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27 de nov de 2016

Chanel No 5 L'Eau - Fragrance Review



Português (click for english version):

Nós vivemos em uma sociedade onde a velocidade das transformações tecnológicas e os avanços que elas nos proporcionaram afetaram a velocidade como consumimos, bem como a exigência pelo novo. E isso certamente se reflete na necessidade constante das grifes em repaginarem seus clássicos para que eles possam dialogar com novas gerações e novos gostos. É um desafio isso, atingir o equilíbrio entre preservação do patrimônio e diálogo com novos consumidores. Acho que nesse sentido a grife Chanel é um estudo de caso interessante com seu novo flanker, Chanel No 5 L'Eau.

Como traduzir um perfume multifacetado, abstrato e rico como o No 5 para uma geração que mal consegue prender a atenção em algo por mais de 30 minutos? A resposta encontrada pela casa, na minha visão, foi horizontalizar os elementos olfativos que compõem a assinatura do No 5 L'Eau e dar mais brilho e tirar o foco deles. É uma abordagem que se você analisar cuidadosamente percebe que há um pé na tradição e conservadorismo e um pé nas tendências contemporâneas de linearidade na evolução da fragrância.

Independente do efeito "Instagram" nos detalhes do Chanel No 5 L'Eau, da suavização de suas "rugas" ao tempo, ele não foi deformado a ponto de ficar irreconhecível. O brilho dos aldeídos está lá, o cítrico com um apelo mais clássico, o tom powdery das iononas e até mesmo o buquê floral rico podem ser percebidos em um estudo mais cuidadoso de seu cheiro. Sem prestar muita a atenção, porém, o que se percebe é uma aura cítrica, floral e luminosa do No 5 L'Eau e que termina numa maciez mais clean e funcional-chic de musks, que podem ser rapidamente percebidos na pele. É um perfume transparente como sua propaganda promete, mas sofisticado e retrô em sua "modernidade".

É certo que esse cuidado da marca com seu patrimônio rendeu um belo resultado, mas ao mesmo tempo ao pensar no público-alvo que desejavam atingir eu me questiono até que ponto foram bem-sucedidos. Talvez um toquezinho de ethil maltol e tons frutados poderia torná-lo mais juvenil - o difícil porém é fazer isso sem escandalizar os usuários mais fiéis e maduros da fragrância.

English:

We live in a society where the speed of the technological transformations and the advances that they have given us affected the speed as we consume as well as the requirement for the new. And this is certainly reflected in the constant need for brands to repaginate their classics in order to dialogue with new generations and new tastes. It's quite a challenge finding the balance between heritage preservation and dialogue with new consumers. I think in that sense the Chanel brand is an interesting case study with its new flanker, Chanel No 5 L'Eau.

How to translate a multifaceted, abstract, and rich perfume like No 5 to a generation that barely manages to focus on something for more than 30 minutes? The answer found by the house, in my view, was to horizontalize the olfactory elements that make up the signature of No 5 L'Eau and give them a better brightness and focus. It is an approach that if you analyze carefully you notice that it's executed with a foot in the tradition and conservatism and a foot in the contemporary tendencies of linearity in the evolution of the fragrance.

Regardless of the "Instagram" effect on the details of Chanel No 5 L'Eau, the smoothing of its "aging wrinkles", it was not deformed to the point of becoming unrecognizable. You can find the brightness of the aldehydes , the citrus of a more classic appeal, the powdery tone of the ionones and even the rich floral bouquet can be perceived in a more careful study of its smell. Without much attention, however, what is perceived is a citrus, floral and luminous aura of No 5 L'Eau that ends in a cleaner and more functional soft-chic musks that can be quickly perceived in the skin. It is a transparent perfume as its propaganda promises but sophisticated and retro in its "modernity".

It is true that this care of the brand with its patrimony yielded a beautiful result, but at the same time when I think about the target audience that they wanted to achieve I wonder how successful they will be. Perhaps a touch of ethil maltol and fruity tones could make it more youthful - but the difficult thing is to do this without scandalizing the most faithful and older users of the fragrance.