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20 de set de 2016

Carven Vétiver e L'occitane Eau de Vetyver - Fragrance Reviews



Carven Vétiver
É um testamento a resistência masculina para o novo no mundo da perfumaria que durante os anos de ouro da perfumaria os avanços e inovações se concentraram basicamente na perfumaria feminina, com a masculina servindo apenas para completar o ritual de toilette e barbear. Digo isso pois apesar do vetiver tanto sintético como natural ser um material típico da perfumaria feminina nessas primeiras décadas na masculina ele nunca teve um grande momento até que a Carven abrisse o caminho lançando em 1957 seu icônico Vetiver. O contraste entre o aroma amadeirado e esfumaçado da raiz com a mescla do frescor das frutas cítricas, o calor resinoso, aspecto aromático clássico da lavanda e o tom picante de tabaco foi um sucesso tal que levou uma de suas concorrentes a criar algo similar, o Guerlain Vetiver de 1959.

Esse perfume também é um exemplo de como uma perfumaria criativa e singular precisa de uma administração que se importe para que o patrimônio seja preservado. Carven é uma das marcas que sucessivamente teve mudanças de fórmula e frasco de forma que fica difícil identificar a época de determinadas criações suas. E parece ser um consenso que ao longo das administrações da marca a preocupação com a coerência olfativa de seus clássicos nem sempre foi respeitada.

A versão que eu testo hoje eu suspeito que seja posterior aos anos 2000, mas nada que dê para confirmar - ela é um frasco quadrado de vidro, transparente mas com uma leve tonalidade verde no vidro. Ela me remete bastante a harmonia e riqueza de uma versão bem mais antiga da década de 80 que eu cheguei a conhecer. Todos os elementos que fazem o Carven Vetiver clássico estão aqui: você sente o aspecto spicy que te remete a tabaco, o aroma resinoso, atalcado e levemente adocicado, o cítrico fresco e um pouco amargo do grapefruit, o aroma clean de lavanda e a grande estrela, o aroma amadeirado, terroso e seco de vetiver. O que me parece que falta talvez é a harmonia do original, que tendia um pouco mais para os cítricos e o aroma powdery. Ainda sim, uma versão que é condizente com um perfume histórico e importante, um precursor da grande quantidade de vetiver que temos no mercado atualmente.

L'Occitane Eau de Vetyver
Por mais que eu me esforce a francesa L'Occitane é uma marca da qual raramente consigo gostar no mundo da perfumaria. Nos preços que são praticados aqui eles me levam a expectativas que não são atendidas - ou o perfume não dura, ou é simples demais ou é o caso do Eau de Vétyver, que me parece pesadão, massudo, desengonçado. A combinação de cedro, vetiver e noz-moscada me remete a um fougere spicy básico, algo talvez dos anos 70 ou começo dos anos 80. Só que falta contraste no aroma, que fica bem esfumaçado, bem seco, bem negro. Isso num primeiro momento, num segundo do nada parece que a fórmula se desmantela e vai para a direção totalmente oposta, como se fosse um outro perfume, virando um amadeirado ainda seco porém discreto, leve, quase mineral. É um perfume, na minha opinião, sem coração.

English:

Carven Vétiver
It is a testament to male resistance to the new in the world of perfumery that during the golden years of perfumery advances and innovations focused primarily on female fragrances, with male ones serving only to complete the toilette and shaving ritual. I say this because although the vetiver both synthetic and natural was  a typical material of the female fragrance in those first decades in the men it never had a great moment  Carven opened the way in 1957 by launching its iconic Vetiver. The contrast between the woody, smoky aroma of the root with the blend of freshness of citrus fruits, the warm of resins, the classic aromatic aspect of lavender and spicy tobacco aspect was such a success that led one of its competitors to create something similar, the Guerlain Vetiver in 1959.

This perfume is also an example of how a creative and unique fragrance needs a management that cares for the heritage to be preserved. Carven is one of the brands that had successively changesin formula and bottle so that it is difficult to identify certain time of their creations. And it seems to be a consensus that over the administration of the brand the concern with the olfactory coherence of its classics was not always respected.

The version I test today I suspect that is after the 2000s, but nothing to take to confirm - it is a square bottle glass, transparent but with a slight green tint in the glass. It brings me quite harmony and richness of a much older version of the 80's I got to test in the past. All the elements that make the classic Carven Vetiver are here: you feel the spicy tobacco aspect, t he resinous, powdery and slightly sweet aroma, the fresh and slightly bitter citrus grapefruit thing, the clean scent of lavender and the great star, the woody, earthy and dry aroma of vetiver. What I find missing is perhaps the harmony of the original, which tended a little more to the citrus and powdery parts. Still, a version that is consistent with a historical and important perfume, a precursor of the large amount of vetiver we have in the market today.

L'Occitane Eau de Vetyver

As much as I strive me the French L'Occitane is a brand which I can rarely like in the world of perfumery. Prices that are practiced here lead me to expectations that are not met - or their scents barely last, or is they are too simple or it's something like the case of Eau de Vetyver, which seems hulking, heavy, lanky. The combination of cedar, vetiver and nutmeg brings me to a basic spicy fougere, something perhaps 70s or early 80s only missing contrast in the aroma, which is very smoky, very dry and dark. This at first, a second nothing seems that the formula dismantles and goes to the totally opposite direction, as if it were another perfume, turning an even dry woodsy yet unobtrusive, light, almost mineral. It's a perfume, in my opinion, without heart/body.