Pesquisar este blog

23 de mar de 2017

Louis Vuitton Matiére Noire, Turbulences e Dans la Peau - Fragrance Reviews



Português (click for english version):

Uma coisa que talvez decepcione quando se pensa na coleção exclusiva da Louis Vuitton é o tempo que marca demorou para lança-la no mercado. Foram 4 anos no desenvolvimento de todo o conceito, o que certamente gera expectativas que em alguns momentos decepcionam. E o fato é que por mais que os perfumes em muitos dos momentos sejam bons é provável que a coleção tivesse tido um impacto maior se lançada bem antes. Parece que nessa altura do campeonato ela é uma amálgama de tudo que tem sido feito: o direcionamento para o público feminino como a Bvlgari, um minimalismo e delicadeza nos aromas similar ao da Hermés, frascos simples como o da Chanel, conceitos que remetem as vezes a Tom Ford e uma embalagem que na forma e cores faz pensar em Dior. É uma conjunção de conceitos que se salva e funciona de forma geral pq os perfumes contam uma história coerente entre si e não parecem tiros em todas as direções.

A única exceção a essa coerência olfativa é Matiére Noire, um perfume que tinha um grande potencial pelo conceito que propõe uma jornada pela escuridão e mistério das madeiras de patchouli e agarwood. Mas é uma viagem que quando não é familiar é confusa em sua execução. É difícil de acreditar que ninguém da marca tenha pensado que era uma péssima ideia misturar um acorde aquático com rosa e as notas amadeiradas anteriormente. A saída é uma bagunça,  um cheiro que mistura a potência dos perfumes orientais árabes com um aroma estridente, metálico e que lembra uma mistura de ovo com água de lavadeira. A rosa também não ajuda em um primeiro momento, soando muito verde, ácida e com aroma antiséptico. Conforme evolui, Matiére Noire acalma para algo mais agradável, uma mistura de rosas aveludadas, agarwood doce e patchouli canforado que é bem similar ao que encontramos na criação Noir de Noir de Tom Ford. É um perfume que não apresenta ligação com a textura de couro das outras criações e que não tem a mesma dinâmica mais delicada. A impressão que dá é que Matiére Noire foi unicamente criado para agradar ao público da perfumaria árabe só que sem muito cuidado com a sua finalização.

Turbulences por sua vez é um dos pontos altos da coleção mesmo que seja mais um dos perfumes recentes a explorar a tuberosa de uma forma mais delicada. É interessante ver o revival de uma flor que ficou marcada pela sua interpretação de ombreiras e cabelo armado na década de 80 voltar na perfumaria recente delicada, como uma dama de terninho bem cortado ou calça social e camisa elegante. A descrição nos promete uma tuberosa extrema e o perfume nos entrega uma tuberosa que parece recém colhida da mesma forma que a rosa é trabalhada em Rose des Vents. É um aroma que soa cítrico, verde, levemente exótico e delicado em sua coloração de pétalas brancas de tuberosa, jasmim e flor de laranjeira. A base se desenvolve em um couro levemente medicinal e powdery, a assinatura olfativa da casa.

Dans La Peau encerra a coleção como um dos melhores representantes do estilo delicado, sensual e persistente que a marca tenta criar como sua identidade e que funciona muito bem em alguns momentos e em outros não. Tirando a bobagem de propaganda que diz que seu aroma vem de uma infusão natural de couro (uma fantasia, já que o acorde de couro é recriado a partir de outros aromas), Dans La Peau representa o tema da viagem, que está intrinsecamente relacionado com a natureza das bolsas da marca, e casa muito bem com a ideia de uma perfume que marca a pele como uma tinta permamente - e bem suave também. Seu aroma gira ao redor de um couro similar ao de Turbulences, porém com o aspecto mais clássico menos evidente e uma aura mais próxima de camurça. Ela é combinada a um toque de pêssego bem sutil e um acorde floral luminoso que remete ao cheiro de mel das flores na primavera. O aroma é delicioso e bem equilibrado, evoluindo para uma delicada última fase que combina as nuances de couro com toques atalcados e de iris. É uma fragrância que pode tranquilamente servir de base para outras combinações da coleção - com exceção de Matiere Noire, o único que sequer deveria existir no contexto do que foi desenvolvido pela casa.

English:

One thing that might disappoint when one thinks of Louis Vuitton's exclusive collection is the time it took for the brand to launch it. It was 4 years in the development of the whole concept, which certainly generates expectations that in some moments disappoint. And the fact is that although the perfumes in many of the moments are good it is probable that the collection would have had a greater impact if launched well before. It seems that at this time of the market the collection it is an amalgam of everything that has been done: the targeting for the female public like Bvlgari, a minimalism and delicacy in aromas similar to Hermés, simple bottles like Chanel, concepts that refer sometimes to Tom Ford and a packaging that in shape and colors makes you think of Dior. It is a conjunction of concepts that is saved and works generally because perfumes tell a coherent story and do not look like shots in all directions.

The only exception to this olfactory coherence is Matiere Noire, a perfume that had great potential for the concept that proposes, a journey through the darkness and mystery of patchouli and agarwood. But it is a trip that when is not familiar it is confusing in its execution. It's hard to believe that anyone from the brand thought it was a good idea to mix an aquatic accord with rose and woody notes. The opening is a mess, a scent that blends the power of arab Oriental perfumes with a shrill, metallic scent reminiscent of an egg mixture with laundress water. The rose also does not help at first, sounding very green, acidic and with antiseptic aroma. As it evolves, Matiere Noire calms down to something nicer, a blend of velvety roses, sweet agarwood and camphor patchouli that is very similar to what we find in Tom Ford's Noir de Noir creation. It is a perfume that has no connection with the leather texture of other creations and does not have the same delicate dynamics. The impression it gives is that Matiere Noire was solely created to please the public of Arab perfumery only without much care with its finalization.

Turbulences in turn is one of the highlights of the collection even though it is another one of those recent perfumes to explore tuberose in a more delicate way. It is interesting to see the revival of a flower that was marked by its interpretation of shoulder pads and armed hair back in the 80's in the delicate recent perfumery, such as a lady in well-cut suits or in social pants and elegant shirt. The description promises us an extreme tuberose and the perfume delivers us one that looks freshly harvested just as the rose is worked in Rose des Vents. It is an aroma that sounds citric, green, slightly exotic and delicate in its coloration of white petals of tuberose, jasmine and orange blossom. The base develops into a lightly medicinal and powdery leather, the signature olfactory of the house.

Dans La Peau closes the collection as one of the best representatives of the delicate, sensual and persistent style that the brand tries to create as its identity and that works very well in some moments and in others not. Apart from the advertising nonsense that says its aroma comes from a natural infusion of leather (a fantasy, since the leather accord is recreated from other aromas), Dans La Peau represents the theme of the journey, which is intrinsically related to the nature of the brand's bags, and fits very well with the idea of ​​a perfume that marks the skin as a permanent ink - and one very smooth too. Its aroma revolves around a leather similar to Turbulences, but with the most classic aspect less evident and a closer aura to suede. It is combined with a touch of subtle peach and a luminous floral accord that refers to the smell of honey from the flowers in the spring. The scent is delicious and well-balanced, evolving into a delicate late-stage that combines the nuances of leather with powdwey and iris touches. It is a fragrance that can quietly serve as a basis for other combinations of the collection - with the exception of Matiere Noire, the only one that should not even exist in the context of what was developed by the house.