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19 de set de 2016

Zara Black Amber e Vetiver 2016 - Fragrance Reviews



Quando iniciei no começo desse ano minhas avaliações da marca brasileira de perfumes Mahogany cheguei a mencionar em uma delas que ela era a "Zara do mundo da Perfumaria". Esqueci-me, porém, na época de que a própria Zara tem sua linha de perfumes e com uma dinâmica condizente com a alma de uma fast fashion - criações baseadas nas tendências de outros concorrentes e em peças mais caras só que feitas buscando manter o preço acessível e no limite do custoXqualidade. Black Amber e Vetiver 2016 são dois exemplos interessantes para começar a escrever sobre a Zara pois eles mostram muito bem como isso pode ou não pode dar certo quando se trata de perfumaria.

Zara Black Amber Special Edition

Não dá para culpar a Zara por reproduzir cacoetes da indústria, mas Black Amber representa muito bem algo que para mim é uma falha de design que vai da perfumaria massificada à perfumaria exclusiva/nicho, que é a de desenvolver um nome e conceito que conflitam com a execução do aroma em si.

Se você não procura notas ou informações a respeito de Black Amber fica na expectativa de um perfume oriental ambarado denso, noturno, com plena quantidade daqueles materiais que dão um cheiro tanto adocicado como seco e áspero a base do perfume. A realidade é bem longe disso, com uma ideia que parece mais próxima de um ambergris do que um acorde âmbar e uma execução que seria mais adequada a um ambar cinza ou branco.

Tirando essas inconsistências conceituais, Black Amber me parece próximo de algo bem interessante para um perfume de uma fast fashion mas que certamente foi suavizado/adaptado para mirar um público de gostos vastos. Você percebe que há uma certa oleosidade e um quê animálico bem sutil que são uma abstração interessante de ambergris. O que é executado em cima disso, porém, não sai do rotineiro. Temos uma saída cítrica e frutal doce, porém não exageradamente doce, seguida de um acorde floral delicado e luminoso. A base é o que domina boa parte do aroma, criando um perfume almiscarado e com essas nuances de ambergris que são o aspecto mais interessante no perfume em si. Um floral branco mais marcante e um cítrico mais definido teriam tornado essa ideia fantástica. Do jeito que foi executado, porém, é apenas bom e o esperado para um perfume na sua faixa de preço.

Zara Vetiver 2016

Esse é o terceiro vetiver que a Zara lança ao longo de sua história e pelo que os usuários comentam na internet os 3 giram em torno da mesma fórmula. Não é de surpreender porém que a marca traga essa criação com frequência em sua linha de perfumes que como as coleções de moda está sempre sendo renovada - sem nada fixo. Ideias que funcionam sempre voltam em coleções de tempos em tempos.

Se você baseia a impressão do Vetiver nessa criação apenas levando em conta as notas de saída certamente irá achar que ele só está presente apenas no nome. Não é costumeiro de fato que o vetiver demore a aparecer - na maioria dos perfumes que tem vetiver no nome seu cheiro amadeirado, terroso, e as vezes úmido já é perceptível logo na saída. Aliás, essa sempre foi uma das minha implicâncias com perfumes de vetiver, a raiz sempre pareceu uma espécie de vocal que tenta destacar a sua voz mais que todo o resto sempre. Não é o que acontece aqui.

A saída é bem cítrica, brilhante e agradável. Há algo na ideia de um neróli-limão aqui que me faz pensar por alguns momentos no Dolce & Gabbana Light Blue. Curiosamente eu detesto o Light Blue mas aqui eu acho que funciona muito bem essa dinâmica cítrica e floral brilhante. Principalmente considerando o que vêm após, que é uma abstração sintética de vetiver que tem algo terroso e verde das raízes desse capim misturado com uma base agradável de musks e madeiras minerais. Esse é um perfume que sem ter grife, frasco caprichado ou preço alto oferece o que um bom perfume deveria oferecer: um aroma bem feito, agradável e coerente do começo ao fim. Uma barganha.


When I started earlier this year my special series of portuguese reviews of the Brazilian perfume brand Mahogany I mentioned in one of them that it was the "Zara of the Perfume World". I forgot, however, at the time that the very Zara has its perfume line and a consistent dynamic with the soul of a fast fashion - creations based on trends of other competitors and their more expensive pieces only made trying to keep the price accessible and at the threshold of cost versus quality. Black Amber and Vetiver 2016 are two interesting examples to start writing about Zara because they show very well how this can or can not work well when it comes to perfumes.

Zara Black Amber Special Edition

You can not blame Zara for reproducing industry twitches, but Black Amber is well something that for me is a design flaw that goes from the mass fragrance to the exclusive perfumery / niche, which is to develop a name and concept that conflict with aroma itself.

If you do not go after notes or information about Black Amber you anticipate  an oriental dense amber perfume, noturne, with full amount of those materials that give a smell so sweet as dry and rough to a perfume base. The reality is far from it, an idea that seems closer to a ambergris than an amber chord and an execution that would be more appropriate to a gray amber or white one.

Taking these conceptual inconsistencies, Black Amber seems close to something very interesting for a perfume of a fast fashion but that was certainly softened / adapted to target an audience of broad tastes. You realize that there is a certain oiliness and a very subtle Animalic hint that is an interesting ambergris abstraction. What runs on top of that, however, does not come out of the usual. We have a citrus and sweet fruity output, but not overly sweet, followed by a delicate and light floral accord. The base is what dominates much of the scent, creating a musky scent with those ambergris nuances that are the most interesting aspect of the fragrance itself. A more striking white floral and a more defined citrus would have made this a fantastic idea. The way it was run, however, is only good and expected for a perfume in its price range.

Zara Vetiver 2016

This is the third vetiver that Zara launches throughout its history and the users comment on the Internet that the three revolve around the same formula. Not surprisingly, however, that the brand brings this creation often in its line of perfumes as fashion collections are always being renewed - with nothing fixed. Ideas that work tough come back in from time to time into collections.

If you base the impression of Vetiver of this creation only taking into account the opening notes you will surely find that it is only present in name only. It is not customary in fact that vetiver takes longer to appear - in most perfumes that have vetiver in the name the woodsy, earthy, and sometimes damp smell is already noticeable just right off. Indeed, this has always been one of my implecations with vetiver perfumes, the root always seemed a kind of vocal that tries to highlight its voice more than anything else ever. It's not what happens here.

The output is well citrus, bright and pleasant. There is something in the idea of ​​a neroli lemon here that makes me think for a few moments of  Dolce & Gabbana Light Blue. Interestingly I hate Light Blue but here I think it works very well this bright citrus and floral dynamic. Especially considering what comes after, which is a synthetic abstraction of vetiver that has something earthy of the green woody roots of this grass mixed with a nice base of musks and mineral woods. This is a perfume that without a famous designer, neat bottle or high price offers what a good perfume should offer: an aroma well done, nice and consistent from beginning to end. A bargain.