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13 de mar de 2017

Byredo Le Gant e Cuir Obscur - Fragrance Reviews



Todo apaixonado por perfumes tem uma ou algumas marcas com as quais não simpatiza. Uma das minhas é a Byredo, tanto pela estética de seus frascos que remetiam a contratipos de quando eu era criança como pelo fato de as histórias pessoais relacionadas a cada perfume parecem artificiais e os perfumes soarem como derivações de criações mais conhecidas do mercado. Quase 6 anos depois e em um mercado onde o nicho tem se tornado cada vez mais onipresente e cada vez mais repetindo os mesmos vícios da perfumaria comercial é difícil culpar a marca por uma estratégia que tem sido repetida de uma forma até mesmo mais feroz por seus competidores.

O que não significa, porém, que a marca tenha se redimido nesse meio tempo; pelo contrário, a Byredo continua atenta ao que é tendência no mercado para lançar seus perfumes e não tem perdido tempo em atordoar o consumidor com dezenas de lançamentos em diferentes linhas e faixas de preço. Por um acaso, acabei recebendo 2 amostras de 2 lançamentos de 2016 da marca e resolvi conhecê-los juntos para ter uma ideia de se suas fragrâncias pelo menos compensavam o marketing e posicionamento da marca.

Le Gant foi lançado dentro da coleção The Night Veils, que de acordo com a marca são criações cuja uma única gota é o suficiente para espalhar sensualidade e o poder de cada criação. Os perfumes de tal coleção são vendidos em 30ml, concentração extrato e em uma faixa de preço de 550 dólares, o que certamente já aumenta as expectativas e exigências quanto ao conteúdo dentro do frasco. O nome do perfume significa em francês A Luva, o que resume bem sua aura de couro mais clássico, um pouco medicinal e emborrachado. Não significa porém que estamos diante de um couro retrô e intenso. Pelo contrário, Le Gant o mistura com o que me faz lembrar uma variação na temática trabalhada no perfume Allure Edition Blanche da Chanel. Temos uma saída cítrica suculenta que parece girar em torno de um aroma de limão, só que sem nuances gourmands, com um toque extra frutal do aroma do açaí. O aroma de açafrão é perceptível de uma forma secundária, se misturando a impressão clássica do couro. Conforme evolui, um acorde amadeirado e ambarado vai tomando conta da composição, criando uma base de contornos entre o seco e o cremoso, contrastando um acorde de sândalo e um âmbar mais seco com nuances adocicadas e macias. É um perfume bem composto, uma variação interessante na temática do Allure Ed Blanche, porém que não transmite o luxo esperado tanto pela concentração como pela faixa de preço.

Curiosamente Cuir Obscur, um lançamento da linha regular, soa mais sofisticado que Le Gant e tão potente quanto o mesmo (só que custando aprox 175 dólares 100ml contra 550 dólares 30ml de "extrato" do Le Gant).  O conceito por trás de Cuir Obscur resume-se a a interação entre opostos exóticos e românticos, algo que se encaixa bem na fragrância em si. O aroma de couro trabalhado aqui é mais moderno e me remete a um mix interessante, uma mistura do aroma de couro e tabaco que apareceu pela primeira vez no Tom Ford Tuscan Leather com um aroma de açafrão e rosas que é tipicamente encontrado em perfumes de oud, só que com o oud ausente da composição. O que me chama a atenção em Cuir Obscur é o toque romântico, um aroma frutal silvestre que no começo soa azedinho e conforme evolui na pele se mostra mais suculento e maduro, como se misturasse as nuances de tabaco da composição e criasse uma aura de cachimbo aromatizado. Cuir Obscur parece terminar em uma base onde o couro se mistura a um aroma amadeirado mais áspero e ambarado, que tem a intenção de reforçar o lado mais dark da composição. Certamente seu acorde central não é algo que exatamente novo, mas o cuidado com os detalhes torna o conjunto da obra interessante. É um dos perfumes da casa que me soa bem honesto em todos os seus aspectos - sem histórias pretensas, sem evoluções similares demais a outros perfumes e sem um preço que não condiz com o que é entregue.

English:

Everybody in love with perfumes has one or a few brands that they do not like. One of mine is Byredo, both for the aesthetics of its bottles that reminds me of dupes of when I was a child and the fact that the personal stories related to each perfume seem artificial and the perfumes sound like derivations of commercial obscure creations. Almost 6 years later and in a market where the niche has become increasingly ubiquitous and increasingly repeating the same vices of commercial perfumery it is hard to blame the brand for a strategy that has been repeated in a even fiercer way by its competitors.

This does not mean, however, that the brand has been redeemed in the meantime; On the contrary, Byredo remains attentive to what is the trend in the market to launch its perfumes and has not lost time in stun the consumer with dozens of launches in different lines and price ranges. By chance, I ended up getting 2 samples of 2 2016 releases from the brand and decided to try them together to get an idea of ​​whether their fragrances at least offset the brand's marketing and positioning.

Le Gant was released within the collection The Night Veils, which according to the brand are creations whose single drop is enough to spread sensuality and the power of each creation. The perfumes of such a collection are sold in 30ml, extract concentration and in a price range of 550 dollars, which certainly already increases expectations and requirements as to the content inside the bottle. The name of the perfume means in French The Glove, which well sums up its aura of a leather more classic, a little medicinal and rubbery. It does not mean, however, that we are facing a retro and intense leather. On the contrary, Le Gant mixes it with what reminds me of a variation on the theme worked on Chanel's Allure Edition Blanche. We have a juicy citrus opening that seems to revolve around a lemon scent, but without gourmands nuances, with an extra fruity aroma of the açaí berry aroma. The aroma of saffron is noticeable in a secondary way, blending the classic impression of the leather. As it evolves, a woody and amber accord takes over the composition, creating a base between the dry and the creamy, contrasting an accord of sandalwood and a drier amber with sweet, creamy nuances. It is a well composed perfume, an interesting variation on the theme of the Allure Ed Blanche, but does not convey the expected luxury both by concentration and price range.

Interestingly Cuir Obscur, a regular line release, sounds more sophisticated than Le Gant and as potent as the same (only costing about 175 dollars 100ml against 550 dollars 30ml of "extract" from Le Gant). The concept behind Cuir Obscur boils down to the interaction between exotic and romantic opposites, something that fits well with the fragrance itself. The leather scent worked here is more modern and brings me to an interesting mix, a blend of the aroma of leather and tobacco that first appeared in the Tom Ford Tuscan Leather with a scent of saffron and roses that is typically found in oud perfumes , only with the composition absent in oud. What strikes me in Cuir Obscur is the romantic touch, a wild fruity aroma that at first sounds sour and as it evolves on the skin it appears more juicy and mature, mixing with the tobacco nuances of the composition and creating an aura of flavoured pipe tobacco. Cuir Obscur seems to end up on a base where the leather mixes with a woody aroma more rough and amber, which is intended to reinforce the darker side of the composition. Certainly his central accord is not something  exactly new, but the care with the details makes the the overall idea interesting. It is one of the perfumes of the house that sounds very honest in all its aspects - without alleged histories, without evolutions too similar to other perfumes and without a price that does not fit with what is delivered.