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21 de mar de 2017

Louis Vuitton Apogée e Rose des Vents - Fragrance Review


Português (click for english version):

Uma coisa que me ocorreu enquanto examino aos poucos a coleção de 7 fragrâncias da Louis Vuitton é que apesar dos perfumes em si não serem novos o que é criado de certa forma é sem precedentes no mundo da perfumaria comercial e exclusiva no momento. A Louis Vuitton é um grande nome no mundo da moda que está definindo novamente sua atuação no segmento de perfumaria só que sem apostar em uma distribuição mais massificada, sendo dessa forma uma das primeiras. E de forma similar a casa Bvlgari, a coleção exclusiva desenvolvida se inclina mais para o público feminino e parece ter o objetivo de criar uma espécie de identidade olfativa para a casa nas criações, algo que envolve diferentes intensidades e nuances de couro em combinação com explorações florais que aparecem em perfumes comerciais mas que aqui são executadas com maior atenção aos detalhes.

Apogée confirma o que já parecia claro em Mille Feux e em Contre Moi, que é o exagero da temática das emoções em contraste com o caráter mais contido, polido e discreto da composição. A descrição nos promete um lírio do vale que ascenda às alturas do êxtase, criando um elixir poético de inocência. Isso só é verdade de fato se a sua ideia de êxtase envolver florais brancos frescos com toques verdes e um pouco ácidos/azedos.Apogée pode ser vendido como um conceito de lírio do vale, mas na pele ele me faz pensar mais em uma combinação de flores brancas frescas com apenas uma pitada de algo tropical e carnal. O que predomina aqui é o aroma mais limpo e floral das frésias combinado com um ylang não carnal e mais verde e um jasmim branco menos intenso e mais controlado. De alguma forma há de fundo nuances florais que me remetem ao aroma oleoso e tropical do frangipani. Apogée também retoma a temática de couro das outras composições, porém de uma forma muitíssimo sutil, usando algo levemente defumado do gaiac wood em combinação com iononas e musk para sugerir uma base segunda pele com um traço de couro tratado. É uma criação segura, controlada, pensada em cada uma das partes, o tipo de perfume que eu veria uma primeira-dama ou mulher de negócios utilizando em uma ocasião que exige uma certa aparência de perfeição sóbria.

Rose Des Vents é nesse momento uma das composições que mais me surpreendeu na coleção mesmo tendo um perfil delicado, polido e discreto. Com a rainha das flores é difícil inovar, mas Rose des Vents agrada justamente pela elegância da combinação da rosa com a identidade de couro da marca, que é bem mais evidente aqui. Dessa vez, a descrição do site casa bem com o perfume e de fato temos um aroma que procura capturar a delicadeza das pétalas de rosas como seu aroma fosse carregado pelo vento. É uma emoção mais tenra, um sussurro persistente que se encaixa na estética desenvolvida. O aroma das rosas é levemente verde, frutado, e orvalhado, como se elas tivessem acabado de serem colhidas. Conforme o perfume respira na pele, percebe-se as nuances de pêssego e iris prometidas na descrição e um belo acorde de couro com um quê clássico de couro defumado e um tratamento moderno, delicado e polido. É um caso onde não optar por inovar e entregar uma execução impecável funciona perfeitamente, agradando e conquistando o usuário.

English:

One thing that occurred to me as I slowly examine the collection of 7 fragrances of Louis Vuitton is that although the perfumes themselves are not new what is created in a way is unprecedented in the world of exclusive and commercial perfumery at the moment. Louis Vuitton is a big name in the fashion world that is defining again its role in the perfumery segment  without betting on a more mass distribution, being thus one of the first to do that. And similarly to Bvlgari's house, the exclusive collection developed tends more towards the female audience and seems to aim to create a sort of olfactory identity for the house in the creations, something involving different intensities and nuances of leather in combination with the exploration of floral shapes that appear in commercial perfumes but which are executed here with greater attention to detail.

Apogée confirms what already seemed clear in Mille Feux and in Contre Moi, which is the exaggeration of the theme of the emotions in contrast to the more restrained, polite and discreet character of the composition. The description promises us a lily of the valley that ascends to the heights of ecstasy, creating a poetic elixir of innocence. This is only true indeed if your idea of ​​ecstasy involves fresh white florals with green touches and a little sour side. Apogée can be sold as a concept of lily of the valley, but on the skin it makes me think more of a combination of Fresh white flowers with just a hint of something tropical and carnal. What predominates here is the cleaner and more floral fragrance of the freesia combined with a non-carnal and greener ylang and a less intense and more controlled white jasmine. Somehow there are discreet floral nuances that bring me to the oily and tropical aroma of the frangipani. Apogée also takes up the leather theme of the other compositions, but in a very subtle way, using something lightly smoked from gaiac wood in combination with ionones and musk to suggest a second skin base with a trace of treated leather. It is a safe, controlled creation, thought of in each of its parts, the kind of perfume that I would see a first lady or businesswoman using on an occasion that requires a certain appearance of sober perfection.

Rose Des Vents is at that moment one of the compositions that surprised me the most in the collection even having a delicate, polished and discreet profile. With the queen of flowers it is difficult to innovate, but Rose des Vents pleases just for the elegance of the combination of the rose with the brand's leather identity, which is much more evident here. This time the description of the site lives up to the perfume and in fact we have an aroma that seeks to capture the delicacy of the rose petals as its aroma was carried by the wind. It is a more tender emotion, a persistent whisper that fits into the developed aesthetic. The aroma of the roses is slightly green, fruity, and dewy, as if they had just been picked. As the perfume breathes on the skin, one can notice the peach and iris nuances promised in the description and a beautiful leather accord with a classic aura of smoked leather and a modern, delicate and polished treatment. It is a case where not opting to innovate and delivering an impeccable execution works perfectly, pleasing and conquering the user.