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5 de dez de 2016

Chanel No 18 EDP e 31 Rue Cambon EDP - Fragrance Reviews


Se tem um perfume que eu imaginava que se beneficiaria de uma maior concentração dentro da linha Les Exclusifs é o No 18. Seu aroma sempre foi extremamente delicado e transparente, quase como uma joia preciosa que você sabe que se cair no chão estilhaça em mil pedaços. O Aumento da concentração conseguiu lhe trazer um aroma um pouco mais robusto sem mexer muito no cheiro.

Continuamos a ter a concentração focada no aroma da semente de ambrette, um dos poucos materiais naturais da perfumaria que apresentam moléculas de musk. O aroma do absoluto das sementes de ambrette é muito delicado, macio, quase uma segunda pele com um vago contorno floral e é isso que No 18 apresenta. De alguma forma parece que essa nova versão ou se beneficia do aumento da concentração ou possui algum musk mais perceptível, pois No 18 se mostra menos efêmero na pele.

A descrição do site da Chanel dá entender que essa criação possui um aspecto frutado, mas ele é bem sutil. É como se fossem frutos silvestres verdes e delicados, levemente cintilantes. Há um toque de ervas também e um leve aroma de rosas verdes. Depois disso, a composição acaba em uma segunda pele aveludada e luxuosa de musks, sejam eles de origem natural ou sintéticos. Continua sendo um perfume transparente e segunda pele, apenas um que permite que você tem que usar menos para sentir mais durante o dia.

Já  31 Rue Cambon, por outro  lado, parece ter sofrido um exercício de transformação similar a encontrada em Bois des Iles, uma suavização de sua assinatura olfativa em troca de uma maior facilidade de apreciação/uso, uma tentativa de dar um apelo mais universal a linha. É curioso para mim como ele continua parecendo com o que foi, porém diferente. É como se ele tivesse feito um regime e seus ângulos agora fossem evidentes. A opulência do ylang, do aroma atalcado das iononas e o aspecto cintilante dos aldeídos me parecem drasticamente reduzidos aqui. A doçura da base também se foi em boa parte. É uma pena, pois eu achava interessante que 31 Rue Cambon conseguia aludir tanto a dinâmica de um chypre moderno quanto a estrutura de um chypre clássico.

Nessa versão mais "light", 31 Rue Cambon soa estruturalmente como um chypre clássico e novamente vejo em um Chanel ecos de um perfume da Guerlain, dessa vez o Mitsouko. Imagine o aroma amadeirado, seco e úmido/terroso de musgo do Mitsouko com um toque bem sutil de aldeídos, um aroma floral seco, apenas com um pouco de ylang e ionona para ecoar de longe a assinatura da Chanel sem assustar nenhuma possível compra. É isso que 31 Rue Cambon se tornou, em troca de uma possível maior popularidade ele vendeu parte de sua personalidade. Infelizmente isso não trás nada em termos de riqueza olfativa ou até mesmo em aspectos técnicos, o que se esperaria de uma concentração maior de um exclusivo que antes existia em edt. É ainda sim um bom perfume, entretanto no contexto onde ele surge ele tem expectativas que não são mais atendidas.

English:

If there is a perfume that I imagined would be benefited from a greater concentration in the Les Exclusifs line is No. 18. Its scent that has always been extremely delicate and transparent, almost like a precious jewel that you know that if it falls on the ground it'll shred in a thousand pieces. The increase in concentration was able to bring a slightly more robust aroma without affecting much  the scent.

We continue to have the concentration focused on the aroma of the ambrette seed, one of the few natural materials of the perfumery that present musk molecules. The absolute aroma of the ambrette seeds is very delicate, soft, almost a second skin with a vague floral opening and this is what No 18 presents. Somehow it seems that this new version either benefits from increased concentration or has some more noticeable musk, as No 18 is less ephemeral on the skin.

The description of the Chanel website makes you understand that this creation has a fruity look, but it is very subtle. It is as if they were berry fruits which are in its aroma green, delicate, and slightly sparkling. There is a touch of herbs as well and a faint scent of green roses. Thereafter, the composition ends up in a second velvety and luxurious skin of musks, whether of natural or synthetic origin. It remains a transparent perfume and second skin, only one that allows you to have to use less to feel it last during the day.

31 Rue Cambon, on the other hand, seems to have undergone a transformation exercise similar to that found in Bois des Iles, a smoothing of its olfactory signature in exchange for a greater ease of appreciation / use, an attempt to give a more universal appeal to the line. It's curious to me how it continues to smell like what it was, but different. It is as if it had gone on a dietand its angles were now evident. The opulence of the ylang, the powdery aroma of the ionones, and the scintillating appearance of aldehydes seem to me drastically reduced here. The sweetness of the base was also largely gone. It is a shame, as I thought it interesting that 31 Rue Cambon could allude to the dynamics of a modern chypre as well as the structure of a classic chypre.

In this more "light" version, 31 Rue Cambon sounds structurally like a classic chypre and again I see in a Chanel echoes of a perfume from Guerlain, this time it's Mitsouko. Imagine Mitsouko's woody, dry, moist / earthy scent of moss with a subtle hint of aldehydes, a dry floral scent with only a little bit of ylang and ionone to echo Chanel's signature from afar without scaring any possible purchase. This is what 31 Rue Cambon became, in exchange for a possible higher popularity it sold part of its personality. Unfortunately this does not bring anything in terms of olfactory richness or even in technical aspects, which would be expected of a greater concentration of an exclusive one that existed in edt. It is still a good perfume, however in the context where it arises it has expectations that are no longer met.