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17 de out de 2016

Bvlgari Le Gemme Calaluna e Lilaia - Fragrance Review



Apesar de não ser uma das mais recentes a entrar no mundo das criações exclusivas a coleção de perfumes Le Gemme da Bvlgari é de certa forma pouco conhecida - não sei se pela distribuição mais seletiva, por uma saturação que vem crescendo nesse mercado ou até mesmo pelo posicionamento mais acessível da perfumaria comercial da marca. Estava curioso pelas 6 primeiras criações iniciais, cada uma inspirada em uma diferente pedra preciosa e cor. E a escolha da perfumista certamente parecia promissora, Daniela Andrier tem feito um trabalho de muita elegância para grifes como Prada e Margiela.

Ao provar os dois primeiros perfumes da saga que envolverá as 6 criações, a primeira impressão que eu tenho é que houve uma espécie de fusão entre o estilo da perfumaria comercial da Bvlgari com o estilo que a Daniela Andrier tem desenvolvido para outras marcas. Tanto Calaluna como Lilaia parecem claramente conectados com as cores das pedras preciosas que pretendem homenagear, mas ao mesmo tempo há uma certa familiaridade com outras criações feitas pela perfumista que me deixam dividido nesse primeiro momento entre uma crítica e um elogio.

Comecemos por Calaluna, a criação da coleção que preenche na minha percepção nesse primeiro momento o slot mais comercial da marca com uma criação que dá um jeito de encaixar uma temática branca de forma não óbvia, Inspirado na pedra da lua, uma pedra preciosa de coloração esbranquiçada ou transparente, a proposta do perfume é emular a sensação de conforto, proteção e bem estar que está associado a ela. Para isso, a perfumista parece fazer um mix de dois de seus delicados perfumes feitos para a prada: calaluna é em partes a iris sedosa e aveludada do infusion de iris e em partes o aroma de sabonete infantil de luxo do prada amber pour homme. O que há de novo aqui talvez é o reforço de um acorde de leite e sândalo e de alguma forma uma breve homenagem ao perfume de chá branco da marca. A criação parece um pouco simples, delicada demais e as nuances que lembram criações comerciais acabam se destacando mais que o é trazido de novo a ideia.

Lilaia, porém, consegue encaixar de forma menos óbvia e mais interessante uma outra ideia trabalhada por Andrier em uma criação que também trabalhou o Gálbanum com peça importante. Nessa criação a inspiração volta a tempos antigos para homenagar uma pedra apreciada pelos Faraós Egípcios, a Peridota, ao mesmo tempo que o nome faz uma referência a uma divindade grega associada a primavera. A temática gira em torno do verde e do exótico, entretanto um exótico trabalhado na estética mais minimalista da joalheria, que se encaixa na assinatura olfativa de Andrier. Para Lilaia ela trás seu acorde de gálbanum e musks utilizado em Margiela Untittled e lhe confere um ar um pouco mais mentolado e levemente resinoso com a combinação de menta e Lentisco. O que para mim confere um ar distinto a fragrância e que curiosamente não é destacado é um acorde floral que remete claramente ao jade flow, um tipo de chá feito com infusão de pétalas de jasmim em folhas de chá verde. Num primeiro momento pode dar a impressão de que o acorde de chá verde faz alusão ao primeiro perfume da marca, porém há um aspecto mais verde e levemente queimado típico do chá verde e que não está presente na criação do Jean Claude Ellena. Por último, é possível perceber um uso inteligente do chá mate funcionando como nota de base e emulando de forma alternativa o aroma do patchouli. Por mais que haja aspectos familiares, Lilaia parece mais rico e bem trabalhado e é bem sucedido em equilibrar uma aura transparente e uma performance condizente com uma concentração edp.