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24 de jul de 2016

Hermès Rose Amazone e Equipage Geranium - Fragrance Reviews


Português (click for english version): 

Eu vejo como necessário o processo de releituras dos clássicos da Hermès iniciado em 2013 com Bel Ami Vetiver. Você percebe claramente na marca um divisor de águas entre os perfumes mais clássicos e robustos e os lançados após a criação de Eau des Merveilles e a contratação de Jean Claude Ellena como perfumista in house para a marca. Faltava algo que fizesse a conexão entre o mundo mais clássico e o mais moderno da marca e permitisse aos clientes mais atuais se familiarizar de uma forma mais fácil com a herança olfativa da Hermès.

É possível perceber que o nível de adaptação ou tradução livre desses clássicos varia bastante entre os 3 perfumes que já foram reeditados para uma linguagem mais contemporânea. Bel Ami Vetiver, já avaliado anteriormente aqui, fica no meio do caminho entre uma homenagem ao couro clássico do tradicional que lhe dá o nome e o vetiver contemporâneo que Ellena explora em alguns de seus perfumes. Equipage Geranium é o que o perfumista mais se ateve ao clássico e Rose Amazone é em sua boa parte uma versão livre sobre a ideia do original e não sobre o aroma.

Confesso que dos 3 é justamente Equipage Geranium o que mais me agrada, principalmente por manter a parte mais gostosa do clássico, o aroma especiado, quente e marcante. O Perfumista aqui leva a composição em um caminho menos oriental, acrescentando um aroma mais evidente de ervas frescas e algo cítrico e um toque mentolado e de rosa do gerânio. A ideia combina muito bem com o especiado floral de Equipage e lhe confere uma cara mais fougére. A base é o momento em que fica mais claro a assinatura do Ellena, com uma aura mais simples, algo almiscarado e amadeirado com predominância de um aroma seco de vetiver na pele.

Já Rose Amazone me deixa dividido. Por um lado, a ideia de uma rosa contemporânea que explore frutas pelo seu lado mais verde e herbáceo é interessante, mas por outro não parece muito conectado com o aroma floral verde chypre do Amazone original, que é um dos perfumes pouco conhecidos e mais desafiadores da marca. Vejo que talvez Ellena tenha escolhido o lado mais comercial em vez da fidelidade a composição, o que funciona, mas de certa forma não está muito conectado. O perfumista parece voltar para uma combinação de frutas silvestres e aromas de folhas frescas que por alguns momentos me lembra uma releitura mais feminina de seu clássico unissex Eau de Campagne. Isso até que as folhas e cítricos sejam deixados de lado e reine uma rosa delicada, apoiada em uma base almiscarada e retendo parte do frutal não adocicado da saída. É um perfume simples, transparente, de boa duração, bem conectado com o que a Hermès tem feito atualmente mas uma oportunidade perdida de trazer o original para a atualidade.

English:

I see it as necessary the process of reinterpretations of  Hermès classics that started in 2013 with Bel Ami Vetiver. You clearly perceive in the brand a watershed between the more classical and robust perfumes and the ones released after the creation of Eau des Merveilles and the hiring of Jean Claude Ellena as a perfumer in house for the brand. Something was missing that would make the connection between the most classical world and the most modern  and would allow more current customers become familiar in an easier way with the olfactory heritage of Hermès.

You can see that the level of adaptation or free translation of these classics varies greatly between 3 scents that have been reissued for a more contemporary language. Bel Ami Vetiver, as previously evaluated here, is halfway between an homage to classic traditional leather that gives its name and a contemporary vetiver Ellena explores in some of his perfumes. Equipage Geranium is what the perfumer more adhered to the classic and Rose Amazone is in a good part a free version of the idea of ​​the original and not on the aroma.

I confess that from the 3 is  Equipage Geranium what pleases me most, especially to keep the most pleasant part of the classic, the spicy, warm and striking aroma. The Perfumer here takes the composition into a more path  less oriental one, adding more evident aroma of fresh herbs and something citrus and a minty and rose geranium touch. The idea blends well with floral spicy of Equipage and gives it a more fougere face. The base is the time where it is clearer  Ellena's signature, with a simpler aura, something musky and woody with a predominance of a dry scent of vetiver on the skin.

Amazone Rose was the one that let me split. On the one hand, the idea of ​​a contemporary rose exploring fruit at its most green and a herbaceous side is interesting, but otherwise does not seem very connected with the green floral aroma chypre of original Amazone, which is one of the little-known perfumes and more challenging of brand. I see that maybe Ellena chose the more commercial side instead of fidelity to composition, which works, but somehow is not too connected. The perfumer looks back to a combination of berries and aromas of fresh leaves that for a moment reminds me of a more feminine reinterpretation of his classic unisex Eau de Campagne. This until the leaves and citrus are left aside and reigns a delicate rose, supported on a musky base and retaining part of the non-sweet fruity output. It's a simple, transparent perfume, good duration, well connected to what Hermès has done today but a missed opportunity to bring the original to the present.