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21 de dez de 2016

Thierry Mugler Cologne e Hot Cologne - Fragrance Reviews



Português (click for english version):

A descoberta da existência de Hot Cologne no final desse ano foi uma surpresa diferente da que se esperaria de Thierry Mugler em geral. Acostumado com suas fragrâncias que mesmo nas linhas mais exclusivas evocam algo mais intenso e até mesmo misterioso, Hot Cologne parecia chamar mais a atenção pelo seu frasco muito simples, evocativo de um protótipo, sua distribuição limitada (50 peças mais os frascos dados de presente na comemoração da coleção primavera/verão 2017 da marca) e sua faixa de preço razoavelmente alta em comparação a outros perfumes da marca - 195 dólares 50ml. O nome ainda trás uma curiosidade: seria esse uma variação da criação de 2001 ou algo de fato novo?

Creio que para responder isso é bom voltar a um dos perfumes da marca que é acaba sendo eclipsado pela galáxia intensa de criações como Angel, Alien, Amen e Womanity. A princípio pode não parecer, mas Mugler Cologne é um perfume muito influente e um visionário. Criado a partir da inspiração de um sabonete marroquino que Thierry Mugler comprou e gostou, Cologne revitaliza uma família clássica e que de certa forma tinha se tornado datada no começo da década de 2000, as colônias clássicas. Mugler Cologne faz isso nas mãos de Alberto Morillas, que manipula com maestria musks e notas sintéticas para criar uma sensação refrescante, limpa e com um leve quê metálico que parece colocá-lo como um perfume advindo de uma galáxia do frescor. É possível perceber aqui o toque levemente soapy e delicado da inspiração, que conduz a um corpo floral abstrato, luminoso, com sugestões de néroli e flor de laranjeira mas nada que dê uma tonalidade super clássica a composição. No fundo, temos um leve toque balsâmico em combinação com o aspecto metálico e o aroma macio e limpo dos musks. Particularmente acredito que perfumes que exploram o lado mais exclusivo e seletivo dos cítricos e das colognes são fruto desse trabalho de transposição de uma ideia clássica para novos tempos.

E certamente Hot Cologne surfa nessa espécie de tendência das colônias exclusivas e caras, das quais Tom Ford tem sido mestre em capitalizar. É um item para colecionadores ou aficionados pelo universo de Thierry Mugler e que revisita a ideia de seu irmão mais comercial e menos seletivo, mantendo a mesma dinâmica só que com atores diferentes para evocar o aspecto abstrato, moderno e extraterrestre. Em vez de estarmos diante de uma cologne que gira em torno de neroli, vemos uma interpretação que acaba ressaltando as nuances de limão e que produz um corpo floral que remete a uma abstrata flor de tília. A base ainda é almiscarada, porém se mostra mais amadeirada e remete a uma interpretação moderna de vetiver. E o toque extraterrestre parece vir de um misterioso aroma torrado e picante que aparece logo na saída, uma espécie de uma fantasmagórica nuance de café e pimenta preta que desaparece logo depois de capturar sua atenção. É uma pena que nessa abordagem tão seletiva e exclusiva Hot Cologne acabe se tornando conhecido de um pequeno público, porém não é improvável que o vejamos renascer nos próximos meses dentro da linha comercial ou exclusiva da marca.

English:

The discovery of Hot Cologne at the end of this year was a different surprise for me than what I would be expect from Thierry Mugler in general. Accustomed with its fragrances that even in the most exclusive lines evoke something more intense and even mysterious, Hot Cologne seemed to draw more attention by its very simple bottle, evocative of a prototype, its limited distribution (50 pieces plus the bottles given as a gift in the celebration of the brand's 2017 spring / summer collection) and its reasonably high price range compared to other perfumes from the brand - $ 195 50ml. The name also raised a curiosity: would this be a variation of the 2001 creation or something really new?

I believe that to answer this it is good to go back to one of the brand's creations that ends up being eclipsed by the intense galaxy of creations like Angel, Alien, Amen and Womanity. At first it may not seem, but Mugler Cologne is a very influential perfume and a visionary one. Created from the inspiration of a Moroccan soap that Thierry Mugler bought and liked, Cologne revitalized a classic family that had somehow become dated back to the early 2000s, the classic colognes. Mugler Cologne does this at the hands of Alberto Morillas, who masterfully manipulates musks and synthetic notes to create a refreshing, clean sensation with a light metallic look that seems to put it like a perfume coming from a galaxy of freshness. It is possible to perceive here the slightly soapy and delicate touch of inspiration, which leads to an abstract, luminous floral heart, with hints of néroli and orange blossom but nothing that gives a super classic hue to the composition. In the background, we have a slight balsamic touch in combination with the metallic aura and the soft and clean aroma of the musks. I particularly believe that perfumes that explore the more exclusive and selective side of citrus and colognes are the fruit of this work of transposing a classical idea into new times.


And certainly Hot Cologne surfs in this kind of trend of the exclusive and expensive colonies, of which Tom Ford has been masterful in capitalizing. It is an item for collectors or fans of the universe of Thierry Mugler and one which revisits the idea of ​its more commercial and less selective brother, maintaining the same dynamic only with different actors to evoke the abstract, modern and extraterrestrial aspect. Instead of being in front of a cologne that revolves around neroli, we see an interpretation that ends up emphasizing the nuances of lemon and produces a floral body that refers to an abstract  linden blossom. The base is still musky, but is more woody and reminds a modern interpretation of vetiver. And the extraterrestrial touch seems to come from a mysterious, spicy and roasted scent that appears right at the opening, a kind of ghostly nuance of coffee and black pepper that disappears shortly after capturing your attention. It is a shame that in this approach as selective and exclusive Hot Cologne ends up becoming known to a small audience, but it is not unlikely that we will see it reborn in the coming months within the brand's commercial or exclusive line.