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20 de out de 2016

Bvlgari Le Gemme Ashlemah e Noorah - Fragrance Reviews



Bvlgari Le Gemme Ashlemah
De certa forma, é possível perceber que todos os membros da coleção Le Gemme são variações sob uma base que envolve aspectos powdery de iris e macios de musks. Em Ashlemah isso ganha um contorno púrpura para refletir a pedra de inspiração, a Ametista, que possui um simbolismo mais espiritual e reflexivo ligado a sua belíssima cor roxa. A conexão aqui entre cor e aroma é perfeita e de fato Ashlemah produz uma aura olfativa púrpura, uma que explora o frescor e doçura da lavanda em contraste com um acorde doce e powdery de violetas e iris, algo que quase beira um acorde brilhante de brilho labial. Ashlemah vai se tornando cada vez mais elegante e aconchegante na pele, envolvendo o usuário no que parece uma mistura de musks, iris e um incenso bem calculado para emular a aura espiritual da inspiração. É um perfume cuja a apreciação por ele vai crescendo gradualmente na pele e que não pode ser avaliado adequadamente apenas pela saída.


Bvlgari Le Gemme Noorah

Eu acho curioso que o segundo melhor perfume da coleção Le Gemme seja para mim justamente o que menos reflete em termos de aroma a cor da pedra preciosa que ele representa, a Turquesa. Não há nada aqui que tenha um aroma que remeta ao sereno azul dessa pedra preciosa e aparentemente o link que tenta ser feito é com a sua origem histórica entre a rota da seda e especiarias que ligavam o oriente com o ocidente. Dessa forma, Noorah é um exercício de união do exoticismo ambarado de uma perfumaria oriental clássica com a delicadeza e maciez das criações de musk na perfumaria ocidental. E o casamento dá muito certo nas mãos de Andrier, que arranja tudo para que nada seja exótico demais ou monótono demais. Se em Maravilla a composição rapidamente se torna tímida na pele, em Noorah ela consegue sustenta o aroma exótico da saída. A criação abre com um tabaco quente, especiado e doce que tem suporte de fundo no aroma powdery da iris. É possível perceber um acorde quente e ambarado centrado ao redor do benjoin se desenvolvendo em paralelo ao tabaco. Quando parece que o perfume irá nessa direção de forma forte os musks e a iris acabam se destacando mais e equilibrando a composição como um todo. É uma criação que diz luxo não em termos de novidade mas em questão de execução, harmonia e texturas olfativas na pele. É o trunfo dos perfumes da coleção Le Gemme quando eles funcionam bem - entregar o que já conhecemos porém de forma impecável.