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1 de ago de 2016

Dior Diorella Vintage Parfum e Balmain Vent Vert Vintage Parfum - Fragrance Reviews


Português (click for english version):

Eu acho muito interessante como na história da perfumaria algumas criações parecem formar quase que involuntariamente uma genealogia ao redor de uma mesma ideia. É como se perfumistas em diferentes épocas se sentissem inspirados por um tema de forma similar, mas trabalhando com materiais diferentes e com os avanços técnicos que cada época permite. Um dia me passou pela cabeça a possibilidade de Vent Vert e Diorella terem essa característica. Ambos foram criações femininas audaciosas pelo uso generoso de aromas herbáceos, primaveris e frescos com contraste em uma base amadeirada chypre. São perfumes cheios de vida e únicos em suas personalidades - que parecem inclusive transmitir em vez de sedução júbilo e vida em suas propagandas. Finalmente tive a chance de comprovar essas impressão ao usar amostras de versões antigas de ambos na concentração que mais me agrada - a pure parfum.

Vent Vert foi criado em 1947 por Germaine Cellier, perfumista cuja as obras exalam uma personalidade inesquecível e marcante. Germaine trabalhava com concentrações intensas de materiais em suas fórmulas e gostava de um estilo compacto de composição: não muitos materiais e usando-se de bases (fórmulas preparadas em geral por casas de fragrâncias) para dar complexidade a sua composição.Vent Vert é uma de suas criações famosas inclusive por esse aspecto por ter dado trabalho de reformular e substituir as bases produzidas por firmas que não existem mais. O resultado da versão vintage, entretanto, é maravilhosa e é uma pena que não tenha sido mantida. Têm-se a impressão de um dia bucólico de primavera. Tudo parece no seu lugar: o aroma fofo e de musgo, um cheiro que remete a terra, o aroma das flores frescas, um leve toque sensual de jasmim, a generosidade amadeirada de vetiver e o aroma de grama fresca recém cortada que o uso generoso de gálbano proporciona a composição. É um perfume que poderia muito bem hoje ser lançado como uma criação de nicho ou mais exclusiva, seu aroma se não é moderno pode ser adaptado para isso.

Diorella também compartilha com Vent Vert o fato de ter sido criado por um grande perfumista, o lendário Edmond Roudnitska. Edmond não possui um histórico grande de criações, mas as que levaram seu nome ficaram conhecidas pela beleza, complexidade e equilíbrio de seus aromas. Edmond era um perfumista estudioso e que levava anos aprimorando suas fórmulas - no passado não se tinha a pressão de lançar um perfume a cada três ou seis meses. Diorella é uma de suas obras-primas lançadas em 1970, 23 anos após Vent Vert. Sua temática também é vibrante, marcante, porém mais luminosa em seu cheiro. Na versão parfum percebe-se que Diorella foca mais no aspecto amadeirado, chypre e terroso na base e o contrasta com um buquê floral luminoso, onde o cheiro de flores mais clássicas como madressilva, jasmim narcótico e lírio do vale são iluminados por um uso generoso da molécula sintética hedione, acrescentando um brilho abstrato de jasmim que se dá uma leveza interessante a um boquet de flores que seria bem mais pesado sem ela. É um perfume de nuances, um jogo entre luz e sombras que exemplifica bem a beleza e os mistérios da família chypre. E é, assim como Vent Vert, um perfume único para o público feminino, algo que ousa explorar aromas mais herbáceos e secos.

English:

I find very interesting as in the history of perfumery some creations seem to form almost involuntarily a genealogy around the same idea. It's like perfumers at different times feel inspired by a similar theme, but working with different materials and technical advances that each time allows. One day ir crossed my mind the possibility of Vent Vert and Diorella have this feature. Both were audacious feminine creations by the use of generous herbal, fresh and spring aromas in contrast with woody chypre bases. They are perfumes full of life and unique in their personalities - they seem even to convey joy and life instead of seduction in their advertisements. I finally had the chance to prove these impressions when using samples of vintage versions of both in the concentration that i like the most - the pure parfum.

Vent Vert was created in 1947 by Germaine Cellier, perfumer whose works exude an unforgettable and remarkable personality. Germaine worked with intense concentrations of materials in their formulas and enjoyed a compact style of composition: not many materials and using bases (formulas prepared in general by fragrance houses) to give complexity to her compositions. Vent Vert is one of her famous creations by including this aspect and giving plenty of work to be reformulated, replacing the bases produced by firms that no longer exist. The result of the vintage version, however, is wonderful and it's a shame that has not been maintained. It has the impression of a spring bucolic day. Everything seems in place: the fluffy  moss aroma, a smell that reminds me of earth, the smell of fresh flowers, a light sensual touch of jasmine, the woody generosity of vetiver and the aroma of fresh  freshly cut grass that the generous galbanum use provides in the composition. It is a scent that could well now be launched as a niche or in a more exclusive mainstream line, its aroma if not modern can be adapted to it.

Diorella also shares with Vent Vert the fact that it was created by a great perfumer, the legendary Edmond Roudnitska. Edmond does not have a big history of creations, but what took its name became known for beauty, complexity and balance of its aromas. Edmond was a studious perfumer and that used to took years tweaking his formulas - in the past we had no pressure to launch a perfume every three to six months. Diorella is one of his masterpieces released in 1970, 23 years after Vent Vert. Its theme is also vibrant, striking, but more light on its smell. In parfum version I realize that Diorella focuses more on the woody, chypre and earthy aspect at the base and contrasts it with a bright floral bouquet, where the smell of more traditional flowers such as honeysuckle, narcotic jasmine and lily of the valley are illuminated by a generous use of the synthetic molecule hedione, adding an abstract shining jasmine which gives an interesting lightness to a boquet of flowers that would be heavier without it. It is a perfume of nuances, a game of light and shadows that exemplifies the beauty and the mysteries of the chypre family. And it is, as Vent Vert, a unique perfume for the female audience, something that dares to explore more herbaceous and dry aromas.

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