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20 de ago de 2016

Explorando a Coleção: Lanvin Arpege Pour Homme, Lalique Hommage a L'Homme, Lolita Lempicka Au Masculin e Armani Eau de Nuit



Pode-se dizer que ao longo das décadas a perfumaria masculina foi ganhando seu destaque e importância dentro da indústria como um todo, que antes focava principalmente em agradar ao seu público mais rentável o feminino. Percebo que diferente de quando eu comecei a me interessar por perfumes o homem hoje está mais aberto a aceitar aromas diferentes, exige concentrações maiores e mais riqueza no que usa. Mesmo que o mercado masculino ainda seja muito repetitivo no que lança, com certa frequência percebo composições que ousam um pouco mais em seu cheiro. Nem todas permanecem em linha, mas vale a pena explorar algumas que conheci e gostei durante minha jornada.

Lanvin Arpége Pour Homme: é interessante que o parceiro masculino do clássico feminino Arpége tenha nascido apenas 78 anos depois, talvez pelo fato do feminino ter se tornado em sua época um aroma tão clássico que os cavalheiros provavelmente não se sentiriam confortáveis usando algo com o nome dele. Como em 2005 isso não faz tanta diferença, foi criado em Arpége Pour Homme algo que segue os passos da tendência powdery amadeirada começada um ano antes em Dior Homme. A Lanvin segue uma abordagem um pouco mais segura e em vez de criar um acorde atalcado bem evidente ela trabalha a progressão dele na pele. Arpége Pour Homme começa com um quê cítrico e clean em contraste com um aroma especiado fresco, com a pimenta rosa acrescentando um leve aspecto frutado picante. A partir desse ponto vai surgindo um acorde de iris entre o atalcado e o amadeirado e junto com o ele se desenvolve um acorde de tonka e baunilha, dando um lado mais adocicado. A base se mostra de um amadeirado cremoso, um pouco mais seco em alguns momentos e mais almiscarado em outros. Apesar de não ser uma obra-prima como seu parceiro feminino, Arpége Pour Homme surpreende pelo equilíbrio e sofisticação de sua bem pensada composição.

Lalique Hommage a L'Homme: a casa de cristais Lalique tem investido bastante na sua linha de perfumes desde o começo da década de 2000 e me agrada que a casa dedique a mesma qualidade artística tanto para a sua linha masculina como para a feminina. Hommage a L'Homme parece não ter caído na graça do público da mesma forma que Encre Noire mas essa composição feita em 2011 para comemorar os 20 anos da linha de perfumes da Lalique em nada deixa a desejar. Eu não costumo ser muito fã de perfumes de violeta para o público masculino, pois para mim na maioria das vezes a busca pelo frescor combinada com a pressão pelo custo baixo na fórmula produz acordes de violeta que lembram cheiro de desodorante. Não é o caso aqui e Hommage a L'Homme é um ode as violetas em contraste com um aroma amadeirado moderno. É interessante que a casa tenha escolhido elas para acompanhar um tema de agarwood e açafrão, explorando assim algo diferente. O acorde de agarwood construído aqui vai mais pelo caminho amadeirado e seco e ganha um aspecto exótico devido ao aroma doce, picante e sutilmente floral do açafrão. A violeta construída por cima dessa combinação tem um aroma que oscila entre seu lado mais suculento e quase frutal, o aspecto mais powdery e que lembra iris e o aroma meio aquático e fresco das folhas. É uma criação que me parece exótica, rica em aroma e ainda sem bem usável.

Lolita Lempicka Au Masculin: esse é uma das poucas criações mais diferentes da década de 2000 que sobreviveram ao longo dos anos para contar a história. É um perfume que consegue ser exótico e aconchegante ao mesmo tempo, uma característica que aparece em várias criações da perfumista que o compôs, Annick Menardo. Vejo uma linha de pensamento que Annick Menardo utilizou nele, em Bvlgari Black (1998) e em Hypnotic Poison, a ideia de trabalhar uma base que dependa basicamente de musks e baunilha para sustentar uma estrutura onde notas mais exóticos são usadas com parcimônia mas na medida o suficiente para criar personalidade. Em Au Masculin ela dá um aspecto mais amadeirado e de vetiver a essa base de musks e baunilha e cria a personalidade com um acorde de alcaçuz e anis, o que confere um aspecto mentolado, fresco e um pouco adocicado. Apesar de não declarado na pirâmide há uma ideia de lavanda funcionando para que o aroma amadeirado, anisado e doce não se torne pesado demais ou exótico demais. Ela preenche o meio da composição dando um frescor que em nenhum momento se torna funcional. Acho interessante o como minha percepção desse perfume mudou ao longo dos anos. Se você não sente a base dele parece que ele desaparece rapidamente, porém se você se torna consciente dos musks e acorde de vetiver dele percebe um aroma bem aconchegante e de boa duração na pele.

Armani Eau de Nuit: penso que a ideia do tema amadeirado atalcado de Arpege Pour Homme não se sobreviveu ao tempo mais pela má administração da imagem e distribuição da Lanvin do que pelo aroma em si. Veja que 8 anos depois a Armani lança ao relançar seu clássico Armani Pour Homme uma versão "noturna" chamada de Eau de Nuit e que segue praticamente a mesma progressão de Arpege Pour Homme. O que muda talvez é uma saída que favorece mais um aroma cítrico e fresco e menos o aroma das especiarias. A iris de ambos é trabalhada da mesma forma: envolta em toques de tonka e balanceando o lado mais atalcado com um aspecto mais amadeirado de alguns dos sintéticos utilizados para criar o aroma da iris na composição. Eau de Nuit é um pouco menos doce também na base, favorecendo mais um aroma de vetiver e musks e trocando o sândalo por um aspecto ambarado sutil. É uma criação que vai se tornando mais interessante conforme passa o tempo na pele e que apesar de ser posicionada como Noturna funciona muito bem no uso cotidiano.