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6 de set de 2016

Daniel Barros Barista Cuir Mojito e Sex On The Peach - Fragrance Reviews


Eu creio que é possível dizer que o processo de criar, usar, testar e conhecer diferentes perfumes é parecido com o de criar, conhecer e experimentar diferentes drinks. Ambos exigem que você tenha um cuidado para não conhecer muitos de uma vez com o perigo de saturar o olfato (para os perfumes) ou de se embriagar e não ser capaz de distinguir as características das bebidas. Além disso, ambos os requerem ingredientes bons para que se tenha um excelente resultado - ter apenas a receita ou fórmula não garante um bom resultado final. E por fim, ambos exigem a habilidade e a criatividade para o resultado final ser prazeroso e memorável. Conforme você vai testando cada perfume da coleção barista percebe que o Daniel foi bem sucedido em unir esses dois mundos conforme sua visão criativa. Cada drink com diferentes personalidades, exigindo o teste com paciência para decifrar suas nuances. Cuir Mojito e Sex on The Peach são os drinks dessa rodada na nossa jornada de apreciação.

Sex on the Peach: eu diria que esse integrante da coleção está entre os com mais chance de ter uma reação polarizante e do trio de fragrâncias sensuais que eu citei anteriormente ele é o mais sensual. A inspiração vai além do drink Sex on the Beach, uma bebida que se popularizou na década de 90 e que foi criada numa competição entre bares por um bartender da Florida que misturou um grenadine, vodka, suco de laranja e um destilado alcóolico de pêssego e que nomeou o drink pensando nos motivos pelos quais as pessoas passavam férias na Flórida. Sex on The Peach resgata esse lado alcóolico de pêssego e frutas cítricas e acrescenta algo mais sensual a composição, que acaba o tirando da zona de conforto e o tornando mais interessante. O uso do cominho e indol acaba trazendo o aspecto sexual presente no nome do drink sem torná-lo algo pesado ou sujo. As flores brancas contribuem para uma aura quente e de verão e o acorde de pêssego, frutas cítricas e musk trazem uma maciez e uma textura frutal lactônica que é aconchegante e viciante de se sentir. De uma forma inusitada Sex on The Peach consegue te levar na imaginação ao ambiente no qual o drink foi criado - é fácil imaginar os aromas de destilados frutais em coquetéis e o seu cheiro se misturando a nuances florais das loções para bronze e uma sugestão (bem controlada, diga-se de passagem) do odor corporal das pessoas aproveitando a praia num dia quente de verão.

Cuir Mojito:  Esse é um dos meus favoritos da coleção e que continua prazeroso a cada dose. Tenho uma birra com perfumes inspirados em mojito ou drinks com alto teor cítrico. Ou eles acabam de forma tediosa, carregados em musks e materiais amadeirados transparentes, ou simplesmente concentram seus esforços na explosão cítrica e refrescante da saída e desaparecem depois. A proposta que o Daniel teve para evitar isso é combinar os prazeres da mistura de limão, rum e menta com um acorde de couro entre um couro mais clássico e um couro mais moderno. É possível perceber logo de cara esse lado mais moderno com uma aroma um pouco plástico/envernizado de couro servindo de pano de fundo para o frescor mentolado e cítrico que se desenvolve. O couro vai se tornando mais evidente, acompanhado de um acorde floral luminoso e que retém o frescor aromático e mentolado. Na base uma surpresa, o couro mais moderno dá espaço para uma interpretação contemporânea de uma couro chypre, algo um pouco powdery, terroso e emborrachado. É uma proposta interessante no final das contas - esse seria um aromático cítrico couro ou um chypre couro aromático? O aroma duradouro e complexo na pele abre margem para ambas interpretações.

English:

I believe it is possible to say that the process of creating, using, testing and knowing different perfumes is similar to the one of creating, knowing and trying different drinks. Both require you to have a care not have many at once with the danger of saturating the olfact (for perfumes) or getting drunk and not be able to distinguish the characteristics of each beverage. In addition, both require good ingredients in order to have an excellent result - just having the recipe or formula does not guarantee a good end result. Finally, both require skill and creativity to have something which is pleasurable and memorable. As you test each perfume in barista collection you realize that Daniel was successful in uniting these two worlds in his creative vision. Each drink has a different personality, requiring the test with patience to decipher its nuances. Cuir Mojito and Fri on The Peach are the drinks in this round of our  appreciation journey.

Sex on the Peach: I would say that this member of the collection is among the most likely to have a polarizing reaction and from the sensual fragrance trio I mentioned earlier it is the most sexy one. Inspiration goes beyond the Sex on the Beach, a drink that became popular in the 90s created for competition between bars by a bartender in Florida that mixed grenadine, vodka, orange juice and peach alcoholic distilled and named the drink thinking of reasons why people vacationed in Florida. Sex on The Peach rescues this alcoholic side of peach and citrus and adds something more sensuous to the composition, which in the end takes it out of the comfort zone and make it interesting. The use of cumin and indole just bringing this sexual aspect of the drink's name without making it something heavy or dirty. White flowers contribute to a warm, summer aura and the accord of peach, citrus and musk bring a softness and a lactonic fruity texture that is cozy and addictive of smelling. In an unusual way Sex on The Peach can take you imagination to the environment in which the drink was created - it is easy to imagine the fruity distillate flavors in cocktails and the smell mixing with the floral nuances of bronze lotions and a suggestion (as well controlled, by the way) of the body odor of people enjoying the beach on a hot summer day.

Cuir Mojito: This is one of my favorite of the collection and that is pleasant at each dose. I have a tantrum with perfumes inspired in mojito or drinks with high citric content. They either end in a tedious way, loaded into musks and transparent woody materials, or simply concentrate their efforts on citrus and refreshing burst at the opening and then disappear. The proposal that Daniel had to avoid this is to combine the pleasures of the mixture of lemon, rum and mint with a leather accord between a more classic leather and a more modern one. You can see right away the most modern side with a smell a little plastic /varnish leather serving as a backdrop for the minty freshness and citrus that develops. The leather becomes more evident, accompanied by a bright floral accord that retains the aromatic and minty freshness. At the base you have a surprise, the most modern leather gives room for a contemporary interpretation of a chypre leather, something a little powdery, earthy and rubber like. It is an interesting proposal in the end -  would this be a citrus aromatic leather or an aromatic leather chypre? The longlasting and complex aroma on the skin makes room for both interpretations.