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4 de abr de 2017

January Scent Project Eiderantler - Fragrance Review


Português (click for english version):

Temos vivido um momento onde estruturas clássicas da perfumaria moderna tem ganhado novo interesse principalmente por uma nova geração de marcas e artistas. Uma das que tem sido revitalizada e restaurada em sua beleza original são os perfumes fougéres, uma abstração que na perfumaria masculina é o equivalente do chypre para a perfumaria feminina. A combinação de elementos cítricos, aromáticos e amadeirados/musgo tem ganhado nas mãos de novos perfumistas um novo olhar, incorporando elementos florais de uma forma mais evidente e conseguindo atrair um público tanto masculino como feminino. É um grande acerto de John incluir nesse momento Eiderantler, um belo fougére verde que serve como exemplo dentro dessa revitalização.

Assim com Selperniku, Eiderantler possui uma boa dose de imaginação e fantasia em seu conceito porém amarrado de uma forma que faz sentido. Inspirado pelas obras surreais do pintor medieval Hieronimous Bosch, John imaginou um aroma inspirado em um animal que mescla elementos de uma espécie de pato (eider) com chifres, algo que me faz imaginar uma criatura que é um misto de cervo e pato. Nesse contexto, para uma criatura imaginária e abstrata nada melhor que uma composição abstrata e que de certa forma remeta ao aroma verde e natural do ambiente de um pato com um fundo de musks que reconstroem o aroma do viado almiscareiro.

Eiderantler surpreende em como todos os elementos parecem fluir de forma harmônica e com uma complexidade que não é fácil de quebrar. O aroma mais evidente nele é a lavanda, que perde sua aura doce e clean e soa quase como um aroma prateado e floral fresco. Eiderantler possui toques cítricos para mim, um aroma mais afiado vegetal de coníferas e nuances que me remetem ao aroma mais azedinho das flores de laranjeira. Há algo que parece fazer o papel da coumarina aqui e sugerir o aroma fresco, amendoado e de grama cortada que um fougere deve ter. O uso de bons musks consegue criar um equilíbrio entre clean e animálico que posiciona Eiderantler tanto no clássico como no moderno. Eu não sou fã de perfumes fougeres, mas a sinfonia de Eiderantler certamente me impressiona. Se Selperniku me faz imaginar uma floresta fantasia de sândalos, Eiderantler me faz ver uma flores de coníferas intercalado com árvores florais e vegetação aromática e com o aroma de animais sugerido no ar. É bem interessante a fantasia aqui proposta, com um aspecto surreal no conceito mas uma interpretação bem real.

English:

We have been living in a time where classic structures of modern perfumery have gained new interest mainly by a new generation of brands and artists. One of those that has been revitalized and restored in its original beauty are the fougere perfumes, an abstraction that in masculine perfumery is the equivalent of chypre for the feminine one. The combination of citrus, aromatic and woody / moss elements has gained a new look in the hands of new perfumers, incorporating floral elements in a more evident way and managing to attract both male and female audiences. It is a great achievement for John to include Eiderantler at this time, a beautiful green fougere who serves as an example within this revitalization.

Like Selperniku, Eiderantler has a good deal of imagination and fantasy in its concept but it is tied in a way that makes sense. Inspired by the surreal works of the medieval painter Hieronimous Bosch, John imagined a scent inspired by an animal that mixes elements of an eider duck with horns, something that makes me imagine a creature that is a mixed breed of duck and deer. In this context, for an imaginary and abstract creature nothing better than an abstract composition and that somehow refers to the green and natural aroma of the environment of a duck with a background of musks that reconstruct the aroma of the deer musk.

Eiderantler surprises at how all elements seem to flow harmoniously and with a complexity that is not easy to break. The most obvious aroma in it is lavender, which loses its sweet and clean aura and sounds almost like a fresh silvery and floral scent. Eiderantler has citrus touches to me, a sharper vegetable scent of conifers and nuances that remind me of the more sour aroma of orange blossoms. There is something that seems to play the role of the coumarine here and suggest the fresh, bitter-almond and freshly cut grass that a fougere should have. The use of good musks can create a balance between clean and animalic that positions Eiderantler in both classic and modern. I'm not a fan of Fougeres perfumes, but Eiderantler's symphony certainly impresses me. If Selperniku makes me imagine a fantasy forest of sandalwoods, Eiderantler makes me see a conifer one interspersed with flowering trees and aromatic vegetation and with the aroma of animals suggested in the air. It is very interesting the fantasy proposed here, with a surreal aspect in the concept but a very real interpretation.