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12 de mar de 2017

Maison Incens Coeur de Oud, Coeur de Rose e Coeur de Musc- Fragrance Reviews


Português (click for english version):

O trio de fragrâncias Les Incensees surgiu como muitas das boas ideias na perfumaria, por meio de um acidente no momento da formulação. No processo de criação de Cuir Erindil ao cometer um erro (provavelmente de saturação de uma nota, creio eu), Philippe Constantin gostou tanto do resultado que decidiu que ele poderia ser um perfume com identidade própria. Assim surgiu a ideia de criar composições ousadas, dissonantes, beirando impossível e o não usável, nascendo assim Les Incensees, cuja a palavra a marca define como significando algo "sem sentido, maluco, imprudente". É um conceito que parece bom demais para ser verdade, mas que se mostra verdadeiro em sua boa parte quando se testa os perfumes na pele.

Do trio de fragrâncias concebido, Coeur de Oud é o que melhor personifica o ousado, dissonante e quase impossível de se usar, principalmente se você não estiver acostumado as interpretações mais animálicas da nota. É uma criação surpreendente pela complexidade dos seus detalhes, algo de fato bem maluco quando borrifado na pele, uma loucura bem executada e interessantíssima. Couer de Oud abre com uma explosão de notas animálicas, combinando o aroma mais sujo do civet com o aroma animálico de couro do castoreum o aroma mais fecal de agarwood. A explosão da saída quase mascara outra faceta gigantesca da composição, um bouquet floral branco beirando o indólico e o carnal, um acorde floral suculento e sem receio nenhum de se destacar. Coeur de Oud termina em algo mais discreto, que retém parte da selvageria animálica da saída e acrescenta a ela um aroma amadeirado mais canforado e que remete a um patchouli de perfumes chypre modernos. O ajuste fino da fórmula é o que torna Coeur de Oud de impossível de usar em desafiador, inteligente e interessante.

Coeur de Rose é talvez o menos selvagem da coleção mas é também um perfume incomum quando se pensa na temática de rosas que é explorada na perfumaria comercial ou na perfumaria de nicho. Coeur de Rose me faz pensar na saturação de dois grupos de moléculas bem específicas das rosas. O primeiro delas é o que faz com que se perceba na flor nuances que remetem ao cheiro de seu caule e de suas folhas. O outro é um grupo que faz um elo indireto entre as rosas e o tabaco e que confere a flor nuances secundárias de mel e que se mostram mais evidente em algumas variedades de flor. Coeur de Rose é a junção extrapolada do aroma verde do caule e das folhas em união com um aroma de rosas que remete muito a tabaco e mel. Certamente é um perfume dissonante, porém algo mais linear, envolto em musks mais macios e menos desafiadores na pele.

Por fim, Coeur de Musc acaba se encaixando entre o aroma incomum e mais usável de Coeur de Rose e o aroma selvagem e animálico de Coeur de Oud. É uma criação que presta de certa forma homenagem tanto ao almíscar de origem animal quanto as diferentes nuances animálicas dentro de uma composição.Coeur de Musc começa com uma explosão de nuances animálicas - o aroma negro e denso do castoreum e o aroma sujo e macio de um acorde de musk que emula a versão natural. Em segundo plano percebe-se uma nota pouco pensado como animálica, o mel, contribuindo para algo que oscila entre um aroma floral, um aroma doce e um aroma de mel mais sujo e urinoso. Coeur de Musc também termina como as outras criações, mais delicado, domesticado e bem confortável. Todos possuem em comum performances dignas da concentração extrato.

English:

The trio of fragrances Les Incensees has come up as many of the good ideas in perfumery, through an accident at the time of formulation. In the process of creating Cuir Erindil when making a mistake (probably saturating a note, I believe), Philippe Constantin liked the result so much that he decided it could be a perfume with its own identity. Thus came the idea of ​​creating bold, dissonant compositions, bordering on impossible and non-usable, thus giving birth to Les Incensees, whose word the brand defines as meaning "meaningless, crazy, reckless." It is a concept that seems too good to be true, but that shows itself true when testing the perfumes on the skin.

From the trio of fragrances conceived, Coeur de Oud is what best embodies the daring, dissonant and almost impossible to use, especially if you are not accustomed to the more animalistic interpretations of the note. It is a surprising creation because of the complexity of its details, something very crazy indeed when it is sprayed on the skin, a madness well executed and very interesting. Couer de Oud opens with an explosion of animalic notes, combining the dirtier aroma of civet with the animal-like aroma of castoreum and the more fecal aroma of agarwood. The explosion of the opening almost masks another gigantic facet of the composition, a white floral bouquet bordering on the indolic and the carnal, a juicy floral accord with no fear of standing out. Coeur de Oud ends up in something more discreet, which retains part of the animalistic savagery of the exit and adds to it a more camphorated woody scent and which refers to a patchouli of modern chypre perfumes. The fine-tuning of the formula is what makes Coeur de Oud from impossible to use to challenging, intelligent and interesting.

Coeur de Rose is perhaps the least wild of the collection but it is also an unusual perfume when one thinks of the roses theme that is explored in commercial perfumery or niche perfumery. Coeur de Rose makes me think of the saturation of two groups of very specific molecules of roses. The first one is what makes you notice in the flower nuances that refer to the smell of its stem and its leaves. The other is a group that makes an indirect link between roses and tobacco and which gives the flower secondary nuances of honey which are most evident in some varieties of the flower. Coeur de Rose is the extrapolated junction of the green aroma of the stem and the leaves in union with an aroma of roses that refers a lot to tobacco and honey. Certainly it is a dissonant but somewhat more linear perfume, wrapped in softer and less challenging musks on the skin.


Finally, Coeur de Musc ends up fitting into the unusual and more usable aroma of Coeur de Rose and the wild, animalic aroma of Coeur de Oud. It is a creation that pays homage to both musk of animal origin and the different animalistic nuances within a composition. It begins with an explosion of animalic nuances - the black, dense aroma of the castoreum and a dirty and soft musk chord that emulates the natural version. In the background one perceives a note little thought like animalic, the honey, contributing for something that oscillates between a floral aroma, a sweet aroma and a scent of honey more dirty and urinal. Coeur de Musc also ends up like the other creations, more delicate, domesticated and very comfortable. All have in common performances worthy of their extract concentration.