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6 de mar de 2017

Art de Parfum Gin And Tonic, Sea Foam e Excentrique Moi - Fragrance Reviews



Português (click for english version): 

Conforme eu mencionei na primeira parte da minha avaliação da marca, a Art de Parfum é uma marca recém-chegada ao mercado, criada em 2016 por Ruta Degutyte. Seu principal motivo de existência é oferecer perfumes que seja livre de crueldade com a natureza ao mesmo tempo em que investe em uma perfumaria contemporânea com um toque de sofisticação francesa. A marca estreou no mercado com uma linha de 5 perfumes que apesar de se posicionarem entre público masculino e feminino funcionam de uma forma bem unissex.

Tirando Sensual Oud, não há criações óbvias nesse primeiro lote de composições, ainda mais quando se pensa nas lacunas que uma nova marca em geral preenche com sua coleção - sempre há pelo menos um floral, um amadeirado,um gourmand, um oriental e talvez um musk. A Art de Parfum não é nitidamente estruturada assim e é clara a preferência pessoal de uma direção artística que tenta procurar combinações com potencial de venda com a visão de sua criadora.

Dos 3 que faltam ser avaliados, Gin And Tonic seria o que mais se encaixaria dentro de uma lacuna cítrica de uma coleção, mas ainda sim seu aroma Cologne não remete ao estilo de luxo que tem sido praticado por marcas como Xerjoff ou Tom Ford. Gin And Tonic encaixa a bebida dentro de uma estrutura amadeirada transparente e refrescante, procurando fazer uma reprodução duradoura e hiperrealista do contraste entre a bergamota e o junípero. Isso dá ao perfume um aroma cítrico interessante, algo que é refrescante, seco, levemente picante e amargo ao mesmo tempo. O frescor de Gin And Tonic se transforma lentamente em uma base macia onde musks e o toque limpo, levemente salgado e ambarado do ambroxan se justapõem a um acorde amadeirado e leve de vetiver. De todas as criações da marca, é o mais delicado e mesmo sendo um extrato se beneficia de uma aplicação mais generosa, que estende sua fixação e sua parte mais refrescante na pele.

Sea Foam é certamente o tipo de perfume que não me agrada, um perfume de inspiração aquática. Há um certo aspecto artificial nesse tipo de composição que raramente se beneficia de um orçamento maior para a fórmula e esse é um dos poucos casos onde o equilíbrio da composição funciona e é interessante. Eu consigo sentir as notas aquáticas que dão um teor levemente ozônico e fresco a composição, mas elas são moderadas a ponto de não dar uma aura genérica a composição. O uso dos cítricos e da alga conseguem capturar uma textura aérea e delicada que é bem interessante, algo que ao mesmo tempo me remete a um merengue de limão sem a doçura do mesmo ou a uma brisa de mar em um dia de verão. Sea Foam também não cai no erro das composições aquáticas e não termina saturado em musks limpos. Em vez disso, há um complexo e delicado acorde amadeirado que mistura o aroma cremoso de sândalo com tons lactônicos de figo e um aroma amadeirado mais seco e um sutilmente defumado, algo que ocorre devido a mistura do patchouli, gaiac e vetiver. Assim como Gin And Tonic, Sea Foam exige maior generosidade em seu uso.

Por Fim, Excentrique Moi é a criação mais interessante da marca, um dos favoritos de Ruta e uma composição que de fato entrega algo exótico e diferente conforme promete. O aroma de chá é para mim a alma da composição e ele se apresenta de forma quente, herbal, misturado ao aroma mais adocicado das frutas vermelhas e do mel. O uso do cravo e pimenta acrescenta um aspecto spicy e seco a ideia e o hibiscus atua de forma secundária ressaltando o lado floral e frutal do aroma mais exótico e herbal de chá. Conforme evolui, o tom levemente defumado do chá se junta ao aspecto defumado e terroso do patchouli da base, que é complementado pelo aroma amadeirado e seco do cedro e pelo aroma herbal denso da artemísia. Há ainda um toque aromático que me remete ao aroma de gravetos e abeto, ainda que tais notas não estejam mencionadas na composição. Excentrique Moi parece modular nuances e uma aura similar ao Chypre Rouge de Serge Lutens, porém com um colorido mais intenso e persistente. Certamente agrada a um gosto bem específico e fecha a coleção no ponto mais ousado e arriscado da marca.

English:

As I mentioned in the first part of my evaluation, Art de Parfum is a brand newly introduced to the market, created in 2016 by Ruta Degutyte. Its main reason for existence is to offer perfumes that are free from cruelty to nature while investing in a contemporary perfumery with a touch of French sophistication. The brand debuted in the market with a line of 5 perfumes that despite being positioned between the male and female public work in a very unisex way.

Apart from Sensual Oud, there are no obvious creations in this first batch of compositions, especially when you think of the gaps that a new brand often fills with its collection - there is always at least one floral, a wood, a gourmand, an oriental and perhaps a musk. The Art of Parfum is not clearly structured like this is clear the personal preference of an artistic direction that tries to look for combinations with potential of sale with the vision of its creator.

Of the 3 that are lacking being evaluated, Gin And Tonic would fit most within a citrus gap of a collection, but still its Cologne aroma does not remind me the style of luxury that has been practiced by brands like Xerjoff or Tom Ford. Gin And Tonic fits the drink theme into a transparent and refreshing woody structure, seeking to make a lasting, hyper-realistic reproduction of the contrast between bergamot and juniper. This gives the perfume an interesting citrus scent, something that is refreshing, dry, slightly spicy and bitter at the same time. The coolness of Gin And Tonic slowly turns into a soft base where musks and the clean, slightly salty and amber touch of the ambroxan juxtapose themselves to a woody, lightweight vetiver accord. Of all the creations of the brand, it is the most delicate and altough being an extract it benefits from a more generous application, which extends its fixation and its most refreshing part in the skin.

Sea Foam is certainly the kind of perfume I do not like, a scent of aquatic inspiration. There is a certain artificial aspect to this type of composition that rarely benefits from a larger formula budget and this is one of the few cases where the composition balance works and is interesting. I get to feel the aquatic notes that give a slightly ozone and fresh content the composition, but they are moderate to the point of not giving a generic aura the composition. The use of citrus and seaweed can capture an aerial and delicate texture that is very interesting, something that at the same time brings me to a lemon meringue without the sweetness of it or a sea breeze on a summer day. Sea Foam also does not fall into the error of aquatic compositions and does not end up saturated in clean musks. Instead, there is a complex and delicate woody accord that mixes the creamy scent of sandalwood with lactonic fig tones and a drier woody aroma and a subtly smoky, something that to me is due to the mixture of patchouli, gaiac and vetiver. Like Gin And Tonic, Sea Foam demands greater generosity in its use.


Finally, Excentrique Moi is the most interesting creation of the brand, a favorite of Ruta and a composition that in fact delivers something exotic and different as promised. The aroma of tea is to me the soul of the composition and it presents itself in a warm, herbal way, mixed with the sweetest aroma of red fruits and honey. The use of clove and pepper adds a spicy and dry touch to the idea and the hibiscus acts in a secondary way highlighting the floral and fruity side of the more exotic and herbal tea aroma. As it evolves, the lightly smoked tea tone adds to the smoky and earthy aroma of the patchouli in the base, which is complemented by the woody and dry aroma of cedar and the dense herbal aroma of artemisia. There is still an aromatic touch that reminds me of the aroma of twigs and fir, although such notes are not mentioned in the composition. Excentrique Moi seems to modulate nuances and an aura similar to Chypre Rouge by Serge Lutens, but with a more intense and persistent color. It certainly pleases a very specific taste and closes the collection at the most daring and risky point of the brand.