Pesquisar este blog

10 de jan de 2017

O'DRIÙ Ven_Det_ta Ven - Fragrance Review



Duas coisas para mim são certas quando se trata em usar e analisar um dos perfumes feitos por Angelo em sua marca O'DRIÙ. A primeira delas é que o conceito em si nunca será convencional ou sem que haja alguma dramaticidade ou controvérsia. A segunda é que por mais controverso que o conceito seja e por mais difícil que o perfume possa parecer a princípio, há uma base solida e usável por trás disso que amarra a experiência e a torna agradável e interessante. Angelo é um transgressor, porém um que para mim é (de alguma forma) um classicista também - uma combinação de opostos que em vez de colidirem cooperam.

Com o Trio Ven_Det_ta Angelo faz uma crítica aos lançamentos simultâneos que permeiam as prateleiras das perfumarias de nicho e de linhas exclusivas - coleções que em poucos casos são feitas para se conectarem e passarem uma história e que na maioria das vezes atiram em várias direções para tentar agradar a todos. Ao mesmo tempo, é também uma crítica a temática da perfumaria contemporânea que parece girar basicamente em torno do amor, romance e sedução. São raros os exemplos de criações que exploram emoções com uma conotação negativa (como Gucci Envy). Ao criar Ven_Det_ta como um trio de perfumes que se conectam e se complementam, Angelo explora nos aromas as emoções da jornada de um ato de vingança.

Ven é a primeiro ato dessa jornada e de certa forma é uma visão geral da vingança, uma introdução ao conceito que será trabalhado no trio olfativo. Percebo que duas forças regem basicamente Ven e representam dois lados da Vingança. O primeiro deles é o lado mais animálico, que a princípio aparece na saída pelo que de forma geral me parecem ervas que passam um lado um pouco urinoso talvez - algo que se percebe em fougeres ou aromáticos onde há o uso da sálvia esclareia. O cominho ajuda a realçar isso, porém sem dominar a composição ou dar um ar de suor a ela. Na base é possível perceber o castoreum reforçando a sensação animálica ao mesmo tempo que dá um aspecto de couro a ideia. Essa vertente de Ven retrata para mim lado mais primitivo e animal do ato da vingança.

Já a segunda faceta principal de Ven se mostra como o lado mais atraente e gratificante da Vingança, algo que imediatamente me faz pensar na expressão "Doce Vingança". Isso se percebe por um aroma de bebida envolto em toques florais adocicados e que conduzem a uma base cremosa e macia de baunilha, esta suportada na cremosidade amadeirada de sândalo. O uso de musks parece suavizar as arestas mais intensas e conturbadas dos dois lados da vingança e torna esse primeiro ato atraente e bem usável, buscando seguir algo mais equilibrado e que faça uma progressão na pele. Como a emoção em si, Ven é complexo, curiosamente alternando do altamente repulsivo ao altamente atraente, como se o perfume em si refletisse, creio eu, a indecisão de se concretizar o ato da vingança. 


Two things for me are certian when it comes to using and analyzing one of the perfumes made by Angelo in his O'DRIÙ brand. The first is that the concept itself will never be conventional or without some drama or controversy. The second is that however controversial the concept may be and how difficult it may seem at first, there is a solid and usable basis behind it that ties the experience to it and makes it pleasant and interesting. Angelo is a transgressor, but one that for me is (somehow) a classicist too - a combination of opposites that instead of colliding cooperate.

With the Ven_Det_ta trio Angelo criticizes the simultaneous releases that permeate the shelves of niche perfumes and exclusive lines - collections that in a few cases are made to connect and pass a story and that most of the time just shoot in different directions to try please everyone. At the same time, it is also critical the theme of contemporary perfumery that seems to revolve around love, romance and seduction. Examples of creations that exploit emotions with a negative connotation (such as Gucci Envy) are rare. By creating Ven_Det_ta as a trio of perfumes that connect and complement each other, Angelo explores in the aromas the emotions of the journey of a revenge act.

Ven is the first act of this journey and in a way it is an overview of revenge, an introduction to the concept that will be worked on in the olfactory trio. I realize that two forces basically govern Ven and represent two sides of Vengeance. The first of them is the more animalic side, which  appears at first at the opening in general way that seems to me like herbs that pass a slightly urinous side - something that is perceived in fougeres or aromatics where there is the use of clary sage. The cumin helps to emphasize this, but without dominating the composition or giving an air of sweat to it. In the base it is possible to perceive the castoreum reinforcing the animalistic sensation at the same time that it gives a leather aspect to the idea. This strand of Ven portrays to me more primitive and animal side of the act of revenge.

Already the second main facet of Ven is shown as the most attractive and rewarding side of Vengeance, something that immediately makes me think of the expression "Sweet Vengeance". This is perceived by a boozy aroma wrapped in sweet floral touches and leading to a creamy and soft base of vanilla, which is supported in the woody creaminess of sandalwood. The use of musks seems to soften the more intense and troubled edges on both sides of the revenge and makes this first act attractive and well usable, seeking to follow something more balanced and to make a progression in the skin. Like the emotion itself, Ven is complex, curiously alternating from the highly repulsive to the highly attractive, as if the perfume itself reflected, I believe, the indecision of the revenge act.