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24 de out de 2016

Prada La Femme - Fragrance Review


Apesar da consistência estética e sobriedade nos designs de suas criações terem se tornado parte da identidade da Prada a grife infelizmente não está imune ao besteirol conceitual que enforca a perfumaria como um todo. As descrições utilizadas pela marca certamente levam a um nível de expectativa: a grife descreve Prada Le Femme e Le Homme como um par de fragrâncias com uma visão idêntica, uma confusão entre masculino e feminino e uma relação sem definição óbvia. O Aroma floral de La Femme promete se livrar dos clichês de feminilidade e curiosamente coloca a nota de frangipani na saída do perfume como se fosse algo novo e diferente.

Deixando tudo isso de lado, o que realmente significa o novo pilar feminino da marca? Na minha visão, é um exercício de expansão da assinatura olfativa sedosa de iris da Prada em territórios mais florais e femininos - nada exatamente que de fato vá contra os clichês de um perfume feminino contemporâneo. Eu nunca vi a Prada como uma marca inovadora em termos de perfumes, há um certo classicismo familiar em suas criações que é perpetuado aqui.

Essa familiaridade pode enganar a princípio em La Femme, dando a impressão de uma certa simplicidade no aroma floral com nuances de mel. Entretanto, percebo que La Femme funciona como uma espécie de Kaleidoscópio de flores brancas, tentando capturar os aspectos mais delicados delas, algo bem difícil de se trabalhar bem em um perfume. Sob alguns ângulos, La Femme tem os tons frutados de um frangipani, o aroma mais narcótico de um ylang, o aspecto verde e ceroso de uma tuberosa, a doçura que quase remete a uva de uma Laranjeira. Todos aparecem em La Femme, começando no ylang, indo para a tuberosa e laranjeira e intercalando-as com o cheiro do frangipani. Há um aspecto cerôso e não adocicado de mel aqui que parece reforçar a naturalidade das flores brancas na composição.

De fundo, temos uma base simples e eficaz em La Femme que cria a sustentação para o acorde floral. Ela é uma mistura de tons amadeirados discretos de vetiver, uma doçura controlada de baunilha e o uso da assinatura olfativa da casa, um misto de iris sedosa e um pouco terrosa e o um musk bem aveludado e elegante.Essa combinação se mostra com uma excelente performance, aparecendo lentamente em suas nuances na pele. Por mais que La Femme reforce os clichês que promete quebrar é uma criação da Prada que faz o conhecido com uma boa complexidade e atingindo uma certa maciez e delicadeza que é bem difícil de se obter em uma temática floral branca.