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3 de ago de 2016

Zoologist Perfumes Beaver 2016 - Fragrance Review



A Palavra reformulação ganhou ao longo dos últimos anos uma conotação assustadora e triste para um apaixonado por perfumes. Com a busca pela eficiência operacional e adequação as leis européias que frequentemente atualizam o que pode e não pode ser usado a única certeza que se tem hoje é que dificilmente um perfume se manterá muito tempo do jeito que foi concebido. A dificuldade, porém, é conseguir adequar e manter a mesma performance de um aroma, o que nem sempre é feito da melhor forma possível considerando que o mercado atual é movido a novidades e não a pequenos nichos de fidelidade a determinados perfumes.

Nem sempre, porém, a reformulação é movida por tais circunstâncias. Um perfume pode simplesmente não cair no gosto do público por ter um aspecto muito desafiador e parecer vanguardista demais. E por mais que perfume seja e tenha características de arte, sua principal finalidade é ser utilizado e não permanecer encalhado no estoque de uma loja física e virtual. Por isso, consigo entender a motivação pela qual Victor Wong comissionou o perfumista Chris Bartlett para uma nova versão de Beaver, um Zoologist não muito popular.

Confesso que estava curioso com relação ao trabalho que seria feito em Beaver, para saber se o perfume se manteria interessante apesar de tentar ser mais comercial. Isso de fato aconteceu e por mais que Beaver não tenha uma saída mais animálica e desafiadora como o original isso não significa que seu perfume se tornou comum. O trabalho feito é interessantíssimo, uma espécie de couro floral de nuances aquáticas e que mantém um leve quê animálico e oleoso.

A nova saída de Beaver possuí um caráter fresco, aldeídico e levemente aquático sem ter um cheiro de perfume esportivo masculino (que eu em geral desgosto). Beaver soa meio primaveril nesse aspecto para mim, que se desenvolve para um lado mais floral, uma espécie de floral cítrico com nuances de muguet e lírio. E conforme o tempo passa, o aroma de couro, musks e notas animálicas se torna um pouco mais evidente na pele e é possível perceber ainda a inspiração no castor, porém de uma forma mais abstrata. É interessante que nessa fase Beaver me faça lembrar o acorde abstrato de musk e couro de perfumes como Dolce & Gabbana By Man e Helmut Lang Cuiron, porém com uma projeção e performance que eu nunca encontrei nesses perfumes citados.

Na minha avaliação original para o perfume Beaver eu citei que os Castores são conhecidos por serem animais dóceis e com comportamento similar ao comportamento humano no sentido de serem modificadores do ambiente onde habitam para garantir sua sobrevivência. A nova versão de Beaver acaba cumprindo metaforicamente essas duas características ao mostrar um perfume interessante e dócil e que se adaptou as exigências mercadológicas. É um bom case de um trabalho de reformulação feito com cuidado e com uma boa nova interpretação do conceito.

English:
The Word reformulation gained over the past years scary and sad connotations for a perfume lover. With the pursuit of operational efficiency and adequacy to European law that often update what you can and can not use the only certainty that we have today is that hardly a perfume will remain for a long time the way it was conceived. The difficulty, however, is to adapt and maintain the same performance of a scent, which is not always done as best as possible considering that the current market is boosted by novelty and not by small niches of loyalty to certain perfumes.

Not always, however, the reformulation is driven by such circumstances. A perfume can not simply fall into the public taste by having a very challenging aspect and seem too avant-garde. And as much as perfume is and has art features, its main purpose is to be used and not remain stuck in the stock of physical and virtual store. So, I can understand the motivation for which Victor Wong commissioned perfumer Chris Bartlett to a new version of Beaver, one not so popular from Zoologist line.

I confess I was curious about the work that was  done in Beaver, to know whether the perfume would remain interesting despite trying to be more commercial. This in fact happened and altough Beaver does not have an animalic and challenging opening anymore as the original it does not mean that its aroma became common. The work done is very interesting, a kind of floral leather with aquatic nuances that keeps a light hint of something animalic and oily.

The new Beaver opening possess a cool, aldehydic and lightly acquatic character without having a smell of male sports scent (which I usually dislike). Beaver sounds kind of spring in that respect for me, something that develops into a more floral impression, a kind of citrus floral with nuances of muguet and lily. And as time passes, the aroma of leather, musks and animalic notes becomes a little more obvious on the skin and you can still see the inspiration in Beaver, but in a more abstract way. It is interesting that at this stage Beaver reminds me the abstract  musk leather  perfume accord of fragrances like Dolce & Gabbana By Man and Helmut Lang Cuiron, but with a projection and performance that I never found in those cited perfumes.


In my original review for Beaver scent I mentioned that the Beavers are known to be docile animals and similar in human behavior to towards being modifiers of the environment which they live to ensure their survival. The new version Beaver metaphorically fulfill these two characteristics by showing an interesting and kinder scent adapted to the public tastes. It is a good case of a  reformulation work done with care and with a good new interpretation of the concept.