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4 de dez de 2016

L'Artisan Parfumeur 2 Violaceum - Fragrance Review


Português (click for english version):

Uma das pioneiras na perfumaria de nicho, a L'Artisan Parfumeur difere na sua linha principal da abordagem que acabou consolidando e definindo o setor nos últimos anos. Percebe-se que sua linha possui uma cara mais abstrata e criativa e com menos enfoque tanto no autor como na nota em si -  mesmo perfumes com nome de um determinado material (como Premier Figuer) ainda são composições mais complexas e abstratas do que o que costuma aparecer em outras marcas de nicho. Com a linha Natura Fabularis a marca parece ir em uma direção que una o que tem sido feito no mercado com a sua identidade.

Me vem a cabeça influência principalmente de duas grandes concorrentes da marca no setor de nicho em aspectos da linha. Em Natura Fabularis a L'Artisan parece canalizar o enfoque no perfumista, algo que se consolidou e se tornou parte da identidade de Frederic Malle. Ao mesmo tempo, usa a numeração na identidade de forma parecida com a Le Labo, porém indicando o número de tentativas da perfumista até chegar no resultado final. Por fim, a marca ainda que  mire o abstrato volta-se mais para algo concreto, um jardim imaginário trabalhado em diferentes texturas e buscando evocar sensações românticas e dark (da mesma maneira que a Givenchy em seu Gaiac Mystique).

Toda essa conceitualização acaba não fracassando em 2 Violaceum pois a perfumista Daphné Bugey faz um excelente trabalho em capturar uma violeta efêmera e frágil. Violeta é um acorde mais versátil do que parece na perfumaria, podendo ser trabalhado numa direção polvorosa, verde, aquática e até mesmo couro. A perfumista encontra uma forma de equilibrar o lado mais melancólico e retrô da violeta doce e atalcada com o aspecto mais dark de couro da mesma. Para isso, temos a cenoura conferindo uma certa terrosidade e equilibrando o lado mais powdery e adocicado da ideia ao mesmo tempo que o açafrão confere um aspecto spicy seco e uma nuance de couro. Nuance secundárias verdes da violeta estão presentes junto com uma aura de musk para dar profundidade a um perfume linear e harmônico na pele. É uma ideia que tem sua beleza na simplicidade e harmonia dos elementos e que funciona certamente pelo ajuste fino da composição e não pela novidade dos elementos propostos.

English:

One of the pioneers in niche perfumery, L'Artisan Parfumeur differs in its main line from the approach that ended up consolidating and defining the sector in recent years. I perceive that its line has a more abstract and creative face with less focus on both the author and the note itself - even perfumes named after a certain material (such as Premier Figuer) are still more complex and abstract compositions than what often appear in other niche brands. With the Natura Fabularis line the brand seems to go in a direction that unites what has been done in the market with its identity.

It comes to me mainly tje influence of two major competitors of the brand in the niche sector in aspects of the line. In Natura Fabularis L'Artisan seems to channel the focus on the perfumer, something that has consolidated and became part of the identity of Frederic Malle. At the same time, it uses the numbering in the identity in a similar way to Le Labo, however indicating the number of attempts of the perfumer until arriving at the final result. Finally, the brand, even if it looks at the abstract, turns more to something concrete, an imaginary garden working in different textures and seeking to evoke romantic and dark sensations (in the same way as Givenchy in its Gaiac Mystique).

All this conceptualization does not fail in 2 Violaceum because the perfumer Daphné Bugey does an excellent job in capturing an ephemeral and fragile violet. Violet is a note more versatile than it looks in the perfumery, being able to be worked in directions like powdery, green, aquatic and even leather. The perfumer finds a way to balance the most melancholy and retro side of sweet powdery violetwith the darkest leather aspect of it. For this, we have the carrot giving a certain earthiness and balancing the powdery and sweet side of the idea while the saffron gives a dry spicy aura and a nuance of leather. Secondary green violets nuances are present along with an aura of musk to give depth to a linear and harmonic scent on the skin. It is an idea that has its beauty in the simplicity and harmony of the elements and that certainly works by the fine adjustment of the composition and not by the novelty of the proposed elements.