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27 de mar de 2017

Bruno Fazzolari Five - Fragrance Review



Algo que não fica sempre evidente mas que pode ser observado na história da perfumaria ao longo das décadas é como determinadas ideias acabam inspirando e dando a luz a novas interpretações conforme novas moléculas olfativas vão sendo lançadas. O caso mais famoso que se tem na história da perfumaria com relação a isso é a criação do perfume Fidji de Guy Laroche, que dá uma nova vida a dinâmica floral especiado lançado 18 anos antes dele, L'Air du Temps. Ocorre me que ao criar Five Bruno Fazzolari acaba indo por um caminho semelhante ainda que não de forma tão explícita,  inspirando-se nos cítricos clássicos para se propor a criar uma variação inovadora da temática.

Quando se cria um perfume cítrico alguns aspectos sempre são esperados, em especial uma saída que seja vibrante, refrescante, leve e que se possível seja retida o máximo tempo na pele, uma tarefa difícil considerando o aspecto efêmero dos elementos que costumam ser utilizados. Five tenta equilibrar isso utilizando principalmente em sua base moléculas ambaradas e amadeiradas que são quase onipresentes na perfumaria moderna, principalmente pela sua excelente fixação e projeção mesmo em quantidades pequenas.

Considerando o aspecto sinestésico da obra de Bruno, Five é contextualizado em cores primárias brilhantes e vivas. Eu diria que a aura certamente é brilhante e viva, porém me remete a uma cor secundária, de limão, que aliás é a principal essência que se destaca logo na saída. É um movimento arriscado, que poderia dar um aspecto sanitário a Five mas que acaba valendo a pena. O limão é bem fresco, e ao mesmo tempo ardido e amargo e seu aspecto mais amargo se combina com o aroma do petigrain. Interessante que Five ao mesmo tempo que é um cítrico clássico também adentra em territórios fougeres com suas nuances de neroli, rosmarinho e bergamota, que criam uma aura de ervas frescas, cítricos florais radiantes e nuances amargas cítricas. Tudo isso é sustentado por um uso inteligente do aroma de madeiras secas e tabaco de algumas moléculas ambaradas, de forma que elas acabam puxando o lado escuro da aura cítrica em contraste com o aroma vibrante. Em um momento onde os clássicos tem sido reformulados e muitas vezes se tornam anêmicos, Five certamente é interessante em sua nostalgia calibrada com o pé firme no cenário olfativo atual.

English:

Something that is not always evident but that can be observed in the history of perfumery over the decades is how certain ideas end up inspiring and giving birth to new interpretations as new olfactory molecules are being released. The most famous case in the history of perfumery in this respect is the creation of Guy Laroche's Fidji perfume, which gives a new life to the floral spice dynamics launched 18 years before it, L'Air du Temps. It happens to me that when creating Five Bruno Fazzolari ends up going a similar way although not of so explicit form by being inspired in the classic citruses to propose  an innovative variation of the thematic.

When creating a citrus scent some aspects are always expected, especially an opening that is vibrant, refreshing, light and that if possible maximize the time it is retained in the skin, a difficult task considering the ephemeral aspect of the elements that are usually used. Five tries to balance this by utilizing mainly in its base woody amber molecules which are almost ubiquitous in modern perfumery, mainly for its excellent fixation and projection even in small quantities.

Considering the synesthetic aspect of Bruno's work, Five is contextualized in bright and vivid primary colors. I would say that the aura is certainly bright and lively, but it reminds me of a secondary color of lemon, which is the main essence that stands out on the first moments. It's a risky move, which could make it look sanitary for Five but it turns out to be worth it. The lemon is very fresh, and at the same time sharp and bitter and its most bitter aspect combines with the aroma of the petigrain. Interesting that Five while being a classic citrus also enters fougeres territories with its nuances of neroli, rosemary and bergamot, that create an aura of fresh herbs, radiant floral and bitter citrus nuances. All this is underpinned by an intelligent use of the aroma of dried wood and tobacco from some amber molecules, so that they end up pulling the dark side of the citrus aura in contrast to the vibrant aroma. At a time when the classics have been reworked and often become anemic, Five certainly is interesting in its nostalgia calibrated with firm footing in the current olfactory setting.