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7 de mar de 2017

Maison Incens Figue Aoudii e Figue Eleii - Fragrance Review


Português (scroll down for english version):

Maison Incens não é exatamente uma estreante no mercado da perfumaria, existindo desde 2013. Entretanto, seus perfumes com nomes familiares e ao mesmo tempo exóticos tem lentamente ganhado destaque no mundo virtual recentemente. A casa tem uma visão de mundo bem forte, sobre ser diferente, se destacar da multidão, ser único e promover uma ruptura em relação as tendências. Na minha opinião pessoal, é uma belo motivo de ser, mas um certamente muito pesado quando se trata de uma nova casa competindo por atenção em um mercado marcado tanto pela diversidade como pela mesmice.Isso se confirma principalmente quando se observa nos perfumes da linha a exploração de notas que não são exatamente uma ruptura com as tendências.

Há algo mais importante sobre a marca que não é explorado em seu site pessoal, mas que deveria fazer parte de forma mais explícita sobre a comunicação da marca e das fragrâncias. Em entrevista ao fragrantica, o fundador Philippe Constantin mencionou que teve a inspiração para a criação da linha de perfumes ao descobrir desenhos em couro feitos por seu pai. Tais desenhos mostravam um mundo ficcional, Artganis, composto de criaturas mágicas que se utilizavam dos aromas como forma de comunicação. Em Artganis, a família Incens representa de certa forma a realeza e detém o controle de tal mundo justamente por meio dos aromas. A Maison Incens de Philippe Constantin recria os perfumes que representam esse universo e família.

Me chamou a atenção a princípio a existência de dois perfumes de figo em uma casa com menos de 10 fragrâncias. Não é algo tão comum de se ver no mercado, mas no mundo ficcional de Incens a figueira ganha um simbolismo sagrado, ganhando o nome de Aoudii, o que de certa forma une conceitualmente seu simbolismo sagrado com o da madeira de agarwood, conhecida também como Aoud. Figuee Aoudii representa Kalista, a grande perfumista do império. É difícil saber se Kalista é uma figura feminina ou masculina, pois Figue Aoudii não tem uma forma nessa direção. Seu aroma me faz pensar numa representação do figo relacionada a fertilidade talvez, visto que estamos diante de um fruto de aroma carnal, suculento, no limiar do açucarado. É possível praticamente visualizar e apalpar tal figo devido a suculência de seu aroma. O lado mais verde dele acaba aparecendo depois, e sua doçura praticamente mascaram o lado mais áspero e animálico do aroma de couro. O Acorde de agarwood utilizado aqui cria uma aura ambarada, incensada e adocicada que se funde bem ao cheiro suculento do figo.É interessante observar que algumas horas depois Figue Aoudii mostra ainda uma nuance de uma outra essência nobre, a iris, conferindo um toque terroso e complementando a nuance de couro da composição.

Se Figue Aoudii representa um lado mais sensual e misterioso do figo, Figue Eleii é uma exploração mais convencional de suas nuances verdes, um aroma ainda sim suculento porém de uma forma mais fresca pela exploração do acorde das folhas. Figue Eleii representa Naila Incens, a guardiã dos mundos além de Artganis. Ele me parece retratar uma figura mais sóbria, porém amável e sábia. O cheiro verde e suculento de suas folhas de figo está envolto em algo mais sagrado e contemplativo, um belo acorde que mescla nuances de incenso ao aroma do sândalo e acrescenta um leve toque verde e floral exótico da tuberosa. É uma associação inteligente de aromas que gira ao redor do cheiro verde e fresco do figo explorando nuances lactônicas tanto pela tuberosa como pelo sândalo. Figue Eleii é considerado no universo da marca um figo almiscarado, o que talvez explique seu aroma mais linear e focado na temática principal da composição. Ambos são um prato cheio para os amantes de perfumes com tal fruta em destaque.

English:

Maison Incens is not exactly a debutante in the perfumery market, existing since 2013. However, its perfumes with familiar yet exotic names have slowly gained prominence in the virtual world recently. The house has a very strong world view, which is about being different, standing out from the crowd, being unique and breaking away from the trends. In my personal opinion, it is a good reason to exhist, but one certainly very heavy when it comes to a new house competing for attention in a market marked by both diversity and sameness. This is confirmed mainly when one observes in the perfumes of the line a exploration of notes that are not exactly a break with trends.

There is something more important about the brand that is not explored on their personal website but that should be a more explicit part of the brand communication and fragrances. In an interview with the fragrantica, the founder Philippe Constantin mentioned that he had the inspiration for the creation of the perfume line when discovering leather drawings made by his father. Such drawings showed a fictional world, Artganis, composed of magical creatures that used the aromas as a form of communication. In Artganis, the Incens family represents royalty in some ways and controls the world precisely using the aromas. Philippe Constantin's Maison Incens recreates the perfumes that represent this universe and family.

I was struck at first by the existence of two fig perfumes in a house with less than 10 fragrances. It is not something so common to see in the market, but in the fictional world of Incens the fig tree gains a sacred symbolism, earning the name of Aoudii, which in a way unites conceptually its sacred symbolism with that of the agarwood wood, also known as Aoud. Figuee Aoudii represents Kalista, the great perfumer of the empire. It is difficult to know whether Kalista is a female or male figure since Figue Aoudii has no form in this direction. Its aroma makes me think of a representation of the fig related to fertility perhaps, since we are faced with a fruit with a carnal aroma, juicy, on the threshold of the sugar. It is possible to practically visualize and palpate such a fig due to the succulence of its aroma. The greener side of it ends up appearing later, and its sweetness practically masks the rougher and more animalic side of the leather scent. The Agarwood accord used here creates an amber, incense and sweetened aura that fuses well with the juicy scent of the fig. It is interesting to note that a few hours later Figue Aoudii shows yet another nuance of another noble essence, the iris, imparting an earthy touch and complementing the leather nuance of the composition.

If Figue Aoudii represents a more sensuous and mysterious side of the fig, Figue Eleii is a more conventional exploration of its green nuances, a yet juicy aroma but more freshly by focusing on its  leaves. Figue Eleii represents Naila Incens, the guardian of the worlds beyond Artganis. It seems to me to portray a more sober but loving and wise figure. The green and juicy scent of its fig leaves is wrapped in something more sacred and contemplative, a beautiful accord that mixes nuances of incense with the scent of sandalwood and adds a light green and exotic floral  tuberose touch. It is an intelligent association of aromas that revolves around the green and fresh scent of the fig exploring lactonic nuances by both tuberose and sandalwood. Figue Eleii is considered in the universe of the brand a musk fig, which perhaps explains its more linear and focused aroma in the main theme of the composition. Both fragrances are a full plate for lovers of perfumes with such featured fruit.