Pesquisar este blog

13 de dez de 2016

Natura Ília - Fragrance Review


Como aluno do curso Formação em Perfumaria da Perfumaria Paralela tive uma chance única esse ano de visitar e conhecer a sede da Natura e o seu núcleo olfativo, o lugar onde são criados os perfumes da marca. Foi uma experiência interessante que me permitiu perceber que a Natura investe em um acervo completo de matérias-primas, mantém contato com o mercado utilizando o expertise de todas as casas de perfumaria e tem uma grande coleção de diversos perfumes, dos mais comerciais aos mais raros e exclusivos, estando por dentro do que o cenário internacional e nacional lança. Logo, pude concluir que o principal problema da líder do mercado é sua teimosa e seu grande tamanho que a torna lenta em reagir as tendências do mercado.

Não que seja possível esperar muito de Ília, um perfume que a marca criou para o público da América Latina e só depois trouxe para o mercado brasileiro. Porém ele expõe justamente o mesmo tipo de problema que a marca tem reciclado a cada novo lançamento anual - produtos inclusive que não vendem o suficiente para permanecer mais que um ano no mercado. O perfume propõe um conceito de uma dualidade entre exuberância e frescor, só que falta ousadia e coragem da marca em explorar a exuberância e sair do frescor, que é a sua zona de conforto.

Eu vejo em Ília basicamente a mesma ideia trabalhada em um clássico da marca, o Essencial, porém contado de outra forma. É uma dinâmica que explora o que a marca já conhece, uma progressão que envolve saída frutal e fresca, corpo floral leve e brilhante e base almiscarada com toques de madeira. Para os que esperam flores sensuais brancas, é bom lembrar que esse é um perfume da Natura e em raras exceções (como Ekos Flor do Luar, por exemplo), elas realmente aparecem carnais. Talvez a maior surpresa aqui seja o toque azedinho das frutas silvestres na saída, que soam bem modernas e sofisticadas. E a maior decepção é a base, que é boa, agradável, mas não mostra evolução nenhuma nas criações da marca nos últimos 10 anos.

Ília é bom, tem um belíssimo frasco e embalagem e um preço mais acessível para um produto mais concentrado, porém não emociona e não tem uma das coisas que o público brasileiro tem exigido cada vez mais: performance e intensidade. Considerando que outras marcas brasileiras (como a Mahogany e Eudora por exemplo) tem lançado perfumes mais sensuais, intensos e com preços razoáveis, a marca não pode mais se dar o luxo de lançar perfumes que agradam mas não empolgam se realmente quer manter a liderança. Não se espera grandes inovações em um mercado de um país desenvolvido e que vive direta e indiretamente de contratipos. Entretanto, manter-se na zona de conforto em um mercado cada vez mais concorrido é uma garantia de fracasso, mesmo que seja uma zona de conforto bem equilibrada e delicada como Ília.