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18 de set de 2016

Daniel Barros Barista Choco Frap e Tonkaccino - Fragrance Reviews


Português (click for english version):

Choco Frap e Tonkaccino encerram minha jornada pela coleção de 12 bebidas idealizada e executada pelo Daniel. Eu diria que é uma jornada que vale a pena ser percorrida em toda sua extensão, mas que se for editada eu espero que minha visão possa ajudar. Todos eles sem exceção são interessantes, em maior ou menor grau e conhecer um por um pode levar a surpresas em relação aos que se esperaria gostar. Vamos a parte final:

Choco Frap
Apesar de muitos dos perfumes da coleção Barista serem inspirados em bebidas alcoólicas há uma parte da coleção que se dedica a combinações onde não há uma presença etílica evidente. Chocofrap forma junto com lavender chai e tonkaccino o trio "liberado para menores de 18 anos". Enquanto lavender chai homenageia o chai e o tonkaccino o café, chocofrap é um ode a um perfume chocolate com uma textura olfativa de um milkshake.

Tipicamente o chocolate em perfumes costuma ser explorado de duas formas: ou envolto em materiais que o tornam bem doce e açucarado ou com seu aspecto mais amargo e terroso atrelado a patchouli. Em Chocofrap nós vemos uma terceira dimensão do chocolate, o seu lado mais aerado e powdery. É ainda possível perceber seu aspecto mais dark e até mesmo seu lado adocicado e vanílico, só que eles são postos a serviço de uma composição que equilibra nuances lácteas, aspectos frescos e cítricos, tons de coco e a cremosidade necessária e esperada de um milkshake. Na base é possível perceber o sândalo e os musks atuando para sustentar a sensação láctea e cremosa que permeia o perfume como um todo.

Apesar da bebida que o inspira não ser algo pouco calórico Chocofrap acaba funcionando como um gourmand light comparado com o perfil típico dessa família olfativa. Seu charme e segredo está justamente na justaposição de texturas olfativas de diferentes materiais que juntos criam uma aura bem aconchegante e macia de chocolate areado, cremoso e levemente gelado.

Tonkaccino

Ter deixado Chocofrap e Tonkaccino por último para avaliar foi uma escolha intencional de minha parte. Ambos são integrantes da coleção que assim como lavender chai não representam a exploração de drinks/bebidas alcóolicas. Além disso, eles ficam no meio do caminho em territórios gourmands, com ideias que costumam receber uma dose pesada de açúcar e que aqui ganham mais maturidade, textura e complexidade em suas interpretações.

Tonkaccino tem elementos que poderiam levá-lo a uma versão não floral e doce de um chypre moderno, mas a forma como os aromas são justapostos é feito para evidenciar o contraste de aromas em um cappucino. A bebida aqui é representada pelo seu lado mais lactônico, o especiado quente e aconchegante, o tom adocicado de chocolate em pó e o aspecto torrado e seco do café.

A primeira impressão que se tem é justamente o aroma mais torrado de café, um dos meus cheiros favoritos e que facilmente se perde em perfumes com café por causa das notas gourmands. Aqui ele se preserva e acaba fazendo uma fusão ao longo da evolução com o cheiro mais seco e ambarado das madeiras que estão no fundo. Mas no primeiro momento ele é bem intenso e evidente, se misturando logo de cara com um contraste de especiarias quentes e frescas devido ao uso da canela e cardamomo. Conforme Tonkaccino evolui, percebe-se o lado mais adocicado e com nuances de caramelo na composição, que termina por fim em uma base chypre almiscarada que não se torna muito doce devido as madeiras ambaradas que puxam o centro de gravidade do aroma em uma direção mais seca.

Tonkaccino é talvez um dos que pareça mais literal em sua execução a princípio, tornando-se mais abstrato conforme evolui na pele. Não é necessariamente um que você ama ao sentir todos os integrantes, mas a apreciação por ele cresce ao longo do tempo.

English:

Choco Frap and Tonkaccino enclose my journey through the collection of 12 drinks idealized  and performed by Daniel. I'd say it's a journey that is worth being covered throughout its length, but if it is edited I hope my vision can help. All of them without exception are interesting to a greater or lesser degree and meet one by one can lead to surprises in relation to what one would expect like. Let's end it so:

Choco Frap

Although many of the perfumes of the Barista collection are inspired by alcoholic beverages there is a part of the collection dedicated to combinations where there an alcohol presence is not necessary. Chocofrap form along with lavender chai and tonkaccino the trio "liberated to people under 18 years." While lavender chai honors tea and tonkaccino coffee, chocofrap is an ode to a perfume chocolate with a texture of a milkshake.

Typically chocolate perfumes are often explored in two ways: either wrapped in materials that make it very sweet or with dark and unsweetened with its most bitter and earthy aspect linked to patchouli. In Chocofrap we see a third dimension of chocolate, its most aerated and powdery side. It is still possible to see its darker aspect and even its sweet and vanillic side, only they are put at the service of a composition that balances lactic nuances, fresh and citrus aspects, coconut tones and the necessary and expected creaminess of a milkshake. At the base you can see the sandalwood and musks acting to sustain milk and creamy feeling that pervades the perfume as a whole.

Despite the drink that inspires not be something short in calories Chocofrap just acts as a light gourmand compared to the typical profile of this olfactory family. Its charm and secret lies precisely in the juxtaposition if olfactory textures of different materials that together create a very warm and soft aura of an airy, creamy and slightly icy chocolate milkshake.

Tonkaccino

Leaving Chocofrap Tonkaccino to evaluate in the end was a deliberate choice on my part. Both are members of the collection as well as lavender chai that do not represent the core exploration of alcoholic drinks and beverages. Moreover, they are in the midway of gourmands territories, with ideas that usually receive a heavy dose of sugar and here come with more maturity, texture and complexity in their interpretations.

Tonkaccino has elements that could take you into a non-floral and sweet version of a modern chypre, but the way the aromas are juxtaposed is made to highlight the contrasts in a cappucino. The drink here is represented by its lactone side, the warm and cozy spicy, the sweet aspect of chocolate powder and the roasted and dry aspect of coffee.

The first impression one gets is just a crisp and dark aroma of coffee, one of my favorite smells and which easily gets lost in perfumes with coffee because of gourmand notes. Here it preserves and ends up making a fusion through evolution with drier smell of amber woods that are in the background. But at first it is very intense and clear, mixing right away with a contrast of hot and fresh spices due to the use of cinnamon and cardamom. As Tonkaccino evolves, you can see the side more sweet and caramel nuances in composition, ending finally in a chypre musky base that does not become too sweet because the ambery woods pull the center of gravity of the aroma in a  more dry direction.

Tonkaccino is perhaps the one that seems more literal in its execution at first, becoming more abstract as it evolves on the skin. It is not necessarily one that you love since you try all members of the collection, but the appreciation for it grows over time.