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4 de dez de 2016

Chanel Bois Des Iles EDP - Fragrance Review



Um dos perfumes mais clássicos da linha Les Exclusifs, Bois des Iles sempre me impressionou pela textura cremosa, atalcada e redonda, algo que não dependia do sândalo indiano mas que conseguia criar uma textura luxuosa nessa linha. Com o relançamento dele na concentração EDP a impressão que eu tenho é que a Chanel não fez uma mera reformulação para ajustar a sua dinâmica a essa concentração, e sim uma recontextualização do seu cheiro para que ele pareça mais contemporâneo.

Dos aspectos mencionados acima, o lado atalcado foi reduzido drasticamente, junto com o aspecto aldeídico da saída da composição. De alguma forma, os primeiros minutos dessa nova versão se tornaram mais leves, um pouco verdes talvez. Depois o sândalo começa a aparecer, ainda cremoso e amanteigado como no original. É curioso que agora em alguns momentos ele parece mais seco e amadeirado e em outros mais floral, algo na mesma direção talvez do Samsara, como se o ylang tivesse se tornado mais evidente e com o sândalo eles produzissem essa ilusão.

Há algumas notas secundárias que aparecem em determinados momentos do perfume e que antes não se destacam ou não existiam no Bois des Iles. No coração, há uma espécie de aroma cremoso e delicado que remete a aroma de rosas mas não lembra rosas propriamente dito. E na base há uma impressão de algo meio ambarado, resinoso e um toque de especiarias também. É como se Bois des Iles caminhasse agora para algo mais unissex: nem tão floral e powdery, nem tão amadeirado e seco. Ainda que essa nova versão me pareça bem pensada e executada, há impressão que dá é que o perfume em troca de usabilidade perdeu parte de sua alma.


One of the most classic perfumes of the Les Exclusifs line, Bois des Iles has always impressed me with its creamy, rounded and powdery texture, something that did not depend on Indian sandalwood but that managed to create a luxurious texture in that vein. With its relaunch in EDP concentration the impression I have is that Chanel did not make a mere reformulation to adjust its dynamics to this concentration, but a recontextualization of its scent to make it look more contemporary.

Of the aspects mentioned above, the powdery side was reduced drastically, along with the aldehyde aspect of the opening in the composition. Somehow, the first few minutes of this new version became lighter, a little green perhaps. Then the sandal begins to appear, still creamy and buttery as in the original. It is curious that now at some moments it seems more dry and woody and in others more floral, something in the same direction perhaps of the Samsara, as if the ylang had become more evident and with the sandalwood they produced this illusion.

There are some secondary notes that appear in certain moments of the perfume and that before did not stand out or did not exist in the Bois des Iles. At heart, there is a kind of creamy, delicate scent that make you think of the scent of roses but does not resemble roses itself. And at the base there is an impression of something amber, resinous and a hint of spice as well. It is as if Bois des Iles was now moving to something more unisex: neither so floral and powdery, nor so woody and dry. Although this new version seems to me well thought out and executed, it gives an impression that the perfume in exchange part of its soul for usability.