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20 de mar de 2017

Louis Vuitton Mille Feux e Contre Moi


Português (click for english version):

Apesar do Grupo LVMH possuir várias marcas de perfumes até recentemente não existia mais em produção nenhum perfume da marca Louis Vuitton. As últimas criações da marca predatam a sua transformação em um mega conglomerado de luxo e são Eau de Voyage e Reminiscences, ambos de 1946. Mas em 2012 o grupo por trás da marca começou um plano de posicionamento da Louis Vuitton no universo da perfumaria, mirando incluí-la na perfumaria exclusiva e luxuosa na qual marcas como Chanel e Dior tem lançado suas fragrâncias mais seletivas. Para isso, não apenas contratou como perfumista in-house Jacques Cavallier como investiu no estabelecimento de um atelier criativo para a marca em Grasse.

O resultado desse processo é uma coleção de 7 criações lançadas em 2016 que mudam o foco da preciosidade dos materiais utilizados para a exploração das emoções que uma fragrância evoca.
A impressão que dá conhecendo os perfumes da casa é que a grife certamente pensou em luxo e exclusividade, porém com um foco não necessariamente no consumidor apaixonado por perfumes e sim no que já consome os produtos do universo da marca. A coleção certamente pende mais para o público feminino também, com fragrâncias que se desenvolvem de uma forma delicada e sensual.

Começo minha jornada explorando Mille Feux, que é descrito como uma explosão de emoções, uma fusão incandescente de framboesa e couro inspirada por uma visita de Jacques Cavallier a um dos ateliers de couro da marca. Por essa descrição espera-se uma fragrância que abra intensa, mas há um certo minimalismo comercial em seu aroma logo de cara. Mille Feux abre com um frescor cítrico de bergamota e um leve tom powdery que poderia ser tanto interpretado como violeta ou iris. Logo em seguida aparece um aroma aquático que conduz a um coração floral que é uma mistura de tons de rosa com jasmim. Aos poucos você vai percebendo o aroma da framboesa e o conjunto da obra me faz pensar em um J'Adore com toques aquáticos e outro tipo de fruta. Finalmente quando chega na base Mille Feux demonstra seu aroma de couro prometido na descrição e é um couro com nuances de tabaco e que combinado com a framboesa remete a uma versão mais delicada do mesmo acorde presente em Tuscan Leather. É um perfume educado, equilibrado mas onde falta justamente a emoção que é ressaltada em sua descrição.

Contre Moi também promete fortes emoções da mesma forma que Mille Feux, sendo descrito como a fusão de dois viajantes, um derramamento sensual que permite que as emoções se arremetam a superfície. O perfume é descrito como uma baunilha sem precedentes, união das baunilhas de Madagascar e Tahiti combinadas ao aroma de flor de laranjeira, rosa e magnolia. Novamente esse derramamento de emoções prometido fica mais na descrição do que na execução e por mais que seja ressaltado a nobreza dos materiais (uma característica tipica das coleções de luxo), Contre Moi também remete a uma versão luxuosa de uma criação comercial. Seu aroma é uma fusão de fato, os dois viajantes que temos aqui são The One da Dolce & Gabbana e Dior Addict. Ao mesmo tempo em que remete a combinação de baunilha delicada e toques florais do The One Mille Feux é mais cremoso e um pouco mais sensual, e a combinação de baunilha e flor de laranjeira remete a uma visão menos intensa e impactante da ideia trabalhada em Addict. Conforme evolui, o perfume termina em uma base que parece mesclar notas de musk com toques de ambar e um leve quê de couro camurça, algo que curiosamente a marca não ressalta na descrição. É uma criação mais sensual que Mille Feux e também se mostra equilibrada, mas novamente o aroma desenvolvido não corresponde as expectativas ou a emoções intensas.

English:

Even tough the LVMH Group owned several perfumes brands until recently there was no more perfume in the Louis Vuitton brand. The latest creations of the brand predate its transformation into a mega conglomerate of luxury and are Eau de Voyage and Reminiscences, both from 1946. But in 2012 the group behind the brand began a plan of positioning Louis Vuitton in the universe of perfumery, looking to include it in the exclusive and luxurious perfumery in which brands like Chanel and Dior have launched their most selective fragrances. To this end, they not only hired Jacques Cavallier as in-house perfumer as they invested in setting up a creative atelier for the brand at Grasse.

The result of this process is a collection of 7 creations released in 2016 that shift the focus from the preciousness of the materials used to explore the emotions that a fragrance evokes.
The impression given by knowing the perfumes of the house is that the brand certainly thought of luxury and exclusivity, but with a focus not necessarily on the consumer passionate about perfumes but on the one that already consumes the products of the universe of the brand. The collection certainly hangs more for the female audience as well, with fragrances that develop in a delicate and sensual way.

I begin my journey exploring Mille Feux, which is described as an explosion of emotions, an incandescent fusion of raspberry and leather inspired by a visit of Jacques Cavallier to one of the brand's leather workshops. By this description it is expected a fragrance that opens intensely, but there is a certain commercial minimalism in its aroma at the begining. Mille Feux opens with a citrus freshness of bergamot and a light powdery tone that could be either interpreted as violet or iris. Soon thereafter appears an aquatic aroma that leads to a floral heart that is a blend of shades of rose with jasmine. Gradually you notice the aroma of raspberry and the whole thing makes me think of a J'Adore with watery touches and another type of fruit. Finally when it arrives at the base Mille Feux demonstrates its leather aroma promised in the description and it is a leather with nuances of tobacco that combined with the raspberry refers to a more delicate version of the same accord present in Tuscan Leather. It is an educated scent, balanced but lacking precisely the emotion that is emphasized in its description.

Contre Moi also promises strong emotions in the same way as Mille Feux, being described as the fusion of two travelers, a sensual outpouring that allows emotions rush  to the surface. The perfume is described as an unprecedented vanilla, union of the vanilla of Madagascar and Tahiti combined with the scent of orange blossom, rose and magnolia. Again, this promised outpouring of emotions is more in description than in execution, and no matter how much the nobility of materials is emphasized (a typical feature of luxury collections), Contre Moi also refers to a luxurious version of a commercial creation. Its aroma is a fusion in fact; the two travelers we have here are The One from Dolce & Gabbana and Dior Addict. At the same time as it refers to the combination of delicate vanilla and floral touches of The One Mille Feux is more creamy and a little more sensual, and the combination of vanilla and orange blossom makes you think of  a less intense and impactful view of the idea worked in Addict . As it evolves, the perfume finishes on a base that seems to blend musk notes with touches of amber and a light hint of suede leather, something that curiously the brand does not emphasize in the description. It is a more sensual creation than Mille Feux and is also balanced, but again the aroma developed does not meet expectations or intense emotions.