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12 de fev de 2017

Tubereuse 1 Capricieuse, Tubereuse 2 Virginale, Le Labo Tubereuse 40 e MQueen EDP - Avaliações


Nos últimos anos a flor Tuberosa tem voltado a ser tendência tanto na perfumaria comercial como na perfumaria de nicho. O aroma complexo, inebriante e intenso da flor teve um papel de destaque na perfumaria marcante e expansiva da década de 80 e muitos perfumes a empregaram dentro de seus complexos bouquets. A partir dos anos 90 e em boa parte da década de 2000 a flor esteve esquecida em uma perfumaria que buscava exaltar mais tanto a limpeza e o intimismo nos perfumes aquáticos como o retorno a infância nos gourmands, Ajudou também que seu cheiro se tornou desgastado durante os anos 80 devido a sua presença constante. Agora, podemos apreciar novamente muitos perfumes que a colocam em protagonismo em diferentes contextos e eu escolhi 4 hoje para evidenciar isso.

Histoires de Parfums Tubéreuse 1 Capricieuse

A Trilogia de composições inspirada na narcótica flor foi uma aposta acertada da Histoires de Parfums em uma tendência que ainda estava se formando. É interessante observar o quanto a marca é precisa em sua descrição do aroma, o que é algo raro de se ver na divulgação de perfumes: Capricieuse 1 representa a tuberosa como diva, teimosa, temperamental e exigente. O perfume corresponde e é tão grande quanto uma representação de tal personalidade - estamos diante de uma tuberosa que não está nem aí em causar amor e ódio. Seu aroma me faz pensar nos anos 80: é uma composição onde o aroma floral é intoxicante, animálico, intenso e complexo, misturando o cheiro narcótico e doce da tuberosa com o ylang e usando uma base de couro sem medo de ser animálica, chypre e datada. A iris ajuda a aumentar o impacto da tuberosa e seu aroma é atalcado e doce, complementando a doçura floral da tuberosa. É um perfume para quem tem saudades de perfumes que causem impacto e marquem presença.

Histoires de Parfums Tubéreuse 2  Virginale

Quando imaginava o aroma dessa composição apenas pelo nome eu esperava que Tubéreuse 2 se comportaria de forma delicada, aérea e transparente. Porém, a referência que temos ao aspecto virginal não é relacionada ao perfume, e sim ao fato do aroma das tuberosas ser considerado tão narcótico e erótico que era proibido as virgens caminharem por seus campos durante a noite. Por isso, enquanto Capricieuse captura o lado mais estrondoso e impactante da Tuberosa, Virginale se preocupa em trazer seu aspecto tropical, complexo e intenso, mostrando sua aura inebriante mas sem focar nas nuances animálicas. Assim, temos um bouquê tropical com nuances lactônicas e que gira ao redor da tuberosa, utilizando nuances cerosas de jasmim e o aroma tropical e frutal do frangipani para complementá-la. A base é simples e mais linear, uma mistura de musks, baunilha e toques de patchouli que cria uma sensação levemente doce, salgada e úmida, como se representasse ao ambiente ao redor das belas flores que desabrocham e saturam o ar com seu cheiro.

Le Labo Tubereuse 40

A estratégia da Le Labo de nomear seus perfumes com o acorde que representa a maior porcentagem da fórmula gerou desde o começo expectativas que não são cumpridas quando se sente o perfume. A composição feita para ser exclusiva na loja de Nova York não passa claramente o aroma da Tuberosa e é um exemplo de como nem tudo que leva seu nome realmente remete a flor. Entretanto, a marca construiu um excelente bouquet floral branco cítrico, uma reprodução harmônica da flor de laranjeira e que não esbarra em nenhum momento em um aspecto funcional. Tubereuse 40 remete a flores de laranjeira desabrochando e espalhando pelo ar seu aroma cítrico e com nuances verdes e de mel. O cheiro é construído para segurar ao máximo essa impressão, evoluindo para uma base de musks limpos e macios. Deixando de lado as expectativas não atendidas é uma boa composição floral branca.

MQueen EDP

É interessante observar em MQueen EDP que nem sempre a concentração mais intensa e luxuosa é a melhor. A estratégia de lançamento e publicidade da marca criou uma expectativa em um produto que não correspondeu ao que prometia e cobrava, oferecendo uma tuberosa linear, sem muitas surpresas ou riquezas. A versão EDP de MQueen em sua concentração mais modesta e preço mais acessível consegue ser mais interessante e melhor trabalhada. Não estamos diante de um soliflore de tuberosas e sim de uma composição que mistura toques de gardênia e jasmim para reforçar o aroma da flor. O aroma mais frutal da gardênia é misturado ao toque mais sofisticado do jasmim grandiflorum e eles complementam o aroma verde e floral branco da tuberosa. As especiarias dão um leve toque spicy e conduzem para uma base amadeirada e ambarada que é exótica e confortável ao mesmo tempo. MQueen não é um perfume intenso nem tão pouco tímido, durando na pele de forma agradável e com projeção o suficiente para ser notado. Não é inovador, entretanto soa luxuoso dentro de sua proposta, algo que raramente entrega a dona da licensa dos perfumes de Alexander McQueen, a Procter & Gamble.