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23 de jan de 2017

Ramon Monegal - Avaliação Perfumes Parte 2


Ao final de uma extensa jornada de uso contínuo dos perfumes do espanhol Ramon Monegar uma coisa fica clara: a casa e seu criador não criam um design coeso do ponto de vista dos aromas. Essa é uma daqueles grifes que vão do muito ruim ao excelente de um perfume para o outro e que fica difícil predizer a coerência e excelência estética do resto baseado em apenas um deles. E dado a variedade de fragrâncias e a quantidade de criações descartáveis a jornada se torna um pouco cansativa. Certamente um processo de edição na linha traria uma união mais luxuosa e clássica, conforme o que parece ser o objetivo. Mas da forma que está a imagem me parece diluída. Os 5 perfumes que fecham essa jornada são:

Impossible Iris: a forma como o acorde de iris foi construído aqui acaba pondo em maior evidência o elo entre ela e outra flor, as violetas. Impossíble iris fica no meio do caminho entre o lado mais vegetal e powdery da iris e aroma mais adocicado e saturado das violetas. É uma criação com uma aura claramente clássica e que acaba parecendo em alguns momentos com um perfume da Chanel, ainda mais quando a saída powdery começa a evolui e abre espaço para um acorde floral branco de ylang e jasmim com nuances ambaradas e amadeiradas de fundo. Ainda que não soe novo é um dos mais sofisticados e coerentes da linha.

Mon Patchouly: eu não consigo entender como o perfumista chegou a conclusão de que para dar um ar mais moderno em vários dos seus perfumes ele precisava acrescentar um toque de calone e torná-los assim desagradáveis com uma nuance de ovo que às vezes se destaca e ás vezes não. Mon Patchouly certamente não precisa dela, já se mostrando uma criação de patchouly que mira uma ideia mais moderna, floral e ambarada. De forma geral esse é outro Ramon Molvizar que me remete a um perfume da Chanel, só que dessa vez estamos diante de uma versão mais minimalista (e cara) do Allure Sensuelle EDP. Desnecessário.

Umbra: esse é outro dos pontos altos da linha e mais um que remete a um conjunto de notas existentes em outras criações. Em alguns momentos a dinâmica de vetiver amadeirado + tonka adocicada e fresca remete ao aroma de Vetiver Tonka. Em outros momentos o aroma amadeirado mais mineral em combinação com o gerânio remete a uma interpretação do Terre d'Hermes, mas a presença marcante da pimenta também leva o perfume na direção do Poivre Samarkande. É uma colagem interessante das 3 criações e um dos Ramon Monegal de melhor performance na pele.

Ambra di Luna: ambra di luna é certamente mais ousado que outros dos perfumes da linha ao trazer para o foco da composição um acorde animálico e com nuances de couro, cortesia do castoreum, combinando-o com o cheiro resinoso e doce de uma interpretação mais clássica de um acorde de âmbar. A criação poderia ser mais interessante com uma maior dinâmica de notas mais voláteis, pois do jeito que é composto o perfume parece mais linear e mais propício como um realçador de notas de base do que uma composição para ser usada sozinha.

Kiss My Name: chega a ser curioso que uma das melhores composições da casa seja uma com um dos nomes mais estranhos/estúpidos. Kiss My Name é um ode voluptuoso as flores brancas, um buquê que combina aspectos de gardênia, tuberosa e jasmim e toques de mel e frutas. O aroma passa por uma gama de sensações que passa pelo verde, frutal, melífluo e carnal. É uma criação um pouco mais linear, porém coesa na forma que evolui o acorde floral branco na pele. Não cheguei a testar mas poderia fazer um bom layer com o Ambra di Luna.