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2 de jan de 2017

Comme des Garcons Series 1 Leaves: Tea - Fragrance Review


Português (click for english version):

Em 1992 a joalheria italiana Bvlgari faria a sua estreia no mundo da perfumaria com uma criação que abriria portas para uma nova temática. Com criação de Jean Claude Ellena, Au The Vert mostrou que era comercialmente possível fazer um perfume de chá verde numa temática minimalista e agradável, tão agradável que de aroma para ambientes da loja Bvlgari se tornou rapidamente perfume a ser vendido dado a grande procura. Após 8 anos o lançamento de Au The Vert a CDG em sua primeira série temática, Leaves, nos mostra um lado mais conceitual e dark da temática de chá,  uma espécie de yang para o yin de Au The Vert.

Se há alguma expectativa com relação a uma refrescância verde em TEA essa é rapidamente subvertida ao sentir o perfume em seus momentos iniciais na pele. O perfumista aqui explora justamente as nuances defumadas e mais animálicas dos dois chás escolhidos como protagonistas: chá mate e chá preto. Enquanto o aroma do chá preto é mais defumado, o do chá mate em óleo essencial é interessante em suas nuances que vão do aroma de couro ao de patchouli e a um leve que mentolado e adocicado presenciado no fundo do aroma.

Apesar de não haver menção ao perfumista responsável por TEA, é bem provável que ou Marx Buxton ou Bertrand Douchafour tenham sido responsáveis, já que ambos nessa época criaram diversas composições para a marca sob uma estética similar, que pode ser observada aqui também. Buxton e Douchafour criaram um estilo linear e monolítico de composições que ia além do agradável e com a justaposição correta de materiais de impacto conseguia passar algo mais conceitual e ousado. Em Tea, musks macios e materiais minerais amadeirados são complementados com leves tons mentolados e uma dose do que parece ser um acorde de castoreum, que cria a sensação do aspecto defumado e de couro do chá. Ainda há uma leve sugestão a doçura e ao aroma terroso e de patchouli do chá mate na composição. Series 1 Leaves Tea mostra o que a CDG sempre soube fazer melhor em seus momentos mais clássicos: subverter um conceito sem deixar de lado a usabilidade do mesmo.

English:

In 1992  the Italian jewelry brand Bvlgari would make its debut in the world of perfumery with a creation that would open doors to a new theme. With a Jean Claude Ellena creation, Au The Vert showed that it was commercially possible to make a perfume of green tea in a minimalist and pleasant theme, so pleasant that what was an aroma for ambience of the Bvlgari store quickly became perfume to be sold due to the great demand. After 8 years of  Au The Vert  release CDG in its first themed series, Leaves, shows us a more conceptual and dark side of tea theme, a kind of yang for the Au Vert yin.

If there is any expectation regarding a green refreshment in TEA this is quickly subverted by experiencing the perfume in its initial moments in the skin. The perfumer here explores precisely the smokier and more animalic nuances  of the two teas chosen as protagonists: maté tea and black tea. While the aroma of black tea is more smoky, maté tea in essential oil is interesting in its nuances ranging from the scent of leather to that of patchouli and to a mild mentholic and sweetness hint witnessed at the background of the aroma.


Although there is no mention of the perfumer responsible for TEA, it is likely that either Marx Buxton or Bertrand Douchafour were responsible, since both at that time created several compositions for the brand under a similar aesthetic, which can be observed here as well. Buxton and Douchafour created a linear and monolithic style of compositions that went beyond the enjoyable and with the correct juxtaposition of materials of impact could pass something more conceptual and daring. In Tea, soft musks and woody mineral materials are supplemented with light minty tones and a dose of what appears to be a castoreum accord, which creates the feel of the smoked and leathery aura of tea. There is still a slight suggestion of sweetness and the earthy, patchouli scent of the maté tea in the composition. Series 1 Leaves Tea shows what CDG has always been able to do better in its most classic moments: subverting a concept without leaving aside the usability of it.