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26 de set de 2016

Galop d'Hermès - Fragrance Review


Português (click for english version):

Lançado de certa forma como um rito de passagem da era Jean Claude Ellena para a era Christine Nagel dentro da Hermès, Galop tinha tudo para ser um perfume que eu imaginava que iria amar. A temática de rosas e couro em um pure parfum e nas mãos de um perfumista talentosa e versátil dentro de uma casa que costuma oferecer liberdade criativa era um conjunto dos sonhos. Porém, quando há muitas expectativas há sempre um risco da decepção e Galop acaba não correspondendo ao que eu imaginava.

Esse é um daqueles casos estranhos onde tudo parece estar no lugar e ainda sim algo não se encaixa. O conceito e nome são tipicamente Hermès, as palavras da perfumista se encaixam no aroma e de fato a rosa e o couro são os protagonistas do perfume. Ainda sim há algo estranho na execução. algo no sentido ruim da palavra químico/sintético e que aparece em determinados momentos para estragar o aroma da rosa na pele.

Galop abre de forma inesperada para um floral couro com um aroma frutal bem evidente. Não é uma fruta suculenta, doce ou comum, é um acorde ácido e explorando o lado mais azedo do maracujá e que poucas marcas ousariam oferecer em uma composição. Ele perdura um tempo razoável na pele, se misturando ao aroma das rosas e do açafrão, que é mais perceptível na projeção do perfume do que na pele. O acorde de couro na criação é uma ideia mais abstrata, onde o osmanthus é utilizado para dar um toque graxoso e oleoso de couro junto talvez com cashmeran e outros musks e um leve tom de resinas, criando mais uma textura de couro do que um aroma de couro propriamente dito na pele.

O que estraga Galop, porém, é um aspecto de rosas que não deveria se destacar mas que parece perdurar na pele e que te trás tanto para o mundo dos inseticidas como dos repelentes de insetos. É uma nuance de citronela que soa plástica, artificial e pontuda dentro da fragrância, algo surpreendente para mim considerando uma perfumista tão experiente e que costuma ser assertiva em suas criações. A impressão de maracujá já é um risco grande e um momento de estranhamento em Galop, o aspecto de inseticida das rosas se torna um pouco demais. Pelo ponto de vista da concentração Galop também deixa a desejar, não possuindo a riqueza e luxo que esperaria de um pure parfum, ainda mais um feminino. O bom trabalho de imagem e herança que a Hermès construiu ao longo dos anos certamente irá disfarçar esses aspectos estranhos de Galop ao público e infelizmente a oportunidade de fazer algo fantástico escapa por pouco das mãos da marca e da perfumista.

English:

Released in a way as a rite of passage from the Jean Claude Ellena era for Christine Nagel one in Hermès, Galop had everything to be a scent that I imagined would love. The theme of roses and leather in a pure parfum in the hands of a talented and versatile perfumer in a house that usually offers creative freedom was a set of dreams. But when there are many expectations there is always a risk of disappointment and Galop just not corresponding to what I imagined.

This is one of those weird cases where everything seems to be in place and yet something does not fit. The concept and name are typically Hermès, the perfumer words fit the aroma and rose and leather are indeed the protagonists of the perfume. Still there is something odd about the execution. something in the bad sense of the word chemical / synthetic that appear at certain times to spoil the rose scent on the skin.

Galop opens unexpectedly for a floral leather with a very clear fruity aroma. It is not a juicy, sweet or common fruit, it is an acid accord that explores the most sour side of passionfruit and that few brands would dare to offer in a composition. It lasts a reasonable time on the skin, mixing with the scent of roses and saffron, which is most noticeable in the projection of perfume than in the skin. The leather accord in the creation is a more abstract view where osmanthus is used to give a greasy and oily touch of leather along perhaps with cashmeran and other musks and a lightly resin aspect, creating more a leather texture than a scent of leather itself on skin.

What spoils Galop, however, is an aspect of roses that should not stand out but that seems to linger on the skin and brings you so much to the world of insecticides and insect repellents. It is a nuance of citronella that sounds plastic, artificial and spiky inside the fragrance, something surprising to me considering a perfumer so experienced and usually assertive in her creations. The passion fruit print is a big risk and a moment of estrangement in Galop,but the appearance of insecticide aspect of roses becomes a bit too much for me. On the viewpoint of concentration Galop also leaves to be desired, not having the wealth and luxury that you would expect from a pure parfum, especially a feminine one. The great work of image and inheritance that Hermès has built over the years will certainly disguise these strange aspects of Galop to the public but unfortunately the opportunity to do something fantastic narrowly escapes the hands of the brand and perfumer.