásperos que me fazem pensar, junto com a rosa, na perfumaria dos anos 80. É um perfume de muita personalidade, um conceito artístico que se utiliza de um tema universal para atingir seus propósitos de fantasia.

Já a versão EDP de Smolderose trás uma nova luz a ideia do incenso de rosas e é como se essa concentração fosse a versão yang para o yin do parfum. Ainda que estejamos falando da rainha das flores, a coloração muda drasticamente: se na versão parfum temos uma rosa de um vinho bem escuro na versão EDP ela parece ficar entre uma rosa esverdeada e uma rosa champagne. O aspecto mais licoroso é substituído pelo tom mais cítrico, ardido e que remete a gerânio, uma rosa que soa quase primaveril e fresca. A ritualística aqui parece acontecer em um ambiente aberto e se essas rosas se transformam em resina e incenso é de uma forma mais área, que mantém o aspecto animálico, ambarado e oleoso de uma maneira mais distante. É curioso como Smolderose em EDP me faz pensar em um aroma de praia, talvez pela incorporação das conchas, que lhe conferem um aspecto mineral e salgado. É de certa forma como se estivéssemos em um recanto espiritual localizado em uma praia remota e contemplativa: algo que envolve tanto uma certa brutalidade como uma certa serenidade e delicadeza.

English:

Smolderose was the first perfume  created by John Biebel for the January Scent Project and it serves me as a kind of guide in the artist's conceptual creative process. It is explicit here how the most abstract and real elements are combined to start the journey of building the work: even that most of the idea can be summarized in a rose that burns slowly without leaving flames, the perfume reaches this purpose with a very interesting richness of nuances. And Smolderose is also a creation that shows very well how a theme can be interpreted in so different ways by the same artist in different concentrations.

The perfume was initially created in a parfum concentration made in oil and for having this characteristic its evolution for me is like watching a slow motion animation and seeing the slower projection of each of the parts. The image created here brings me a liturgical sensation, like a kind of rose incense with a sacred aura. At the same time, there is a powerful and complex projection that seems to interpret the rose fluorescent chypres of the 80s very well.

The composition opens with the more citrus and lemon aspects of the rose and with green touches that then turn into a dark velvety boozy rose of a black tonality. When one notices the rose is slowly decomposing on the skin in a process that turns it into resinous and fleshy aromatic smoke, something that seems to emulate both the sweet and steamy resins and the aroma of a leather being tanned in a rose aromatic water. Finally, Smolderose ends in a chypre, earthy base with green and rough aspects that make me think, along with the rose, in the perfumery of the 80's. It is a perfume with a lot of personality, an artistic concept that uses an universal theme to achieve its fantasy purposes.

The EDP version of Smolderose brings a new light to the idea of ​​rose incense and it is as if this concentration were the yang version for the yin of the parfum. Although we are talking about the queen of flowers, the coloring changes drastically: if in the parfum version we have a rose of a very dark wine in the EDP version it seems to be between a greenish rose and a champagne one. The most licorous aspect is replaced by the more citrusy, bitter tone that reminds you of geranium, a rose that sounds almost springy and fresh. The ritualistic here seems to happen in an open environment and if these roses become resin and incense is in a more aereal form, which maintains the animalic, amber and oily aspect in a more distant way. It is curious how Smolderose in EDP makes me think of a beach scent, perhaps by incorporating the shells, which give it a mineral and salty aura. It is in a way as if we were in a spiritual nook on a remote, contemplative beach: something that involves both a certain brutality and a certain serenity and delicacy.