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9 de ago de 2016

Explorando a Coleção: Lancôme Sagamore e Cuir de Lancôme




Dentro das marcas que eu explorei ao longo da minha vida de colecionador de perfumes a Lancôme tem um espaço similar ao da explorada ontem, Givenchy. É uma grife que nunca me chamou a atenção na oferta contemporânea de seus perfumes, que apesar de possuírem um apelo popular/de massa não me conquistam pela ausência de um conceito marcante ou de uma construção olfativa que demonstre muito mais do que a saída oferece. Os clássicos da marca, porém, demonstram um passado bem mais interessante. Dois dele me chamaram a atenção ao ponto de entrarem para a coleção e é eles que eu aproveito para escrever uma breve avaliação hoje.

Cuir de Lancôme (versão La Collection): Originalmente lançado com o nome de Cuir/Revolté, Cuir de Lancôme é uma boa oportunidade de conhecer o passado clássico da marca com um perfume feito originalmente em 1936. Ainda que a versão de 2007 da La Collection não possua a mesma fórmula da original é um bom representante do estilo sofisticado de perfumes da época. Similar em estilo ao Chanel Cuir de Russie, Cuir de Lancôme abre com um toque aldeídico que ilumina a parte mais floral branca. As flores trazem uma suavidade e complexidade ao cheiro mais cru de couro clássico e a mistura cria um aroma de couro clássico com um toque bem macio. O açafrão ajuda a dar um aspecto mais exótico, quente e levemente powdery que combina muito bem com as nuances de musk, patchouli e ambergris que finalizam a base. Em comparação com Cuir de Russie, a composição parece menos floral e atalcada e mais unissex por privilegiar o aroma do couro e das notas de base. É uma criação muito interessante e que apesar de descontinuada pode ser encontrada ainda por preços razoáveis.

Sagamore (versão anos 80): uma coisa que eu acho intrigante com relação ao posicionamento de mercado atual da Lancôme é a praticamente ausência de perfumes masculinos - ainda mais em um momento onde tal mercado demonstra crescimento e uma maior demanda por perfumes de boa performance e personalidade. No passado, porém, a marca teve bons perfumes clássicos e de bom gosto e Sagamore é um dos membros do repertório oitentista da marca. Essa década na perfumaria masculina foi marcada por fougéres e Sagamore é uma interessante mistura de um chypre com um fougére com elementos secundários de um perfume oriental. Há elementos cítricos na saída que se equilibram com o aspecto mais aromático e a impressão de coumarina e grama que um fougére remete. De fundo, é possível perceber a parte mais chypre - o aroma de musgo, a parte mais terrosa e a nuance de labdanum de fundo. Cravo e canela junto com um leve quê de baunilha ajudam a arredondar e acrescentar um aspecto mais misterioso a duas famílias clássicas, completando um perfume que se mostra equilibrado e multifacetado ao longo de sua evolução.

English:

Among the brands that I explored throughout my perfume collector's life Lancôme has a similar space to the one explored yesterday, Givenchy. It is a brand that never caught my attention in contemporary offering of its perfumes, which despite having a popular / mass appeal do not conquer me by the absence of a defining concept or an olfactory construction to show much more than the output It offers. The classics from the brand, however, demonstrate a past much more interesting. Two of them called my attention to the point they enter the collection and it is they that I take to write a short review today.

Cuir de Lancome (La Collection version): Originally released under the name Cuir / Revolte, Lancôme Cuir is a good opportunity to know the past classic of the brand with a perfume originally made in 1936. Although the 2007 version of La Collection does not have the same original formula is a good representative of the sophisticated style of scents of this time. Similar in style to Chanel Cuir de Russie, Cuir de Lancôme opens with a aldehydic touch that brightens the whitest floral part. Flowers bring a softness and complexity to the raw smell of classic leather and the mixture creates a classic leather scent with a very soft touch. Saffron helps give a more exotic, warm and slightly powdery appearance that blends well with the nuances of musk, patchouli and ambergris who complete the base. Compared to Cuir de Russie, the composition seems less floral and powdery and more unisex promoting an aroma of leather and base notes. It is a very interesting creation and that although discontinued can be found even at reasonable prices.

Sagamore (version 80): one thing I find intriguing about the current market positioning of Lancôme is virtually no male perfumes - even at a time when such market shows growth and increased demand for perfumes of good performance and personality. In the past, however, the brand had good classic perfume and taste and Sagamore is a member of the eighties repertoire of the brand. This decade in men's perfumes was marked by Fougeres and Sagamore is an interesting mix of a chypre with a Fougere with secondary elements of oriental perfume. There citrus elements in the output that are balanced with more aromatic appearance and a mixture of coumarin and grassy elements that links it to a Fougere. At the background you can see the most chypre part - a mossu scent, the more earthy part and a labdanum nuance. Cloves and cinnamon along with a light hint of vanilla help round and add a more mysterious aspect to both classic families, completing a perfume that shows balanced and multifaceted throughout its evolution.