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22 de dez de 2016

Boticário My Lily - Fragrance Review

Desde o início da sua existência o oportunismo parece ser a palavra que melhor define a estratégia comercial e criativa do Boticário. Isso pode ser percebido já pelas clássicas ânforas da marca, que nada mais foram que a princípio uma desova de estoque de frascos do primeiro projeto não sucedido de perfumaria de Sílvio Santos. Tirando isso, vários dos clássicos da marca são inspirações sem disfarces de grandes clássicos importados, sua estratégia de distribuição vai no que o mercado dita sem muitas preocupações com atritos e seu marketing fala o que está em discussão no momento sem medo de polêmicas. O Boticário vai na onda da tendência e muitas vezes se dá muito bem nisso. Em outras erra feio no que resolve fazer - caso do novo perfume feminino, My Lily.

Certamente antecipando a tendência do verde que irá refletir na moda e na perfumaria em 2017 (a cor do ano escolhida pelo Pantone é o Greenery), o Boticário propõe uma versão do perfume Lily que alia o óleo essencial de Lírio a um acorde de uma flor ainda pouco explorada seja no Brasil ou fora, o Narciso. Isso dá margem a marca para contar uma mentira descarada de que o Narciso é uma flor que não pode ser plantada e cresce espontaneamente. Outro oportunismo da marca aqui é dizer que o aroma verde e fresco que define My Lily é o aroma da flor de Narciso, o que não chega nem sequer perto da mesma.

O frescor verde e floral que vemos em My Lily é simplesmente mais do mesmo e se a fragrância representa bem algum conceito é o que eu chamaria de Flores de Shampoo. My Lily não apenas soa genérico, ele consegue a proeza de parecer artificial e desconfortável logo na saída. Falta uma naturalidade que mascare o lado mais agressivo dos sintéticos utilizados para fazer tanto o papel de acorde verde floral como o lado floral branco da ideia. Aliado a isso temos um coquetel frutal de sempre, a parte que mais remete a shampoo Garnier. Passando isso, My Lily vai em direção a um acorde floral genérico e termina em uma base almiscarada levemente amadeirada e indistinta.

Um único ponto positivo aqui é certamente a intensidade e duração, o que se esperaria de um eau de parfum, mas também passa a impressão de um projeto que foi feito em um orçamento barato e que quando escalonado para algo mais luxuoso e caro deixa em evidência as falhas. Uma delas é o projeto - já consolidado - do frasco novo da linha Lily - que parece um sabonete dove com um spray enfiado em cima. Fico intrigado se algo tão medíocre e caro irá de fato emplacar em um mercado em recessão onde 200 reais não é exatamente um valor acessível.