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15 de ago de 2016

Explorando a Coleção: Bvlgari Black e Bvlgari Omnia



A impressão que eu sempre tive é que quando se trata de perfumaria comercial as joalherias sempre tiveram um cuidado maior em colocar seu nome e prestígio do que outros segmentos. Da mesma forma que a Boucheron, a Bvlgari sempre manteve uma coerência estética conseguindo aliar bem um lado comercial com riscos criativos. Isso esteve desde o começo da marca na perfumaria, que foi uma das primeiras a explorar comercialmente um aroma de chá em Au Thè Vert, uma composição de Jean Claude Ellena inicialmente feita como um aromatizador das lojas da marca e que fez tanto sucesso que virou um perfume a ser vendido. Os dois da minha coleção explorados hoje também seguem por aromas de chá interpretando-os em contextos interessantes e criativos.

Bvlgari Black: é interessante como Bvlgari Black consegue tocar de certa forma nos conceitos dos anos 90 e ainda sim ser um perfume mais dark que muitas das criações aquáticas e frescas dessa época, ficando assim entre os mais desafiadores e artísticos. Já o avaliei no passado mas é uma composição que vale a pena voltar para estudar. Se você parar para pensar, estruturalmente falando Black não diferente muito de um CK One, você percebe que seu aroma monolítico é efeito de uma construção bem feita de musks que oscilam entre o mais macio e o levemente animálico. Entretanto, a forma como ele trabalha a baunilha e um acorde abstrato, mineral e levemente esfumaçado de chá lapsang souchong confere a tais musks um aspecto emborrachado e adocicado urbano e moderno até hoje.  É um perfume que exemplifica muito bem a tendência contemporânea em que vivemos onde a criação deve mostrar rapidamente suas facetas - seja na pele ou na fita - e mantê-las durante toda a evolução.  Black foi feito por uma perfumista que eu admiro muito - a maravilhosa Annick Menardo, a criadora do Hypnotic Poison.

Bvlgari Omnia: assim como Black, Omnia também foi criado por um dos mestres consolidados na perfumaria comercial: Alberto Morillas. É um mistério para mim que seu perfume não tenha feito sucesso suficiente para se manter em produção até a data de hoje, pois Omnia é um daqueles perfumes fáceis de usar e muito elegantes. Omnia é um oriental que nem Black e moderno como o mesmo, explorando um chá exótico de uma forma almiscarada e estável ao longo do tempo. O contraste entre o aspecto especiado e lactônico do chá indiano com leite chamado de masala chai é feito pelo uso de materiais que sugerem o aspecto lactônico do sândalo combinado ao lado picante e levemente floral de um acorde de açafrão e do uso de especiarias que equilibram tanto o lado mais fresco e frio (cardamomo e noz moscada) com o mais quente e intenso (cravo e canela). A ideia é bem balanceada para manter o estilo exótico delicado e persistente que se tornou a marca registrada da joalheria ao longo dos anos 90 e 2000.

English:

The impression I always had is that when it comes to commercial perfumery the jewelry brands always had a better care to put their name and prestige than other segments. Just as Boucheron, Bvlgari has always maintained the aesthetic coherence managing well in combining a commercial side with creative risks. This was there from the beginning of the brand in perfumery, which was one of the first commercially explore a tea aroma in Au Thè Vert, a composition of Jean Claude Ellena initially made as a aromatizer for the brand stores  so successful that it became a perfume to be sold. Both of the members from my collection explored today also follow tea aromas interpreting them in interesting and creative contexts.

Bvlgari Black: It's interesting how Bvlgari Black can play somehow the concepts of the 90s and still be a perfume more dark that many aquatic and fresh creations of that time, being thus among the most challenging and artistic. I have already reviewed it in the past but this is a composition worth going back to study. If you stop to think, structurally speaking there is not much of a difference from Black tp CK One, you realize that its monolithic aroma is an effect of a construction  made of musks that oscillate between the softer and slightly animalic. However, the way it works vanilla and an abstract mineral and slightly smoky accord of Lapsang Souchong tea gives such musks a rubberized and sweet aroma that is urban and modern until today. It is a perfume that illustrates very well the contemporary trend in which we live where creation must quickly show its facets - on the skin or on blotter - and keep them throughout the evolution. Black was done by a perfumer I admire - the wonderful Annick Menardo, the creator of Hypnotic Poison.

Bvlgari Omnia: as Black, Omnia was also created by one of the consolidated masters in commercial perfumery: Alberto Morillas. It's a mystery to me that this perfume has not done enough success to stay in production until today's date, as Omnia is one of those perfumes easy to wear and very elegant. Omnia is like Black an oriental in  a modern  way with both  exploring an exotic tea from a musky and stable  perspective over time. The contrast between the spicy aspect and lactonic one of Indian milk tea called masala chai is made by the use of materials that suggest the lactone aspec of sandalwood combined to the spicy and slightly floral side of a saffron accord and the use of spices that balance both the fresh and cold sude (cardamom and nutmeg) with the hottest and intense one (cloves and cinnamon). The idea is well-balanced to maintain the delicate and persistent exotic style that has become the hallmark of the jewelry over the 90 and 00 decades.