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8 de ago de 2016

Explorando a Coleção: Givenchy Organza Indecence e Ysatis Parfum



Português (click for english version):

Quando se começa um blog com o objetivo principal de fazer avaliações de perfumes é bem fácil que você acabe acumulando ao longo dos anos várias amostras e frações de perfumes, foque nos lançamentos ou criações mais comentadas e acabe deixando de lado a coleção que acabou construído ao longo dos anos como apaixonado por perfumes. Talvez não seja tão fácil assim para os outros, certamente estou generalizando baseado na minha experiência, mas é como eu me sinto no momento. Por isso senti vontade recentemente de começar essa série. O objetivo dela é ser mais direto nas avaliações e tentar escolher um tema por dia para buscar na coleção e escrever algo legal sobre. O tema de hoje acabou sendo a maison Givenchy. É uma das que eu praticamente não tenho avaliações no blog pois nunca consegui gostar dos perfumes da grife. Há alguns poucos, porém, que se destacam para mim pelo caráter ousado e pelo perfume espetacular e coerente que apresentam. Exploro dois desses hoje: Organza Indécence e Ysatis Pure Parfum.

Givenchy Organza Indécence: Organza Indécence é outro daqueles perfumes descontinuados ou que se tornaram raros de se achar e que formaram uma parte interessante da transição entre os anos 90 e o início da década de 2000. Eu vejo essa época na perfumaria como um momento de criatividade, exploração e tomada de risco - o que talvez explique o motivo de muitos perfumes dessa época terem sido um a um descontinuados, por não seguirem os gostos de uma grande massa. Indécence é interessante por estar em um momento inicial de exploração dos flankers na perfumaria comercial e conseguir se destacar da fragrância que o originou, o mega floral oriental do Organza. A versão indecence basicamente constroí um oriental spicy moderno, compartilhável até, que gira ao redor basicamente de canela, baunilha e madeira de pau-rosa - aqui representada basicamente por um uso grande de linalol. A versão original do Indécence me parece um típico perfume que se iniciou nos anos 90 e se consolidou na década de 2000, uma criação linear, com bastante musk para sustentar uma aura constante, mas que constrói uma identidade sólida pelo uso pontual e bem colocado de elementos como especiarias e aromas frutados exóticos. É um perfume que se torna cada vez mais aconchegante com o tempo e que vai envolvendo quem o usa no calor de madeiras exóticas, baunilha cremosa e musks macios. É necessário tomar cuidado, porém, pois seu perfume é intenso e tão marcante quanto sua propaganda.

Givenchy Ysatis Parfum: Ysatis é, de certa forma, o Organza Indécence de sua época. Lançado no início da década de 80, é uma criação que carrega em si os aromas grandiosos e expansivos dos florais brancos e carnais voltados ao público feminino. É interessante, porém, que em Ysatis já há um indício da perfumaria mais linear que se desenvolveria ao longo dos anos 90, visto que na literatura técnica seu perfume é conhecido por um uso generoso de hedione e do musk galaxolide para sustentar a estrutura que é desenvolvida. É algo que não se percebe, visto que o que se desenvolve por cima tem uma personalidade dramática e inesquecível. Seu aroma não perde tempo e já abre com um buquê  floral branco complexo, marcado para mim principalmente pelo floral branco e luminoso (quase fluorescente) de tuberosa dos anos 80. Aldeídos são utilizados em uma ponta para trazer leveza e modernidade a ideia ao passo que o uso de civeta e do musgo (representado aqui pelo sintético evernyl) criam uma base musgosa e levemente animálica que dá profundidade e cria uma dicotomia entre carnalidade e austeridade que acompanha o complexo buquê floral branco que gira ao redor da tuberosa. Para mim é justamente esse aspecto chypre entre algo mais clássico e moderno que destaca o floral oitentista de Ysatis dos demais perfumes da mesma época.

English:
When you start a blog with the main goal of making perfume reviews it is easy that you end up accumulating over the years several samples and perfumes decants, focusing on releases or most commented creations and ending up leaving aside the collection that just built up over the years as the result of being a perfume lover. Well,  it may not be so easy for others, I am certainly generalizing based on my experience, but it's how I feel right now. Thus recently I feelt like starting this series.My goal is to be more direct in the reviews and try to choose a theme each day, search on my collection and write something nice about. Today's theme turned out to be the house of Givenchy. It is one that I have virtually no reviews on the blog because I could never like the designer perfumes. There are a few, however, that stand out for me by the bold character and the spectacular and consistent perfume present. I explore two of these today: Organza Indécence and Ysatis Pure Parfum.

Givenchy Organza Indécence: Organza Indécence is another one of those discontinued perfumes or which have become rare to find that formed an interesting part of the transition between the 90s and the early 2000. I see this time in perfumery as a moment of creativity , exploration and risk taking - which may explain why many perfumes of that time were one by one discontinued, for not following the likes of a large mass. Indécence is interesting to be in an initial moment of flankers exploration in commercial perfumery and it achieve to stand out from the fragrance that originated it, the mega oriental floral  Organza. The indecence version basically builds a modern oriental spicy, almost unissex, gravitating around basically cinnamon, vanilla and rosewood- here basically represented by a large use of linalool. The original version of Indécence for me looks like a typical perfume that began in the 90s and was consolidated in the 2000s, a linear creation with enough musk to sustain a constant aura, but building a solid identity for the timely and well placed use of elements such as spices and exotic fruit aromas. It is a scent that becomes increasingly cozy with time and it will involve the wearer in the warmth of exotic woods, creamy vanilla and soft musks. You must be careful, however, because its fragrance is intense and as remarkable as its advertisement.


Givenchy Ysatis Parfum: Ysatis is, in a way, the Organza Indécence of its time. Launched in the early 80s, it is a creation that carries in itself the grand and expansive aromas of white and carnal florals directed at women. It is interesting, however, that in Ysatis there is already clues of a more linear fragrance  that would develop over the years 90, as in the technical literature its fragrance is known for a generous use of hedione and musk Galaxolide to sustain the structure that is developed. It's something you do not see, because what develops over has a dramatic and unforgettable personality. Its aroma does not waste time and already opens with a complex white floral bouquet, marked for me mainly by white floral and bright (fluorescent almost) 80s tuberose. Aldehydes are used in a side to bring lightness and modernity to the idea while the use of civet and moss (represented here by the synthetic evernyl) create a mossy and slightly animalic base that gives depth and creates a dichotomy between carnality and austerity that comes with the complex white floral bouquet revolving around tuberose. For me it is precisely this aspect of chypre between something more classic and modern that highlights Ysatis from other floral  eighties of the same time.