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4 de ago de 2016

Cartier Les Heures Voyageuses Oud Absolu e Oud & Santal - Fragrance Reviews


Português (click for english version):

Quando se trata da linha exclusiva da Cartier voltada para o público árabe, a Les Heures Voyageuses, a marca parece adotar simultaneamente a estratégia do Mais é Mais e do Menos é Mais. Ao mesmo tempo em que oferece uma apresentação ainda mais extravagante a um preço ainda mais alto, posicionando assim o perfume no segmento mais aspiracional de luxo, a marca oferece interpretações minimalistas e diretas das diversas faces e combinações do Agarwood. Como se fossem attares árabes, praticamente nada é divulgado com relação as notas e inspirações, deixando a experiência por conta só do Oud ou de algum acompanhamento. Ao quarteto de perfumes inspirados em Oud já lançados pela marca (Oud & Rose, Oud & Musc, Oud & Oud e Oud Radieux) surgem mais dois integrantes recentes nessa saga pela perfumaria árabe: Oud Absolu e Oud & Santal.

Oud Absolu é de certa forma o perfume da casa que mais se aproxima de um attar árabe, se mostrando ainda mais concentrado que os outros pure parfums da linha. É interessante, porém, que haja uma influência da perfumaria ocidental na ideia ao acrescentar um aspecto mais cítrico que faz o papel de saída na composição. Por alguns momentos temos um aroma cítrico meio verde, áspero e atalcado, algo que me faz lembrar por alguns momentos a abertura do Habit Rouge. Depois disso, porém, Oud Absolu é como uma amálgama de diversas facetas de oud. Ele parece ser uma mistura de uso de naturais com sintéticos, misturando o lado musky, doce, oleoso e animálico que diferentes interpretações de oud costumam ter. Há até um momento onde se percebe um aroma ambarado e doce que remete a intensidade e comforto do clássico comercial dessa categoria, o perfume M7 da YSL. Sua projeção e fixação são extraordinárias e o aroma perdura na pele até mesmo depois do banho. Ao oferecer diversas facetas de Oud, Oud Absolu cumpre bem o seu papel de ser tanto um perfume para ser usado sozinho como uma base para outros perfumes da coleção.

Oud & Santal me faz pensar em um encontro de titãs da perfumaria primitiva e sagrada: Agarwood e Sândalo. Ambos são madeiras de grande simbolismo, com aroma complexo e rico e cujo o uso indiscriminado quase levou a extinção, tornando seu uso na forma natural reservado a poucos pelo alto preço que adquiriram. Aqui Mathilde Laurent faz um belo trabalho de harmonização de ambas em um perfume que se mostra mais complexo do que aparenta a princípio. Na saída o Sândalo parece prevalecer imediatamente e é um belo aroma de sândalo, lactônico e cremoso na medida e sem excesso de aromas amadeirados ásperos e secos. É interessante como a perfumista acrescenta uma nota levemente gourmand e açúcarada, algo que realça o aspecto mais cremoso do Sândalo ao mesmo tempo que parece sugerir a madeira da Gaiac sem o aspecto defumado. O Oud vai aparecendo aos poucos, e se não é natural pelo menos soa como fosse, mostrando-se amadeirado, animálico e com aquele aspecto oleoso que em geral se encontra nas versões mais caras da madeira. Como em uma espécie de sucessão de notas de base, o Oud também dá espaço para outra faceta, a de um musk com um aroma engomado e que me faz pensar em um dos perfumes da linha árabe da Guerlain, Encens Mythique d'Orient. É uma forma boa de finalizar com elementos clássicos uma inspiração luxuosa baseada na perfumaria árabe e que torna o lançamento, junto com Oud Absolu, um dos melhores da linha.

English:

When it comes to exclusive Cartier line toward the Arab public, Les Heures Voyageuses, the brand seems to simultaneously adopt the More is More and Less is More strategy. While offering an even fancier presentation at an even higher price, thus positioning the perfume in the aspirational luxury segment, the brand offers minimalist and direct interpretations of different Agarwood  facets and combinations. As if they were Arabs attars, virtually nothing is disclosed about the notes and inspirations, leaving the experience because only the Oud or any pair to it. The Oud inspired perfume quartet already launched by the brand (Oud & Rose, Oud & Musc, Oud & Oud and Oud Radieux) has now two more recent members of this saga through Arab perfumery: Oud Absolu and Oud & Santal.

Oud Absolu is somehow the scent of the house that is closest to an Arab attar, showing even more concentrated than other pure parfums in the line. It is interesting, however, that there is an influence of Western perfumery idea by adding a more citrus aspect that makes the paper of an opening in the composition. For a few moments we have a citrus scent through green, tart and powdery aspects, which reminds me a few moments the opening  Habit Rouge. After that, however, Oud Absolu is like an amalgam of various facets of oud. It appears to be a blend of natural with synthetic use, marrying the musky, sweet, oily and animalic side that different interpretations of Oud usually have. There's even a moment where you notice an amber sweet aroma that brings the strength and comfort of the a classic mainstream creation in that category, the perfume M7 by YSL. Its projection and fixation are extraordinary and the scent lingers on the skin even after bathing. By offering several facets of Oud, Oud Absolu fulfills very well its role of being both a perfume to be used alone as a basis for other perfumes of the collection.


Oud & Santal makes me think of a meeting of the titans of the ancient and holy perfumes: Agarwood and Sandalwood. Both are great woods full of symbolism, with complex and rich aroma and whose indiscriminate use almost led to extinction, making its use in natural form reserved because of the high price they have acquired. Here Mathilde Laurent makes a beautiful harmonization work of both in a perfume that appears more complex than it seems at first. At the opening Sandalwood seems to prevail immediately and is a lovely aroma of sandalwood, lactonic, creamy and without excess of harsh and dry woody aromas. It is interesting as the perfumer adds a slightly Gourmand and sugar note, which enhances the creamier aspect of sandalwood while seems to suggest Gaiacwood without the smoked nuances. The Oud appears gradually, and if it is not natural at least sounds like it was, being woody, animalic and with that oily impression which is generally found in more expensive versions of the wood. As a kind of succession of base notes, Oud also gives room for another facet to a musk aroma with a starched sensation and that makes me think of one of the perfumes in the Arab Guerlain line, Encens Mythique d'Orient. It's a good way to finish with classic elements a luxurious inspiration based on Arabic perfumes and making the release, along with Oud Absolu, one of the best in this line.