Pesquisar este blog

25 de set de 2016

Christian Lacroix EDP - Fragrance Review


Português (click for english version):

Por mais que o estilista Christian Lacroix tenha sido chave no mundo da alta-costura com seu estilo extravagante e elaborado no mundo da perfumaria a Lacroix nunca foi um sucesso. Minha impressão é de que o estilista nunca conseguiu se adaptar ao estilo minimalista dos anos 90 ou a criatividade que corria em paralelo nessa época. E isso se reflete claramente na criação de sua fragrância de 1999, feita pela renomada perfumista Sophia Grosjman.

A impressão que eu tenho é que há um conflito de estilos aqui entre o estilo das criações de Grosjman e o que Lacroix deseja. É como se tivesse sido solicitado a Grosjman trazer sua base macia, almiscarada, atalcada e levemente adocicada para um contexto de extravagância e intensidade. Só que os dois aspectos sofrem para se entender.

A saída é um momento estranhíssimo em Lacroix, uma criatura que tem uma face jovem e uma face enrugada ao mesmo tempo. Há um quê quase infantil por um aroma que remete muito a cerejas ao mesmo tempo que há um aroma forte atalcado com um acorde de orquídea bem retrô. Isso sem contar o aspecto bem amargo de um misto de flor de cravo e lírio que parece ter sido inspirado na ideia do perfume Eternity (também de Grosjman) mas sem o frescor aquático desse. Passado essa fase de conflitos e choques, Lacroix se encaminha para a base tradicional de Grosjman, um aroma amadeirado aveludado, com toques discretos de baunilha e bastante musk para garantir a maciez que levou a sua assinatura olfativa a ser chamada de "Hug Me Accord", pois é como seus perfumes abraçassem a pele de quem os veste.

Talvez alguns ajustes tivessem tornado Lacroix EDP um projeto bem mais interessante e de sucesso, só que do jeito que foi lançado o estilista não se deu conta talvez de que seu perfume é uma peça de alta-costura, algo para agradar um gosto bem específico, mas não uma distribuição massificada

English:

While the designer Christian Lacroix has been a key element in the high-fashion world with his extravagant and elaborate style in the world of perfumery Lacroix has never been a success. My impression is that the designer has never managed to adapt to the minimalist style of the 90s or the creativity that ran in parallel at this time. And this is clearly reflected in the creation of its fragrance in 1999, made by the renowned perfumer Sophia Grosjman.

The sensation I have is that there is a styles conflict here between the style of Grosjman creations and what Lacroix wants. It is as if he had been asked to bring the, musky, powdery and slightly sweet Grosjman soft base fora context of extravagance and intensity. But the two sides struggles to get together.

The opening is the oddest moment in Lacroix, a creature that has a young face and a wrinkled one at the same time. There is something almost childlike by an aroma that reminds you a lot of cherries while there is a strong powdery aroma with a very retro orchid accord. Not to mention the very bitter aspect of mix between a carnation flower a lily that seems to have been inspired by the idea of ​​Eternity perfume (also Grosjman) but without the acquatic freshness of this one. Past this stage of conflicts and clashes, Lacroix is ​​heading to the traditional Grosjman base, a velvety woody aroma, with subtle touches of vanilla and enough musk to ensure softness which led to her signature fragrance accord to be called "Hug Me Accord" because it is like the perfume embraced wearer's  skin.

Maybe some adjustments would make Lacroix EDP a much more interesting design and success, but the way it was released the designer did not realize perhaps that his perfume is a couture piece, something to please a very specific taste, but not a mass distribution.
.