Pesquisar este blog

3 de abr de 2017

January Scent Project Selperniku - Fragrance Review


Português (click for english version): 

Apesar de ser uma marca recém-nascida no mundo da perfumaria, a January Scent Project certamente não nasce sem uma grande bagagem de conhecimento adquirido de seu autor John Biebel, artista plástico, colunista do fragrantica e supervisor de testes de software relacionado a experiência do usuário.

É interessante observar o como essas 3 facetas de John se integram no projeto: como colunista, John certamente conhece muito da perfumaria e propõe algo quase inortodoxo nos dias de hoje para uma estreante: a criação de uma marca com poucas fragrâncias, sem enaltecimento da nobreza dos materiais e sem um preço inicial muito alto. Como artista, certamente percebe-se um cuidado mais poético e abstrato nos conceitos e criações da marca, E como um especialista na parte de experiência do usuário, John transpõe o cuidado e integração da interface com o conteúdo, de forma que ela não distraia mas também não deixe de ser atraente de uma forma minimalista e sólida. E isso tudo funciona muitíssimo bem com 3 perfumes que foram certamente pensados e ajustados em seus pequenos detalhes e soam bem profissionais.

O primeiro que se destacou na minha escolha para conhecer a marca foi Selperniku, principalmente pelo seu nome, que soa como uma espécie de palavra chave para um feitiço nórdico. Selperniku é um neologismo que surgiu da palavra Sal em francês, Sel, que é um dos componentes principais da composição junto com o sândalo e o acorde de leite. Selperniku evoca, curiosamente, um conceito branco utilizando musks para isso, porém sem cair no lugar comum - estamos em um território familiar e ao mesmo tempo pouco conhecido e exótico. É interessante observar que apesar de equilibrado as notas utilizadas aqui não são fáceis de equilibrar - óleos essenciais como camomila e imortelle facilmente dominam uma formulação mesmo em doses moderadas e podem acrescentar nuances secundárias difíceis de integrar com o resto.

A composição abre com um toque frutal sedoso e um aroma especiado fresco, aerado, que é complementado pelo aroma levemente amendoado, verde e um pouquinho amargo da camomila. O uso de petigrain, junípero e cipreste acrescenta um toque herbal salgado que é um parte importante da sensação salgada. A imortelle curiosamente fica sempre em segundo plano, dando junto com o tabacco um colorido quente e torrado bem distante ao aroma mais frio da composição. Em uma última fase, selperniku mostra seu lado mais amadeirado e amanteigado, algo que resulta da combinação dos musks certos com as nuances lactônicas e amadeiradas mais secas do sândalo. Uma nota potente, o sândalo carrega Selperniku por um bom tempo na pele e quando se chega a essa fase é como se tivessemos a impressão de estar em uma floresta dessa árvore em um universo alternativo, onde tais árvores dão frutos leitosos, levemente verdes e especiados. É uma visão bem interessante e que pode revelar ainda mais nuances em posteriores usos.

English:

Despite being a newborn brand in the world of perfumery, the January Scent Project certainly is not one without a great deal of knowledge acquired from its author John Biebel, plastic artist, fragrantica columnist  and supervisor of software tests related to user experience .

It is interesting to see how these three facets of John integrate into the project: as a columnist, John certainly knows a lot about perfumery and proposes something almost unorthodox these days for a beginner: creating a brand with few fragrances, without the focus on the nobility of materials and without a very high starting price. As an artist, one certainly perceives a more poetic and abstract care in the concepts and creations of the brand, and as a specialist in the user experience part, John transposes the care and integration of the interface with the content, so that it does not distract but at the same time make it sure to be attractive in a minimalist and solid way. And this all works terribly well with 3 perfumes that have certainly been thought and adjusted in their little details and thus sound very professional.

The first one that stood out in my choice to know the brand was Selperniku, mainly by its name, which sounds like a kind of keyword for a Nordic spell. Selperniku is a neologism that arose from the word salt in French, Sel, which is one of the main components of the composition along with the sandalwood and the milk accord. Selperniku curiously evokes a white concept using musks for this, but without falling into the commonplace - we are in familiar territory and at the same time little known and exotic. It is interesting to note that although  the notes used here are balanced they are not easy to do it - essential oils like chamomile and imortelle easily dominate a formulation even in moderate doses and can add secondary nuances difficult to integrate with the rest.

The composition opens with a silky fruity touch and a fresh, aerated spicy aroma that is complemented by the slightly almondy, green and a little bitter aroma of chamomile. The use of petigrain, juniper and cypress adds a salty herbal touch that is an important part of the salty sensation. The imortelle curiously always stays in the background, giving along with the tabacco a warm and roasted color far from the cooler aroma of the composition. In a later phase, Selperniku shows its more woody and buttery side, something that results from the combination of the right musks with the drier lactonic and woody nuances of sandalwood. A potent note, sandalwood carries Selperniku for a long time on the skin and when it comes to this stage it is as if we had the impression of being in a forest of this tree in an alternate universe, where such trees yield fruits which are milky, lightly green and spicy . It is a very interesting sight and it can reveal even more nuances in later uses.