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2 de fev de 2017

Dusita Paris Melodie de L'Amour e La Douceur de Siam - Fragrance Review



Português (click for english version):

Conforme prossigo em minha experiência de uso e avaliação dos perfumes da marca pariense Dusita algumas coisas vão se confirmando e ficando claras. Pissara parece ter pensado sua coleção até esse momento tentando equilibrar coisas distintas, como inspirações e preferências pessoais com uma atenção maior a preferências olfativas contemporâneas e uma construção de uma coleção que passar por inspirações históricas diversas mas que tenta manter seus integrantes unidos pelas poesias de seu pai. Tudo funciona bem pois os perfumes são muito bem construídos e por mais que suas histórias não sejam novas eles sabem conta-las muito bem.

Melodie de L'Amour e La Douceur de Siam representam a parte floral da coleção e apesar da marca não apresentar uma divisão clara de gênero certamente são perfumes que tem grandes chances de agradar mais ao público feminino do que masculino - até nesse sentido Pissara parece ter pensado ou escolhido instintivamente dois perfumes que parecem femininos, dois masculinos e um unissex. São florais que representam retratos diferentes dos sentimentos que as flores evocam e conceitualmente usam esses retratos para representar eras diferentes.

Eu diria que Melodie de L'Amour é de todos os Dusita o mais fácil de encaixar o nome, poesia e o aroma. Tudo faz sentido de uma forma imediata e instintiva para mim. O poema escolhido aqui é interessante e compara o sentimento do amor a uma flor que desabrocha em um ambiente vazio - é uma metáfora para como o amor começa de certa forma inocente e tímido se transforma num sentimento intenso e sensual. As flores brancas são perfeitas para passar essa conotação e acho incrível que Pissara tenha conseguido conceitualizar uma forma que mostra justamente esse desabrochar delas na pele. Inspirada nos perfumes de tuberosa e em sua paixão por Fracas, Melodie de L'Amour escolhe focar em passar a intensidade da tuberosa por um buquê de flores brancas em vez de saturá-la de forma muito carnal. Temos um aspecto mais verde na saída, complementado com o que me parece um uso moderado de ervas aromáticas. Conforme o tempo passa os contornos florais vão se mostrando - é possível perceber nuances de jasmim e gardênia complementando o aroma floral branco e carnal da tuberosa. Por mais que Melodie  cresça e desabroche como o Amor, é interessante que ele não perde o brilho e o frescor, o que para mim representa um amor que perdura como flores que parecem nunca morrer.

La Douceur de Siam foi mais desafiador para mim, difícil de conectar todos os aspectos existentes na criação. O nome me fazia esperar talvez uma criação oriental com alguma resina bem marcada -benjoin talvez, ao passo que a poesia escolhida atrela ao que me parece um sentimento de contemplação provocado pelo crepúsculo - um que "varre o pesar no anonimato da vida". Creio que isso está relacionado, entretanto, com La Douceur de Siam ser o perfume que cronologicamente representa tempos remotos, de uma Tailândia que não existe mais. Assim, em vez de sensualidade as flores escolhidas parecem equilibrar um sentimento mais sóbrio e limpo com uma sensação de contemplação. A saudade por tempos que parecem perfeitos está presente pela saída, na escolha de um acorde equilibrado da flor Champaca - uma que simbolicamente expressa a perfeição e a verdade suprema. O Acorde de Champaca parece capturar suas nuances frutais com o seu aspecto levemente cerôso e é belo e delicioso. Infelizmente é efêmero, e faz a transição para um momento de fato um pouco mais anônimo, em um acorde de rosas mais verdes e orvalhadas e uma base de musk e leves toques de madeiras.

English:

As I continue in my experience of using and evaluating the perfumes of the Parisian brand Dusita some impressions are being confirmed and becoming clear. Pissara seems to have thought of her collection up to this point in trying to balance different things, such as inspirations and personal preferences with a greater attention to contemporary olfactory preferences and a construction of a collection that undergoes several historical inspirations but which tries to keep its members united by the poetry of its father. Everything works fine because the perfumes are very well built and even that the  stories they tell are not new they know how to tell them very well.

Melodie de L'Amour and La Douceur de Siam represent the floral part of the collection and although the brand does not present a clear gender division they are certainly perfumes that have great chances to please the female audience more than masculine - up to that point Pissara seems to have thought or chosen instinctively two perfumes that look feminine, two masculine and one unisex. They are floral representing different portraits of the feelings that flowers evoke and conceptually use these portraits to represent different eras.

I would say that Melodie de L'Amour is of all Dusita the easiest to fit the name, poetry and aroma. Everything makes sense in an immediate and instinctive way for me. The poem chosen here is interesting and compares the feeling of love to a flower that blossoms in an empty room - it is a metaphor for how love begins somehow innocent and timid and in its way becomes an intense and sensual feeling. The white flowers are perfect to convey this connotation and I think it's incredible that Pissara has managed to conceptualize a form that shows just that blossoming of them on the skin. Inspired by the perfumes of tuberose and her passion for Fracas, Melodie de L'Amour chooses to focus on creating the intensity of the tuberose through a bouquet of white flowers instead of saturating it in a very carnal way. We have a greener look at the opening, complemented by what seems to me a moderate use of herbs. As time goes by the floral outlines shows better - it is possible to perceive nuances of jasmine and gardenia complementing the white and carnal floral aroma of tuberose. As much as Melodie grows and blossoms like Love, it is interesting that it does not lose its luster and freshness, which to me represents a love that endures like flowers that never seem to die.

La Douceur de Siam was more challenging for me, difficult to connect all aspects of creation. The name made me wait for perhaps an oriental creation with some well-marked resin -benjoin perhaps, while the poetry chosen links to what seems to me a sense of contemplation brought on by dusk - one that "sweeps the grief into the anonymity of life." I believe this is related, however, with La Douceur de Siam being the perfume that chronologically represents remote times, of a Thailand that no longer exists. So instead of sensuality the chosen flowers seem to balance a more sober and clean feeling with a sense of contemplation. Nostalgia for times that seem perfect is present by the opening, in the choice of a balanced  Champaca flower accord - a flower that symbolically expresses the supreme perfection and truth. The Champaca accord seems to capture its fruity nuances with its slightly waxy aroma texture  and is beautiful and delicious. Unfortunately it is ephemeral, and makes the transition to a moment of fact a little more anonymous, in an accord of greener, dewy roses and a musk base with light touches of wood.