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5 de fev de 2017

Dusita Paris Le Sillage Blanc e Oudh Infini - Fragrance Reviews



Quando iniciei minha jornada pelos perfumes da Dusita eu tinha uma curiosidade se as criações em si seriam realmente boas. Há sempre essa dúvida quando uma marca tem uma promoção massiva online - seja nos blogs ou nos grupos de perfumes. Me lembro da excitação que vários blogs online pareciam compartilhar quando Ramon Monegal lançou sua linha e me lembro o quão decepcionante foi testa-los no passado e testá-los novamente recentemente. No final das contas, por trás de uma estratégia de posicionamento, de divulgação e de precificação é necessário ter perfumes realmente muito bons para que você consiga prender a atenção do público após despertar seu interesse inicial. E de fato meu interesse se manteve constante durante toda essa semana de avaliações (com exceção talvez de La Douceur de Siam, cuja a evolução me desapontou um pouco mas que tem uma belíssima abertura).

Le Sillage Blanc e Oudh Infini completam minha jornada de avaliações da marca e fecham o portfolio inicial de 5 criações. Conforme mencionei anteriormente, a linha me parece dividida entre 2 perfumes com aura masculina, 2 perfumes mais femininos e um perfeitamente unissex. Le Sillage Blanc junto com Issara parecem ser para mim os que tem maior potencial de agradar ao público masculino ao passo que Oudh Infini certamente tem chances de agradar a ambos os públicos. Ambos são escolhas interessantes de Pissara para compor sua linha pois fogem do óbvio em termos de temática (caso de Le Sillage Blanc) ou execução (caso de Oudh Infini).

Ainda que vejamos algumas marcas de nicho explorarem em suas linhas perfumes chypre, Le Sillage Blanc é um caso raro onde é possível ver sem muitos esforços a inspiração vintage que seu chypre couro possui. É bem interessante o como Le Sillage Blanc remete ao inesquecível Bandit de Robert Piguet em seu esplendor combinando uma nota bem verde e um pouco amarga da gálbano a uma nuance de couro emborrachada. É possível ver Sillage Blanc pelos olhos de outros 2 perfumes que sofreram inluências criativas de Bandit, Cabochard e Aramis, remetendo principalmente na saída ao aspecto herbal mais amargo do Aramis. O que o diferencia deles, no entretanto, é justamente o equilíbrio entre o aspecto chypre couro vintage e uma tentativa bem sucedida de torná-los menos pesados, certamente uma referência a luminosidade do poema que faz seu caminho entre a o ar frio e árido. É interessante notar também que há uma certa doçura cremosa e vanílica fazendo contrapeso ao aspecto chypre mais pesado, uma combinação que também posiciona Le Sillage Blanc no cenário contemporâneo. E apesar das referências principais serem perfumes femininos, no cenário atual esse é o tipo de composição que possui uma aura mais masculina.

Deixei Oudh Infini por fim na minha jornada de avaliações da marca justamente pelo ar mais polêmico que cercava sua existência. O Lançamento constante de perfumes de temática oud no mercado tem tornado as pessoas saturadas e pouco tolerantes a nota. Só complica se tal perfume tiver um preço e posicionamento de luxo - hoje muitos reviewers acreditam falsamente que a coisa mais fácil que tem é comprar as bases de agarwood disponíveis no mercado e fazer uma criação que emule o aroma animálico e complexo da resina gerada pela infecção das árvores do gênero Aquillaria. Isso não apenas não é verdade como o fato de se aproximar de OUDH Infini com tal visão preconceituosa certamente fecha os olhos para o fato de que Pissara conseguiu aqui manter a aura animálica da madeira ao mesmo tempo que faz uma criação multifacetada e com uma evolução ao estilo mais clássico e francês da perfumaria.

É interessante como OUDH Infini parece orquestrado ao redor do absoluto agarwood de boa excelência, daqueles com nuances que remetem a celeiro e a queijo. Por mais que essas palavras possam parecer assustadoras (e de fato elas são), há um cuidado interessante em equilibrar os elementos na composição ao mesmo tempo que se reforça a riqueza que o torna um perfume caro. Além do Agarwood, tenho a sensação de que em OUDH Infini há uma excelente qualidade de absoluto natural de civet e de castoreum, que complementam as nuances da nota dando-lhe uma aura animálica com um certo quê vintage também. É interessante que ele possua nuances florais cítricas que atuam de fundo equilibrando o peso que seria a composição caso ela fosse composta apenas de elementos animálicos e pesados. Conforme o tempo passa na pele, OUDH Infini estende a naturalidade da sua principal matéria prima com uma base amadeirada mais tranquila, onde é possível perceber a nargamota fazendo o papel do oudh na base em conjunção com vetiver e musks. A Baunilha acaba dando uma cremosidade ao tom animálico intenso da composição e arredonda muito bem o conjunto da obra. Após a saída mais pesada e desafiadora a criação parece se comportar como um perfume clássico, demonstrando diferentes aspectos de sua personalidade em dias diferentes. As vezes mais amadeirado, as vezes mais animálico e até mesmo com um perfume almiscarado e clean de civeta. É um perfume interessantíssimo e que certamente entrega o que cobra.

English:

When I started my journey through Dusita's perfumes I was curious if the creations themselves would be really good. There is always this doubt when a brand has a massive online promotion - whether it's on blogs or perfume groups. I remember the excitement that several online blogs seemed to share when Ramon Monegal launched his line and I remember how disappointing it was to test them in the past and test them again recently. In the end, behind a positioning, promotion and pricing strategy you need to have really good perfumes so that you can capture the attention of the public after you arouse their initial interest. And indeed my interest remained constant throughout this week of evaluations (with the possible exception of La Douceur de Siam, whose evolution has disappointed me somewhat but got me with a beautiful opening).

Le Sillage Blanc and Oudh Infini complete my  appreciation journey of them brand and close the initial portfolio of 5 creations. As I mentioned earlier, the line seems to me divided between 2 perfumes with masculine aura, 2 more feminine perfumes and a perfectly unisex one. Le Sillage Blanc along with Issara seem to me to have the greatest potential to please the male audience while Oudh Infini certainly has a chance to please both audiences. Both are interesting choices of Pissara to compose their line because they escape the obvious in terms of thematic (case of Le Sillage Blanc) or execution (case of Oudh Infini). 

Although we see some niche brands exploring chypre perfumes in their lines, Le Sillage Blanc is a rare case where you can see without much effort the vintage inspiration of its chypre leather. It is quite interesting how Le Sillage Blanc refers to the unforgettable Bandit of Robert Piguet in its splendor combining a very green and slightly bitter note of galbanum to a nuance of rubber leather. It is possible to see Sillage Blanc through the eyes of 2 other perfumes that have suffered creative influences from Bandit, Cabochard and Aramis, being linked mainly to bitter herbal aspect opening of Aramis. What sets it apart from them, however, is precisely the balance between the vintage leather chypre aura and a successful attempt to make them less heavy, certainly a reference to the luminosity of the poem that makes its way into the cold, arid air. It is also interesting to note that there is a certain creamy and vanilla sweetness counterbalancing the heavier aspect, a combination that also positions Le Sillage Blanc in the contemporary scenario. And altough 2 of the fragrances that Sillage Blanc references are feminine ones its aura seems certainly more masculine in the current fragrance scenario.

I left Oudh Infini at last in my journey of brand evalution precisely because of the most controversial air surrounding its existence. The constant launching of oud-themed perfumes in the marketplace has made people saturated and not very tolerant. It only complicates if such a perfume has a price and luxury positioning - today many reviewers falsely believe that the easiest thing to do is to buy the available agarwood bases in the market and make a creation that emulates the complex and complexion of the resin generated by the infection  of Aquillaria trees. This is not only not true as approaching OUDH Infini with such a prejudiced view certainly closes the eyes to the fact that Pissara has been able to maintain here the animalistic aura of the wood at the same time that it makes a multifaceted creation and with a evolution in the more classic and French style of perfumery.

It is interesting how OUDH Infini seems orchestrated around the absolute of agarwood of good excelence, one of those with nuances that refer to barnyard and cheese. As much as these words may sound scary (and indeed they are), there is an interesting care in balancing the elements in the composition while strengthening the richness that makes it an expensive perfume. In addition to the Agarwood, I have the feeling that in OUDH Infini there is an excellent quality of natural absolute of civet and castoreum, which complement the nuances of the note giving it an animalic aura with a certain vintage feeling as well. It is interesting that there is also citrus floral nuances that act in the background balancing the weight that would be the composition if it were composed only of animal and heavy elements. As time passes on the skin, OUDH Infini extends the naturalness of its main raw material with a quieter woody base, where it is possible to perceive the cypriol by playing the oudh at the base in conjunction with vetiver and musks. Vanilla finishes giving a creaminess to the intense animalic tone of the composition and rounds very well the whole work. After passing the heavier and more challenging opening  OUDH Infini behaves like a classic scent, demonstrating different aspects of its personality on different days. Sometimes more woody, sometimes more animalic and even with a musky and clean civet scent. It is a very interesting perfume that certainly delivers what it charges for.