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14 de mar de 2017

Penhaligon's Roaring Radcliff - Fragrance Review

Português (click down for english version): 

Com a coleção Portraits a tradicional casa de perfumaria Penhaligon's me parece mirar uma estética menos conservadora em seus conceitos, embalagens e apresentações, com um posicionamento certamente que busca colocar uma coleção da marca em uma mercado mais seletivo e luxuoso. É possível claramente perceber a influência da marca independente Zoologist na inclusão de animais nas imagens e nas (horrendas e bregas) tampas, mas sem a preocupação de fazer um link evidente com a história que é contada e o perfume que é desenvolvido.

Em Roaring Radcliff pelo menos temos uma narrativa que faz sentido e que encaixa o retrato contado com o perfume criado, o que certamente torna secundário o aspecto brega da tampa e o uso confuso da figura do leão. Na narrativa ficcional criada para a coleção, Radcliff é um filho não oficial de Clara e Lord George (dois outros integrantes da coleção) e que pela descrição feita é um bon-vinvant. E para o perfume de um bom vivant, a marca trás um conceito que gira em torno do tabacco, do rum e do bolo de gengibre, que Radcliff consome junto com o rum.

A combinação de notas certamente não é algo inovador e nunca antes visto na perfumaria, mas é um aroma sofisticado, sedutor e marcante. Roaring Radcliff me faz pensar em fragrâncias que usam de forma proeminente o aroma de mel, gengibre e especiarias - em especial me vem a cabeça perfumes como Five o Clock Au Gingembre (Serge Lutens), Un Crime Exotique (Parfumerie Generale), Tea For Two (L'Artisan) e, em um grau mais distante, Gucci Pour Homme II (pelo o aroma de mel e especiarias da saída).

Roaring Radcliff já abre com um aroma picante e quente, um aroma que é uma mistura de mel, gengibre e especiarias como cravo e canela. Essa mistura marcante é bem intensa e forma uma aura que projeta de forma considerável. Ela vai aos poucos se transformando no aroma de tabacco que o bon-vivant Radcliff consome. O aroma de tabaco aqui é o que o diferencia para mim dos perfumes citados anteriormente, trazendo uma aura mais seca e áspera a composição ao mesmo tempo que em combinação com a fava tonka, mel e gengibre cria um ar de um tabaco flavorizado de cachimbo. Essa parte final se mostra razoavelmente persistente e de projeção moderada e é uma boa finalização a ideia desenvolvida. Radcliff certamente seria ainda melhor se sua apresentação não acrescentasse algo apenas para estar na moda e não tentasse emular algo que não é desenvolvido. Mas tirando esse aspecto é uma composição bem feita e que pode agradar aos fãs de tabaco, mel e especiarias.

English:

With the Portraits collection the traditional Penhaligon's perfumery house seems to me to aim at a less conservative aesthetic in its concepts, packaging and presentations, with a positioning that certainly seeks to put this brand's collection  in a more selective and luxurious market. It is possible to clearly perceive the influence of the indie Zoologist brand in the inclusion of animals in the images and in the (horrendous and cheesy) lids, but without the concern of making an evident link with the story that is told and with the perfume that is developed.

In Roaring Radcliff at least we have a narrative that makes sense and fits the portrait counted with the perfume created, which certainly makes secondary the tacky aspect of the package and the confused use of the lion figure. In the fictional narrative created for the collection, Radcliff is an unofficial son of Clara and Lord George (two other members of the collection) and that by the description made is a bon-vinvant. And for the scent of a good vivant, the brand brings a concept that revolves around the tabacco, rum and gingerbread, which Radcliff consumes along with booze.

The combination of notes is certainly not something innovative and never seen before in the perfumery, but it is a sophisticated, seductive and striking aroma. Roaring Radcliff makes me think of fragrances that prominently use the scent of honey, ginger and spices - it especially reminds me of Five Clock Au Gingembre (Serge Lutens), Un Crime Exotique (Parfumerie Generale), Tea For Two (L'Artisan) and, into a lesser degree, Gucci Pour Homme II (by the aroma of honey and spices from the opening).

Roaring Radcliff already opens with a spicy and warm aroma, one that is a blend of honey, ginger and spices like cloves and cinnamon. This striking mixture is very intense and forms an aura that projects in a considerable way. It gradually becomes the aroma of tabacco that the bon vivant Radcliff consumes. The tobacco here is what sets it apart for me from the perfumes mentioned above, bringing a drier and rough aura to the composition while creating the air of a flavored pipe tobacco in combination with tonka beam, honey and ginger, This final moment, the tobacco one, is reasonably persistent and of moderate projection, and the idea developed is a good ending. Radcliff would certainly be even better if his presentation did not add something just to be fashionable and did not try to emulate something that is not developed. But this apart is a well made composition that can please fans of tobacco, honey and spices.