Pesquisar este blog

15 de fev de 2017

Maison Francis Kurkdjian Petit Matin e Grand Soir - Fragrance Reviews


Português (click for english version):

Francis Kurkdjian pode ser visto, creio eu, tanto como um perfeccionista que procura aprimorar suas ideias criação a criação ou como um perfumista que após estudar minuciosamente a perfumaria comercial só lança perfumes onde de forma geral há grandes chances de vender bem. Suas criações raramente me impressionam em novidades, mas também nunca me decepcionam na forma como evoluem na pele e transmitem suas ideias.

Nesse sentido, não há nada de novo em seus dois perfumes lançados em 2016, Petit Matin e Grand Soir. Ambos são extensões de dois de seus perfumes criados no começo da marca, Cologne Pour Le Matin e Cologne Pour Le Soir. A dupla de certa forma reflete a dualidade da perfumaria de Kurkdjian, que em linhas gerais ou tende para o floral almiscarado clean ou vai numa direção mais oriental com um quê floral as vezes.

Petit Matin é, conforme o esperado, a parte mais cintilante e matinal da dupla. A ideia de forma geral está relacionada com Cologne Pour Le Matin: uma saída cítrica, uma evolução floral cítrica e tranparente, uma base clean e com bastante musk. Para mim a diferença é que em Petit Matin o cítrico da abertura é um pouco mais adocicado e com um leve quê aldeídico enquanto apresenta uma nuance secundária powdery que remete um pouco a sabonete. Conforme evolui, a nota favorita do perfumista, a laranjeira, aparece no corpo acompanhado de um aroma floral limpo e fresco de lírio do vale. Há alguma surpresa no acorde de ambergris na base, que não depende apenas de musks e ambroxan e sugere um pouco mais o aspecto úmido e animálico da matéria-pria original.

Grand Soir é a parte mais oriental e noturna da linha e de certa forma ele me faz pensar em uma reflexão do perfumista em como trazer para o momento atual a dinâmica clássica da combinação de labdanum, baunilha e benjoim. É interessante como isso é feito sem trazer nada de novo e sem declarar elementos importantes na composição. É possível perceber claramente um toque cítrico e uma laranjeira mais carnal e sensual envolvendo a doçura ambarada da composição. O mais intrigante é que conforme ela evolui na pele é possível perceber materiais ambarados que de tanto serem usados em acordes de agarwood formam a impressão da nota mesmo que essa não esteja declarado. É uma sensação curiosa, pois é como se o perfume em questão começasse um floral ambarado abaunilhado ao estilo do Addict e terminasse em uma base ambarada que reprisa aspectos do M7. É uma prova talvez do motivo do sucesso do perfumista, fazer muito bem o que as pessoas conhecem e gostam.

English:

Francis Kurkdjian can be seen, I believe, both as a perfectionist who seeks to improve his ideas at each new creation or as a perfumer who after studying carefully the perfumery business only launches perfumes where in general there are great chances of selling well. His creations rarely impress me with novelties, but they also never disappoint me in the way they evolve on the skin and convey their ideas.

In that sense, there is nothing new about his two perfumes launched in 2016, Petit Matin and Grand Soir. Both are extensions of two of his perfumes created early in the brand, Cologne Pour Le Matin and Cologne Pour Le Soir. The duo somehow reflects the duality of Kurkdjian's perfumery, which broadly tends towards the clean musky floral or goes in a more oriental direction with a floral hint at times.

Petit Matin is, as expected, the most sparkling and morning part of the duo. The idea in general is related to Cologne Pour Le Matin: a citrus opening, a citrus floral evolution, a clean base and with a lot of musk. For me the difference is that in Petit Matin the citrus of the opening is a little sweeter and with a slight aldehyde while it has a secondary powdery nuance that reminds me of soap a little. As it evolves, the favorite note of the perfumer, the orange blossom, appears in the body accompanied by a fresh and clean floral scent of lily of the valley. There is some surprise in the ambergris accrd at the base, which does not depend only on musks and ambroxan and suggests a bit more of the humid and animilac aspect of the original material.

Grand Soir is the more oriental one and the most nocturnal part of the line and in a way it makes me think of a reflection of the perfumer on how to bring to the present moment the classic dynamics of the combination of labdanum, vanilla and benzoin. It is interesting how this is done without bringing anything new and without declaring important elements in the composition. It is possible to clearly perceive a citrus touch and a more carnal and sensual orange blossom surrounding the amber sweetness of the composition. The most intriguing is that as it evolves on the skin it is possible to perceive amber materials that are used in agarwood accords to form the impression of the note even if it is not listed. It is a curious sensation, because it is as if the perfume in question began an amber floral in Addict style and ended in an amber base that reprises aspects of the M7. It is perhaps proof of the reason for the success of the perfumer, which is doing very well what people know and love.