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29 de ago de 2016

Pell Wall Perfumes Jacinth e Elavo - Fragrance Reviews


Português (click for english version): 

Num mundo com muitos lançamentos disponíveis para todos os gostos é bem fácil se perder com tudo que está disponível ao seu alcance. Faz quase um ano que conheci pela primeira vez os perfumes que Chris Bartlett compõe e voltar uma segunda vez a suas criações é mais uma jornada reveladora em sua marca. A Pell Wall é uma preciosidade no segmento indie, uma marca capaz de explorar conceitos mais singulares mas com uma execução impecável. Para quem gosta de perfumes onde é possível aliar clareza na composição a um aspecto duradouro os dois que eu avalio hoje cumprem de forma magnífica isso.

Jacinth: há flores na perfumaria que encarnam toda a sensualidade da alma das flores. Outras, como a rosa, parecem mostrar a versatilidade e nobreza das flores. Já o Jacinto me faz pensar em um glamour vintage e em tons de sépia que parece ter saído de moda com o tempo. A interpretação que Chris faz da flor resgata isso trazendo-a para um colorido moderno, criando um floral com um toque vintage mas uma base menos carregada e sem aspectos animálicos Mas é possível perceber claramente a inspiração clássica em um tema que começa aldeídico, fresco e limpo, asseado e bem arrumado. Há toques verdes e um floral comportado e muito bem feito, que irradia um cheiro levemente metálico, seco e ao mesmo tempo envolvente. Os musks da base e a leve tonalidade de incenso e madeiras completam a temática de uma forma chic, discreta e duradoura.

Elavo: criar um perfume que seja o máximo possível hipoalergênico é uma tarefa difícil e que limita a palheta de materiais disponíveis ao perfumista. Por isso não esperava muita coisa dessa criação do Chris Bartlett e acabei sendo surpreendido pelo que senti na pele. Elavo promete um perfume que seja interessante e com nuances de notas frutais e amadeiradas e entrega justamente isso. É bom ressaltar que são frutas e madeiras refinadas, abstratas e luminosas, uma interpretação primaveril do tema. A saída me passa um tom frutal fresco, quase aquático, mas que soe artificial. É como se vc sentisse uma impressão frutal mas vindo do nectar de flores sendo carregado pelo vento em um dia de primavera. Há uma leve nuance de mel floral também, nada que soe narcótico ou denso como flores brancas, mas é possível perceber essa aura abstrata floral melíflua exalando da pele. A base passa um aroma amadeirado que me remete ao cheiro de madeira serrada só que uma madeira de maior qualidade, sem um cheiro tão áspero/grosseiro. De fato é um perfume floral bom para ser compartilhado, o tom primaveril aliado ao aspecto amadeirado da base pode agradar a ambos os sexos.

English:

In a world with many releases available for everyone it is easy to get lost with everything available at your fingertips. It's been almost a year since I first met the perfumes composed by Chris Bartlett and a second time return to his creations is just another revealing journey in his brand. The Pell Wall is a gem in the indie segment, a brand able to explore the most unique concepts but with a flawless professional execution. For those who like perfume where you can combine clarity in composition to a longlasting aspect the two that I review today meet magnificently those requirements.

Jacinth: there are flowers in perfumery that embody all the sensuality of the soul of flowers. Others, such as rose, seem to show the versatility and nobility of flowers. Hyacinths, on the other hand,  makes me think of a vintage glamor in sepia tones that seems to have gone out of fashion with time. The interpretation that Chris makes of this flower rescues that bringing it to something more modern and colorful, creating a floral with a vintage touch but a base less charged and without animalic aspects But you can clearly see the classic inspiration in a theme that begins aldehydic, fresh and clean, neat and tidy. There are green touches and a well behaved  floral which is very well execute, radiating a slightly metallic, dry and at the same time engaging smell. The musky base and the light touch of incense and woods complement the theme with a chic, discreet and lasting impression.

Elavo: creating a scent that is the most hypoallergenic as possible is a difficult task and one limiting the palette of materials available to the perfumer. So I did not expect much of this  Chris Bartlett creation and ended up being surprised by what I felt on the skin. Elavo promises a perfume that is interesting and with nuances of fruity and woody notes and delivers just that. It is good to note that those fruits and woods are  refined, abstract and ligh, a spring interpretation of the theme. The opening gives me a cool fruity tone, almost aquatic, but that never sounds artificial. It's like if u feel a fruity impression but from the flower nectar being carried by the wind on a spring day. There is a slight floral honey nuance too, nothing that sounds as narcotice or dense as white flowers, but you can see this honeyed floral abstract aura exhaling from  skin. The base becomes a woody aroma that brings me to lumber smell only of a higher quality wood, something that doesn't smell so rough / coarse. It is indeed a good floral scent to be shared, the vernal tone combined with woody aspect of the base can appeal to both sexes.