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25 de set de 2016

Guy Laroche J'ai Osé - Fragrance Review

Português (click for english version):

Uma das coisas que eu acho mais interessante na perfumaria feminina ao longo das décadas é como as crises e os acontecimentos no mundo afetaram o tipo de perfume que fez sucesso em cada época, o perfume que as mulheres utilizaram para projetar sua imagem ao mundo. Se hoje parece que a mulher afirma seu papel de uma forma mais delicada, um romantismo mais tenro e mais simples, a mulher em algumas décadas o fez de uma forma mais feroz, complexa e ambígua. Nos anos 70 essa temática é bem recorrente, em perfumes femininos que resgatam o lado mais duro dos clássicos chypres acrescentando-lhes um aspecto mais verde, na beira do androginismo. Um dos representantes dessa época é a fabulosa criação de Guy Laroche , o perfume J'ai Osé, que traduzindo significa eu ouso.

A propaganda, nome e slogan (Selvagem e tenro/macio) condizem bem com a natureza desse chypre, que me remete imediatamente a clássico que iniciou a família, o Coty Chypre. J'ai Osé também favorece o lado o aroma úmido, fofo e ao mesmo tempo seco do musgo de carvalho e o aspecto cítrico fresco e amargo da bergamota. O que o difere é justamente a presença característica do uso de ervas e aromas herbais negros para ressaltar o lado mais denso do acorde chypre. Isso certamente o torna desafiador nos primeiros momentos na pele.

Entretanto, o segredo aqui é a paciência, ousar entrar no jogo de J'ai Ose. Em poucos momentos percebe-se um aroma floral sensual, um tipo de jasmim mais adulto e muito fino, que se não é o absoluto natural é uma reprodução muito bem feita da variedade de Jasmim Grandiflorum. Ao mesmo tempo, há algo floral frutal quase animálico que remete ao aroma de couro da flor osmantus e é um aspecto bem interessante para um perfume dessa época;

Assim que a fase floral se vai, J'ai Ose cumpre com a promessa do aspecto tenro, entregando um sândalo cremoso e uma base onde musks macios se misturam muito bem ao aroma do musgo de carvalho. O Labdanum e as resinas podem até fazer parte, mas elas não ganham o destaque na evolução do perfume na pele, que acaba mostrando um lado mais delicado e ainda sim austero de um perfume chypre. É uma criação que hoje é de fato ousada, ainda mais para o que se considera como esteriótipo de perfume feminino. E por estar no limito do andrógino, é um excelente perfume para se compartilhar.

English:

One of the things I find most interesting in the female fragrance over the decades is how the crises and world events affected the type of scent that was successful in every decade, the perfume that women used to project her image to the world. If today it seems that the woman claims her role in a more delicate way, with more tender and simple romanticism, the woman in a few decades ago made it in a fierce, complex and ambiguous form. In the 70s this theme is quite recurrent in women's perfumes that rescue the harder side of classic chypres adding to them a greener appearance on the edge of the androginous. One of the representatives of this time is the fabulous setting of Guy Laroche, the perfume J'ai Osé, that translating means I dare.

Advertising, name and slogan (Wild and tender/soft) are well consistent with the nature of chypre, which brings me immediately to the classic that started the family, Coty Chypre. J'ai Osé also favors at the same time the side of the wet, soft and dryasoect of oak moss and the fresh, citrus and bitter aspect of bergamot. What differs here is precisely the characteristic presence of the use of herbs and dark green nuances to highlight the densest part of the chypre accord. This certainly makes it challenging in the first moments in the skin.

However, the key here is patience, daring to enter J'ai Osé game. In a few moments we perceive a sensual floral scent, a kind of more mature and very fine jasmine, which if it is not the natural absolute is a very well made reproduction of the variety of jasmine grandiflorum. At the same time, there is something almost floral, fruity and animalic which refers to the leather aroma of Osmanthus flower and is a very interesting aspect for a perfume of that time;

Once the floral phase goes away, J'ai Osé fulfills the promise of the tender aspect, delivering a creamy sandalwood and a base where soft musks blend very well with the aroma of oak moss. The Labdanum and resins may even be part, but they do not gain prominence in the evolution of the perfume on the skin, which just showing a gentler side and yet austere of a chypre perfume. It is a creation that today is bold indeed, even to what is considered as feminine perfume stereotype. And being in the androgynous limit, is an excellent scent for sharing.