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10 de set de 2016

Daniel Barros Barista Jasmiña Colada e Rosa Libre - Fragrance Reviews

Português (click for english version): 

Outros dois perfumes da coleção que inspiraram textos longos e que não necessitam de introdução. Iremos novamente direto as descrições:

Jasmiña Colada

Apesar do drink que inspira a composição ser popular não se sabe exatamente a origem da Piña Collada, criação que mistura abacaxi, rum e leite de coco, com algumas variações levando leite condensado em substituição ao coco. É uma das minhas bebidas favoritas, principalmente pela harmonia de sua doçura com o aroma frutal e aspecto alcoólico da composição. Em Jasmiña Collada, Daniel conceitualiza a bebida dentro de uma composição floral de tons lactônicos, abaunilhados e almiscarados.

A saída é uma parte mais desafiadora da composição e imagino que nem todos irão gostar dela. Muitos dos sintéticos disponíveis para reproduzir o aroma de abacaxi possuem nuances secundárias mais amargas que remetem a gálbano e é bem visível esse contraste entre o frutal ácido de abacaxi e os tons verdes amargos. Esses, porém, vão embora e fica só o cheiro de um abacaxi nem muito suculento nem muito verde.

O Jasmim presente no nome é um elemento importante para dar a nuance cremosa lactônica da composição e ele aparece melhor conforme o perfume evolui para as notas de corpo e de fundo. Em alguns momentos ele é mais delicado, em outros mais lactônico, mas sempre está presente, envolto nos musks e no aspecto lactônico da madeira de sândalo na base. O conjunto da obra me passa uma sensação curiosa, algo que é exótico e desafiador mas ao mesmo tempo aconchegante e fácil em sua evolução. Não é um dos meus favoritos na coleção mas é uma criação interessante, não me lembro de outros perfumes que combinem abacaxi com uma estrutura floral amadeirada onde o jasmim predomine.

Rosa Libre

Uma das coisas interessantes e que a gente não presta atenção com relação a coca-cola é sua composição do ponto de vista aromático. Um dos primeiros exercícios de um curso de perfumaria natural que eu comecei a fazer em 2015 era para identificar o aroma da coca-cola. Não é tão simples quanto possa parecer (pelo menos para mim) mas você consegue identificar as nuances cítricas e spicy que compõe a fórmula, além do aspecto mais óbvio, o do açúcar. A Coca-cola é a base da Cuba Libre, um drink que reforça de um lado seu aspecto açúcarado com o acréscimo do rum e de outro lado seu aspecto cítrico com o limão. Em Rosa Libre Daniel Barros explora esse drink pelo ponto de vista da rainha das flores da perfumaria, a rosa.

A ideia na minha opinião é genial e apesar da coleção como um todo ser muito boa para mim Rosa Libre é a obra-prima dos 12 primeiros perfumes lançados pelo Daniel. Estamos diante de um design coeso e inteligente e que ainda consegue remeter a riqueza dos perfumes clássicos. Em especial, Rosa Libre me remete a um dos marcos da perfumaria americana, Youth Dew, e me faz finalmente ver a nuance de coca-cola que muitos mencionam no Youth Dew e que para mim sempre passou batido, talvez devido a alta carga animálica da composição.

A rosa aqui é um protagonista essencial para passar tanto a sensação da coca-cola como a do rum. Há uma variedade de Rosa Damascena que tem esse aroma mais licoroso em evidência, provavelmente devido a uma presença maior de damasconas na composição (moléculas com um cheiro frutal e licoroso). Suas pétalas são o ponto central para desenvolver a dinâmica cítrica, spicy que criam a impressão do drink. Aldeídos estão presentes para trazer a efervescência da bebida ao passo que um blend de limão e mandarina criam o aspecto cítrico adocicado. As especiarias ficam de fundo contribuindo com um toque picante adocicado. Nas base, um patchouli mais moderno reforça a sensação de doçura melíflua da bebida enquanto musk, labdanum e um 'toquezinho' de musgo criam uma base moderna, leve e com um quê de chypres clássicos.

Acho incrível como cada elemento sustenta a ideia do drink do começo ao fim, criando uma abstração que te remete a uma combinação de bebida de cola, rum e limão ao mesmo tempo que você percebe que está usando um perfume e não um drink. Esse é aliás um triunfo da coleção como um todo, mas que fica tão elegante e tão claro em Rosa Libre que vale a pena ressaltar nele. Isso sem mencionar a excelente projeção e duração na pele. Se eu tivesse que resumi-lo em uma palavra, seria: Maravilhoso.

English:

We have two other fragrances of the collection that inspired long texts and require no introduction. We will go again direct to the descriptions:

Jasmiña Colada

Despite the drink that inspires the composition being popular we don't know exactly the origin of Piña Collada, creation blending pineapple, rum and coconut milk, with some variations using condensed milk to replace the coconut. It is one of my favorite drinks, especially due the harmony of its sweetness with the fruity aroma and  thealcoholic aspect of composition. In Jasmiña Collada, Daniel conceptualizes the drink in a floral composition of lactonic, vanillic and musky nuances.

The opening is a more challenging part of the composition and I imagine that not everyone will like it. Many of the synthetic available to play pineapple aroma have bitterest secondary nuances that refer to galbanum and is visible this contrast between the fruity pineapple acid and the bitter green tones. These, however, go away and one gets then the smell of pineapple which is not overripe neither too green.

The Jasmine present in the name is an important element to give the creamy lactonic nuance to the  composition and it appears better as the scent evolves into the body and base notes. At times it is more delicate, in others more lactonic, but always present, wrapped in musks and the milky aspect of sandalwood in the base. The overall work gives me a strange feeling, something that is exotic and challenging but at the same time cozy and easy in its evolution. It's not one of my favorites in the collection but it is an interesting creation, I do not remember other perfumes that combine pineapple with a woody floral structure where Jasmine predominates.

Rosa Libre

One of the interesting things and we do not pay attention in relation to Coca-Cola is the composition of the aromatic point of view. One of the first exercises in a natural perfumery course I started to do in 2015 was to identify the scent of cola. It's not as simple as it may seem (at least to me) but you can identify citrus nuances and spicy that makes up the formula, besides the most obvious aspect, the sugar. Coca-Cola is the basis of Cuba Libre, a drink that strengthens in one hand its sugary aspect with the addition of rum and on the other side its citrus appearance with lemon. In Rosa Libre Daniel Barros explores this drink from the point of view of the queen of the perfume flowers, the rose.

The idea in my opinion is great and despite the collection as a whole being very good for me Rosa Libre is the masterpiece of the 12 first perfumes launched by Daniel. We are facing a cohesive and intelligent design that still manages to bring the wealth of classic perfumes. In particular, Rosa Libre brings me to one of the landmarks of north-american perfumery, Youth Dew, and finally makes me see the Coke nuance that many mention in Youth Dew and for me has always got lost, perhaps due to high animalic load in the composition.

The rose here is an essential protagonist to pass both the sensation of Coca Cola as the rum one. There is a variety of Rosa damascena having this liqueur aspect more evident, probably due to the greater presence of damascones the composition (molecules with a fruity and liqueur smell). Its petals are the focal point for developing the citrus and spicy dynamic that create the impression of the drink. Aldehydes are present to bring the effervescence of the beverage while a blend of lemon and mandarin create the sweet citric aspect. Spices are at the background contributing with a sweetish spicy touch. In the base, a more modern patchouli reinforces the sense of honeyed sweetness of the drink while musk, labdanum and a little touch of moss create a modern base, light and with a hint of a classic chypre.

I find amazing how each element supports the idea of the drink from the ​​beginning to the end, creating an abstraction that refers you to a combination of cola, rum and lemon while you realize you are using a perfume and not a drink. This is indeed a triumph of the collection as a whole, but that is as elegant and clear in Rose Libre and thus worth mentioning. And we are not mentioniong the excellent projection and duration on the skin. If I had to summarize it in one word, it would be: Wonderful.